O processo de trabalho no município de Santa Catarina: tecendo o olhar para desinstitucionalização?

JÉSSICA Oliveira de Almdeida, Carlos Eduardo Máximo

Resumo


Trata-se de uma pesquisa qualitativa, que visa discutir se o processo de trabalho nos serviços substitutivos ao modelo psiquiátrico está se efetivando em ações coerentes com os princípios da reforma psiquiátrica. Através de perguntas norteadoras de uma entrevista semi-estruturada, debruçou-se sobre o processo de trabalho e sua relação com a desinstitucionalização com sete profissionais nas três modalidades de Centro de Atenção Psicossocial existente (CAPS i, II e AD) de um município de Santa CatarinaI. Os relatos foram analisados por conjunto de sentidos e os resultados demonstraram que a maioria dos profissionais não conhecem as propostas da desinstitucionalização, ou não distinguem de desospitalização. Os que conhecem encontram dificuldades em aplicar na sua prática cotidiana. Considera-se que apesar da portaria dos CAPS ser muito clara no que tange a implementação de um serviço substitutivo, não são realizadas ações de desinstitucionalização voltadas aos usuários, tampouco em relação aos profissionais para que construam uma prática criativa como demanda este campo. Parte dos profissionais percebe que estão reproduzindo o modelo manicomial e isso indica que a desinstitucionalização nos CAPS pode ser construída e significar um avanço nas práticas não só no âmbito da saúde mental, mas nos parâmetros da cultura no sentido antropológico.


Palavras-chave


processo de trabalho;desinstitucionalização; reforma psiquiátrica;

Texto completo:

PORTUGUÊS

Referências


FOUCAULT, M. A história da loucura. São Paulo: Perspectiva, 1978.

FOUCAULT, M. . A microfísica do poder. Organização e tradução de Roberto Machado. Rio de Janeiro: Graal, 1979.

GOFFMAN, E. Manicômios, prisões e conventos. São Paulo: Perspectiva, 1974.

YASUI, S.; AMARANTE, P. Rupturas e encontros: desafios da Reforma Psiquiátrica Brasileira. 2006. 208 f. Tese (Doutorado) - Curso de Ciências na área de Saúde, Escola Nacional de Saúde Pública da Fundação Oswaldo Cruz, Rio de Janeiro, 2006. Disponível em: . Último acesso em: 26 nov. 2015.

COSTA-ROSA, A.; LUZIO, C. A.; YASUI, S. Atenção psicossocial: rumo a um paradigma na saúde mental coletiva. In: AMARANTE, P (Org.). Archivos de saúde mental e atenção psicossocial. Rio de Janeiro: Nau, 2003. p. 13-65.

BASAGLIA, Franco. A instituição negada. Rio de Janeiro: Graal, 1985. 326 p.

AMARANTE, P. A (clinica) e a reforma psiquiátrica. In: AMARANTE, (Org.). Archivos de saúde mental e atenção psicossocial. Rio de Janeiro: Nau, 2003. p. 45-63.

VASCONCELOS, E.M. Dispositivos associativos de luta e empoderamento de usuários, Familiares e trabalhadores em saúde mental no brasil. Vivência, Rio de Janeiro, n. 32, p. 173-206, 2007.

BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde.DAPE. Coordenação Geral de Saúde Mental. Reforma psiquiátrica e política de saúde mental no Brasil. Documento apresentado à Conferência Regional de Reforma dos Serviços de Saúde Mental: 15 anos depois de Caracas. OPAS. Brasília, novembro de 2005.

BRASIL. Presidência da República. Lei 10.216, de 06 de abril de 2001. Brasília, 2001. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/leis_2001/l10216.htm. Último acesso: 08/06/2014.

BRASIL.Ministério da Saúde. Portaria nº336/GM, de 19 de fevereiro de 2002. Disponível em: http://dtr2001.saude.gov.br/sas/PORTARIAS/Port2002/Gm/GM-336.htm. Último acesso em: 08/06/2014.

