O processo de trabalho no município de Santa Catarina: tecendo o olhar para desinstitucionalização?

Autores

  • JÉSSICA Oliveira de Almdeida Universidade do Vale do Itajaí
  • Carlos Eduardo Máximo Universidade do Vale do Itajaí

DOI:

https://doi.org/10.18310/2446-4813.2020v6n1p91-110

Palavras-chave:

processo de trabalho, desinstitucionalização, reforma psiquiátrica,

Resumo

Trata-se de uma pesquisa qualitativa, que visa discutir se o processo de trabalho nos serviços substitutivos ao modelo psiquiátrico está se efetivando em ações coerentes com os princípios da reforma psiquiátrica. Através de perguntas norteadoras de uma entrevista semi-estruturada, debruçou-se sobre o processo de trabalho e sua relação com a desinstitucionalização com sete profissionais nas três modalidades de Centro de Atenção Psicossocial existente (CAPS i, II e AD) de um município de Santa CatarinaI. Os relatos foram analisados por conjunto de sentidos e os resultados demonstraram que a maioria dos profissionais não conhecem as propostas da desinstitucionalização, ou não distinguem de desospitalização. Os que conhecem encontram dificuldades em aplicar na sua prática cotidiana. Considera-se que apesar da portaria dos CAPS ser muito clara no que tange a implementação de um serviço substitutivo, não são realizadas ações de desinstitucionalização voltadas aos usuários, tampouco em relação aos profissionais para que construam uma prática criativa como demanda este campo. Parte dos profissionais percebe que estão reproduzindo o modelo manicomial e isso indica que a desinstitucionalização nos CAPS pode ser construída e significar um avanço nas práticas não só no âmbito da saúde mental, mas nos parâmetros da cultura no sentido antropológico.

Biografia do Autor

JÉSSICA Oliveira de Almdeida, Universidade do Vale do Itajaí

Sou psicóloga e pós graduanda em saúde coletiva no programa de residência do ministério da saúde. Hoje atuo na gestão da secretaria municipal de saúde do município de Palmas. Minha graduação como bacharel em psicologia foi no estado de Santa Catarina, pela Universidade do Vale do Itajaí (2016).  Anteriormente exerci a profissão como educadora em gestão da qualidade, fui responsável técnica em grupo de pesquisa-ação em ecologia social na Faculdade São Salvador e atuei também nos conselhos comunitários para a construção de políticas públicas.

Carlos Eduardo Máximo, Universidade do Vale do Itajaí

Possui graduação em Psicologia pela Universidade do Vale do Itajaí (1992), mestrado em Psicologia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (1999) e doutorado em Psicologia pela Universidade Federal de Santa Catarina. Atualmente é professor titular da Universidade do Vale do Itajaí, com experiência na área de Psicologia Social, Saúde Coletiva e Políticas de Saúde. Participou de programas de formação profissional em saúde como o PRO/PET-Saúde. Trabalha em cursos de Pós-graduação abordando temas em saúde mental coletiva e práticas psicossociais. Professor e Tutor da Residência Multiprofissional em Saúde da Família/Atenção Básica. Professor do Programa de Mestrado em Saúde e Gestão do Trabalho da UNIVALI.

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Publicado

2020-07-28

Edição

Seção

Artigos Originais