Gestação na adolescência e transtorno depressivo: desafios à atenção básica, às redes de cuidado e à educação na saúde

Maurício Moraes, Ricardo Burg Ceccim

Resumo


O artigo é resultado de uma pesquisa realizada com 136 puérperas captadas de uma coorte de 540 gestantes adolescentes inscritas na rede básica de saúde. Essas adolescentes foram classificadas quanto à presença ou não de transtorno de depressão. Um questionário composto de perguntas abertas foi aplicado em entrevista, tendo sido categorizadas vinte variáveis que diziam respeito à vida adolescente e ao contato com os serviços de saúde. Pela prevalência de 18,4% do diagnóstico de depressão, estabeleceu-se, como paralelo, significados para o cuidado em saúde de puérperas que possuíam diagnóstico de depressão maior na gestação e puérperas que não tinham este diagnóstico. Foram detectados fatores, tanto de cobrança pessoal, como de pressão social, uma vez que as jovens se identificaram antes da gravidez como “irresponsáveis” ou “imaturas” e relataram, após a gravidez, o “amadurecimento pessoal”, como identidade. Do ponto de vista pessoal, as adolescentes com depressão na gestação se perceberam “mais responsáveis” após o nascimento dos filhos, enquanto as demais se perceberam “mais felizes”. A participação solidária da mãe ou do pai das adolescentes, assim como do namorado e da sogra foi proporcionalmente maior quando comparada com aquelas que não apresentaram depressão, o que diz de as adolescentes com depressão terem contado com proteção e cuidados especiais, atenuando, por conseguinte, sua eventual exposição ao maior risco psicossocial.


Palavras-chave


Gravidez na adolescência; Transtorno depressivo; Saúde da mulher; Saúde do adolescente; Educação na saúde

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PORTUGUÊS

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DOI: https://doi.org/10.18310/2446-4813.2018v4n4p%25p

DOI (PORTUGUÊS): https://doi.org/10.18310/2446-48132018v4n4.1001g326

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