BRASIL. Ministério da saúde. Portaria no 3.088, de 23 de dezembro de 2013. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2011/prt3088_23_12_2011_rep.html. Último acesso em: 26/11/2015.

BRASIL. Ministério da saúde. Portaria nº 1.174, de 07 de julho de 2005. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2005/prt1174_07_07_2005_comp.html. Último acesso em: 26/11/2015.

BRASIL. Presidência da República. Lei orgânica de saúde nº 8.080, de 19 de dezembro de 1990. Disponível em:http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L8080.htm. Último acesso em: 26/11/2015.

GONZÁLEZ REY, F. L. Pesquisa qualitativa em psicologia: Caminhos e desafios. São Paulo, Pioneira Thomson Learning, 2005.

TRIVIÑOS, A.N.S. Introdução à pesquisa em ciências sociais: a pesquisa qualitativa em educação . São Paulo, Atlas, 1987.

MINAYO, M. C. S. Análise qualitativa: teoria, passos e fidedignidade. Ciência & Saúde Coletiva, Rio de Janeiro, n. 3, v. 17, p.621-626, 12 out. 2011.

MERHY, E. E. Saúde: cartografia do trabalho vivo. 2. ed. São Paulo: Hucitec, 2002. 189 p.

BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Acolhimento nas práticas de produção de saúde. 2. ed., Brasília: Ministério da Saúde, 2008.

CHAUÍ, M.. Cultura e democracia. Cultura e democracia. Latinoamericana de Ciências Sociais, Buenos Aires, v.1, p 53-76, jun. 2008.

PINHEIRO, R. et al. Demanda em saúde e direito à saúde: liberdade ou necessidade? algumas considerações sobre os nexos constituintes das práticas de integralidade. In: PINHEIRO, R.; MATTOS, R. A. (Org.). Construção social da demanda: direito a saúde trabalho em equipe e espaços públicos. Rio de Janeiro: IMS-UERJ/CEPESC/ABRASCO, 2005. p. 11-31.

SANTOS, M. A natureza do espaço. Técnica e tempo. Razão e emoção. 4. ed. São Paulo: Universidade de São Paulo, 2006. 260 p.

MALUF, S. W. Gênero, subjetividade e saúde mental políticas públicas, ativismo e experiências sociais em torno de gênero e saúde mental. Florianópolis: FAPESC, 2009. 55 p.

BRASIL. Ministério da Saúde. Saúde mental. (Cadernos de Atenção Básica, n. 34) Brasília: Ministério da Saúde, 2013.

FERIGATO, S.; DIAS, M. K. A supervisão clínico institucional: dispositivo teórico-prático para o fortalecimento das redes em saúde mental. In: DIAS, M. K. (Org.). Dispositivos de atenção em saúde mental e seus desafios. Natal: Edunp, 2013. p. 83-101.

ROLNIK, S.; GUATTARI, F. Micropolítica: cartografias do desejo. Petrópolis, Rio de Janeiro: Vozes, 1986.

PINHEIRO, R.; MATTOS, R. A. Construção social da demanda em saúde e a integralidade: emancipação, necessidade e poder. In: PINHEIRO, R.; MATTOS, R. A. (Org.). Construção social da demanda. Rio Janeiro: IMS-UERJ/CEPESC/ABRASCO, 2005. p. 5-7.




DOI: https://doi.org/10.18310/2446-4813.2019v5n3p%25p

DOI (PORTUGUÊS): https://doi.org/10.18310/2446-48132020v6n1.2306g490

Apontamentos

  • Não há apontamentos.


A revista Saúde em Redes foi classificada pelo Sistema Qualis-Periódico da CAPES no Quadriênio 2014/2016, período de sua criação, no estrato B1 na área de Ensino, no estrato B4 nas áreas de Enfermagem, Interdisciplinar, Psicologia, Saúde Coletiva e Serviço Social e no estrato B5 nas áreas de Geociências e Medicina II. Novidade 2019: a Saúde em Redes foi aprovada para indexação na Base LILACS.

Indexada no LatindexDiadorimDOAJ; COLECIONASUS