A percepção da equipe multiprofissional acerca do cuidado interdisciplinar em uma Unidade de Terapia Intensiva de Salvador-Bahia

Bruno Henrique Ramos Bispo, Ieda Maria Barbosa Aleluia

Resumo


Objetivo: Avaliar a percepção dos profissionais de unidade de terapia intensiva sobre o cuidado interdisciplinar no seu cenário de atuação. Métodos: Este é um estudo de caráter exploratório com abordagem qualitativa, realizado em um Centro de Terapia Intensiva Adulto em Salvador-Bahia. A população analisada foi a equipe multiprofissional – nível superior e técnico – da referida unidade, selecionada aleatoriamente num dia e turno. Foram entrevistados sete indivíduos; posteriormente, o conteúdo das entrevistas foi transcrito e os dados submetidos a uma análise temática. Foi garantido aos sujeitos do estudo anonimato e sigilo de informações mediante assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. Este projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade do Estado da Bahia. Resultados: Na análise temática, os discursos foram qualificados em quatro categorias: o(s) significado(s) de interdisciplinaridade para a equipe multidisciplinar; a interdependência da equipe e a atuação interdisciplinar como potencializadora da assistência ao paciente crítico; a comunicação da equipe e suas implicações na humanização do cuidado; o papel do agente de higienização no processo de trabalho em terapia intensiva. Conclusões: Os significados de interdisciplinaridade para a equipe são diversos e englobam o senso de integração, cooperação e/ou justaposição de ações e saberes. A atuação interdisciplinar, na visão da equipe, aumenta o aproveitamento do trabalho e proporciona melhor cuidado ao paciente crítico. Assim, situações desafiadoras na prática clínica evidenciam a necessidade de efetividade na comunicação da equipe. O agente de higienização foi apontado pelos sujeitos da pesquisa como peça chave no cenário de trabalho.


Palavras-chave


Interdisciplinaridade; Humanização; Equipe Multiprofissional; Unidade de Terapia Intensiva.

Texto completo:

PORTUGUÊS

Referências


BRASIL. Ministério da Saúde. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Resolução – RDC, n. 7, de 24 de fevereiro de 2010. DOU, 25 fev 2010. Seção 1, p. 48.

Bolela F. A humanização em terapia intensiva na perspectiva da equipe de saúde [tese de mestrado]. Ribeirão Preto: Escola de Enf de Ribeirão Preto – USP; 2008.

WHO/OMS. Organização Mundial de Saúde. Constituição da Organização Mundial da Saúde (OMS/WHO); 1946.

Alcantara LS, Sant’anna JL, Souza MGN. Adoecimento e finitude: considerações sobre a abordagem interdisciplinar no Centro de Tratamento Intensivo oncológico. Ciência & Saúde Coletiva, 18(9):2507-2514, 2013.

Fortuna, CM. O trabalho de equipe numa Unidade Básica de Saúde: produzindo e repreduzindo-se em subjetividades – em busca do desejo, do devir e de singularidades [tese de mestrado] Ribeirão Preto: Escola de Enf de Ribeirão Preto – USP; 1999.

Matos E, Pires DEP, Campos GWS. Relações de trabalho em equipes interdisciplinares: contribuições para a constituição de novas formas de organização do trabalho em saúde. Revista Brasileira de Enfermagem. 2009;62(6):863-869.

Oliveira, TRB. Interdisciplinaridade: um desafio para a atenção integral à saúde. Rev.Saúde.Com 2007; 3(1): 20-27

Vilela EM, Mendes IJM. Interdisciplinaridade e saúde: estudo bibliográfico. Rev Latinoame de Enfermagem, 2003 julho-agosto; 11(4):525-31.

Minayo MCS. Disciplinaridade, interdisciplinaridade e complexidade. Rev Emancipação, Ponta Grossa, 10(2): 435-442, 2010. Disponível em .

Nunes ED. A questão da interdisciplinaridade no estudo da saúde coletiva e o papel das ciências sociais. In: Canesqui AM. Dilemas e desafios das ciências sociais na saúde coletiva. São Paulo: Hucitec; 1995. p.95-113.

Meirelles BHS, Erdmann AL. A interdisciplinaridade como construção do conhecimento em saúde e enfermagem. Rev Texto Contexto Enfermagem, 2005 Jul-Set; 14(3):411-8.

Oliveira TRB. Interdisciplinaridade: um desafio para a atenção integral à saúde. Rev.Saúde.Com 2007; 3(1): 20-27.

Saupe R, et al. Competência dos profissionais de saúde para o trabalho interdisciplinar. Interface - Comunic., Saúde, Educ., v.9, n.18, p.521-36, set/dez 2005.

Nogueira JWS, Rodrigues MCS. Comunicação efetiva no trabalho em equipe em saúde: desafio para a segurança do paciente. Cogitare Enferm. 2015 Jul/set; 20(3): 636-640.

Schneider JF, Souza JP, Nasi C, Camatta MW, Machiese GG. Concepção de uma equipe de saúde mental sobre interdisciplinaridade. Rev Gaúche Enferm, Porto Alegre 2009 set; 30(3): 397-405.

Victor ACS, Matsuda LM, Saalfeld SMS, Évora YDM. Comunicação verbal de uma equipe médica: percepções e necessidades de visitantes de uma UTI. Acta Scientiarum. Health Sciences Maringá, v. 25, no. 2, p. 199-206, 2003.

Bolela F, Jericó MC. Unidades de terapia intensiva: considerações da literatura acerca das dificuldades e estratégias para sua humanização. Esc Anna Nery R Enferm 2006 ago; 10(2): 301-8.

Morais GSN, Costa, SFG, Fontes, WD, Carneiro, AD. Comunicação como instrumento básico no cuidar humanizado em enfermagem ao paciente hospitalizado. Acta Paul Enferm. 2009;22(3):323-7.




DOI: https://doi.org/10.18310/2446-4813.2019v5n1p115-125

DOI (PORTUGUÊS): https://doi.org/10.18310/2446-48132019v5n1.2217g344

Apontamentos

  • Não há apontamentos.


A revista Saúde em Redes foi classificada pelo Sistema Qualis-Periódico da CAPES no Quadriênio 2014/2016, período de sua criação, no estrato B1 na área de Ensino, no estrato B4 nas áreas de Enfermagem, Interdisciplinar, Psicologia, Saúde Coletiva e Serviço Social e no estrato B5 nas áreas de Geociências e Medicina II. Novidade 2019: a Saúde em Redes foi aprovada para indexação na Base LILACS.

Indexada no LatindexDiadorimDOAJ; COLECIONASUS