Organização do trabalho na atenção primária à saúde: a experiência em uma região do interior de Portugal.

Alexandre Morais Nunes, Andreia Afonso de Matos

Resumo


A atenção primária e a resposta em saúde pública, em Portugal, dada a limitação de recursos, encontra-se muito dependente do modelo de organização de trabalho das equipes de saúde. No presente estudo, foi realizada uma pesquisa avaliativa, de abordagem qualitativa, com um desenho de estudo de caso para analisar a organização do trabalho numa região do interior de Portugal. A coleta de dados realizou-se com recurso à análise documental, à observação directa e à realização de entrevistas semiestruturadas aplicadas a 96 participantes (gestores, profissionais e usuários) da Unidade Local de Saúde de Castelo Branco, localizada no interior de Portugal. Para interpretação dos dados coletados pelas entrevistas, recorreu-se à técnica de análise de conteúdo. Como principais resultados, os usuários relataram dificuldades de comunicação com os funcionários e segundo os profissionais ficou claro as necessárias mudanças na organização, reforço de recursos e definição de metas a atingir para cumprimento de um plano de ação. Em conclusão, a prestação de cuidados na atenção primária à saúde tem uma elevada cobertura de acesso. Porém, mesmo com uma avaliada global positiva por parte dos profissionais, gestores e usuários existem muitas melhorias a implementar, desde a organização do trabalho interno e a articulação com o hospital.


Palavras-chave


Atenção primária à saúde; Equipe de Assistência ao Paciente ; Acesso aos Serviços de Saúde.

Texto completo:

PORTUGUÊS

Referências


Mannion R. General practitioner commissioning in the English National Health Service: continuity, change, and future challenges. Int J Health Serv. 2008;38(4), 717–30.

Hummers-Predier E, Beyer M, Chevallier P, Eilat-Tsanani S, Lionis C, Peremans L, Petek D, Rurik I, Soler J, Stoffers H, Topsever P, Ungan M, Van Royen P. The Research Agenda for General Practice/Family Medicine and Primary Health Care in Europe. European Journal of General Practice. 2009;15(4), 243-250.

WHO - World Health Organization. What are the advantages and disadvantages of restructuring a health care system to be more focused on primary care services?. Dinamarca: WHO Publishing; 2004.

Saltman R, Rico A, Boerma W. A primary care in the driver's seat?. Berkshire: open university press; 2006.

Biscaia A, Heleno L. A Reforma dos Cuidados de Saúde Primários em Portugal: portuguesa, moderna e inovadora. Ciência & Saúde Coletiva. 2017; 22(3), 701-711.

ACSS - Administração Central do Sistema de Saúde. Termos de referência para contratação de cuidados de saúde primários em 2015. Lisboa: Ministério da Saúde; 2016.

Decreto Lei n.º 28/2008, de 22 de fevereiro. Estabelece o regime da criação, estruturação e funcionamento dos agrupamentos de centros de saúde do Serviço Nacional de Saúde. Disponível em https://dre.pt/web/guest/pesquisa/-/search/247675/details/maximized Acessado em 01 de fevereiro de 2018.

ACSS - Administração Central do Sistema de Saúde. Relatório de acesso aos cuidados de saúde em 2016. Lisboa: Ministério da Saúde; 2017.

Denzin NK, YS L. Introdução: a disciplina e a prática da pesquisa qualitativa. Porto Alegre: Artmed/Bookman; 2006.

Yin RK. Estudo de caso: planejamento e métodos. Porto Alegre: Bookman; 2005.

Bardin L. Análise de conteúdo. Lisboa: Edições 70; 2006.

SIARS - Sistema de informação da Administração Regional de Saúe do Centro. Lisboa: Administração Central do Sistema de Saúde; 2017.

ULSCB - Unidade Local de Saúde de Castelo Branco. Relatório de Gestão e Contas do ano 2016. Castelo Branco: ULS; 2017.

Nunes A, Nunes M. A saúde em Portugal: um olhar sobre o distrito de Castelo Branco. Castelo Branco: RVJ Editores; 2016.

Nunes A. Gestão empresarial hospitalar na perspetiva dos gestores hospitalares. Lisboa: Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas; 2013.

OCDE. Health Systems in Transition: Portugal. OCDE Publishing; 2015.

Pinto RM, Wall M, YU G, Penido G, Schmidt C. Primary care and public health services integration in Brazil’s unified health system. American journal of public health. 2012, 102(11), 69-76.

Thomas EJ. Improving teamwork in healthcare: current approaches and the path forward. BMJ quality & safety. 2011, 20(8), 647-650.




DOI: https://doi.org/10.18310/2446-4813.2020v6n2p%25p

DOI (PORTUGUÊS): https://doi.org/10.18310/2446-48132020v6n2.2364g511

Apontamentos

  • Não há apontamentos.


A revista Saúde em Redes foi classificada pelo Sistema Qualis-Periódico da CAPES no Quadriênio 2014/2016, período de sua criação, no estrato B1 na área de Ensino, no estrato B4 nas áreas de Enfermagem, Interdisciplinar, Psicologia, Saúde Coletiva e Serviço Social e no estrato B5 nas áreas de Geociências e Medicina II. Novidade 2019: a Saúde em Redes foi aprovada para indexação na Base LILACS.

Indexada no LatindexDiadorimDOAJ; COLECIONASUS