Educar, intervir e avaliar em saúde: análise dos itinerários formativos do projeto caminhos do cuidado

Frederico Viana Machado, Renata Castro Gusmão, Pedro Augusto Papini, Franceli Francki dos Santos, Anna Letícia Ventre, Stefanie Kulpa

Resumo


Este artigo apresenta parte dos resultados da avaliação nacional do Projeto Caminhos do Cuidado, guiada por uma matriz avaliativa composta por quatro dimensões - Gerencial, Política, Itinerários Formativos e Cenários do Cuidado. Discutiremos especificamente a dimensão Itinerários Formativos, que agrupa as percepções das práticas de educação, aprendizagem e metodologias pedagógicas desta formação direcionada à Agentes Comunitários em Saúde e Técnicos de Enfermagem das Estratégias de Saúde da Família do Brasil. A metodologia inclui um questionário quantitativo que foi respondido por 1151 sujeitos, entrevistas e rodas de conversa. Aplicamos a análise de conteúdo em dados provenientes de 78 rodas de conversa, ocorridas nas 27 Unidades Federativas do Brasil, e 33 entrevistas com participantes do Projeto. Os resultados se dividem em três partes: 1) Arranjos, materiais e estratégias pedagógicas; 2) Seleção formativa de tutores; 3) Educação à distância na formação de tutores e orientadores. A avaliação demonstra que as singularidades e as diversidades do território nacional fizeram parte dos Itinerários Formativos. A estratégia de ancorar a maior parte do curso à experiência dos trabalhadores no território foi identificada como elemento privilegiado para uma aprendizagem significativa, nos moldes da educação popular em saúde e da educação permanente em saúde. A utilização a educação à distância foi negativamente avaliada pelos participantes, destacando-se como dificuldades a baixa motivação e as dificuldades de interação. O Caminhos do Cuidado mostrou que são possíveis processos educativos e avaliativos em larga escala e que contemplem a diversidade de saberes, recriando-se pela experiência de cada território e fortalecendo-se em redes.


Palavras-chave


Avaliação em Saúde; Educação Permanente em Saúde; Estratégia da Saúde da Família; Experiência; Saúde Mental;

Texto completo:

PORTUGUÊS

Referências


Brasil. Ministério da Saúde. Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde/FIOCRUZ. Relatório Final: AvaliaCaminhos. Rio do Janeiro: FIOCRUZ, 2017.

Observatório do Cuidado. Matriz Avaliativa. Disponível em: https://www.observatoriodocuidado.org/matriz-avaliativa. Acessado em 12/05/2019

Ceccim, RB. Educação Permanente em Saúde: desafio ambicioso e necessário. Interface - Comunic, Saúde. Set-fev.2005. 9(16): 161-77.

Freire, P; Nogueira, A. Que fazer: teoria e prática em educação popular. Vozes: Petrópolis, RJ, 1993.

Larrosa, J. Notas sobre a experiência e o saber de experiência. Revista Brasileira de Educação. Jan-Abr 2002. 19:20-28.

Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde. Caminhos do Cuidado Observatório: Relatório 2016. Rio do Janeiro: FIOCRUZ, 2016.

Gomes LB; Merhy EE. Compreendendo a educação popular em saúde: um estudo na literatura brasileira. Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, jan, 2011, 27(1):7-18.

Gusmao, RC; Papini, PA; Santos, F; Ventre, A; Pinto, EEP; Ruaro, GCG; Rodrigues, E; Machado, FV. Notas metodológicas de uma avaliação formativa, interventiva e participativa: a experiência do AvaliaCaminhos. Cadernos do Cuidado. 2017 1(1): 26-40.

Akerman, M. & Furtado, J. (Orgs). Práticas de avaliação em saúde no Brasil: diálogos. Porto Alegre: Editora Rede Unida, 2015.

Kantorski, L; Wetzel, C; Olschowsky, A; Jardim, V; Bielemann, V; Schneider, J. Avaliação de quarta geração - contribuições metodológicas para avaliação de serviços de saúde mental. Interface: Comunicação, Saúde e Educação. Out./dez. 2009. 13(31): 343-55.

Kastrup, V. Ensinar e aprender: falando de tubos, potes e redes. Arte na Escola. São Paulo. Dez. 2005. 40: 6-7.

Minayo, MCS. O desafio do conhecimento: pesquisa qualitativa em saúde. São Paulo: Hucitec, 2006.

Creswell, J. Research Design: Qualitative, Quantitative, and Mixed Methods Approaches. London: SAGE, 2003.

Delgado, PG. Reforma psiquiátrica: estratégias para resistir ao desmonte. Trab. educ. saúde. Jan 2019. 17(2):1-4.

Papini, PA; Santos, FF; Pinto, EEP; Ruaro, GCG; Machado, FV; Santos, LD; Ventre, AL; Gusmão, RC. Notas sobre as Reduções de Danos no Caminhos do Cuidado. Cadernos do Cuidado. 2017. 1(2):1-17.

Papini, P; Tittoni, J. Em busca do silêncio e da infâmia nas drogas: percursos de experiência, escrita e pesquisa. Athenea Digital. 2017. 17(1): 43-56.

Cruz, Jr; Lima, Dcp. Trajetória da educação a distância no Brasil: políticas, programas e ações nos últimos 40 anos. Jornal de Políticas Educacionais. Abril de 2019. 13(13): 1-19.

Gomes, LF. EAD no Brasil: Perspectivas e Desafios. Avaliação. mar. 2013. 18(1):13-22.

Batista, M; Pinheiro, C. Contribuições para desmistificação da educação a distância. Revista de Pesquisa Interdisciplinar, 2019, 4:1-11.

Silva, A; Santos, A; Cortez, E; Cordeiro, B. Limites e possibilidades do ensino à distância (EaD) na educação permanente em saúde: revisão integrativa. Ciênc. saúde coletiva. Abril 2015, 20(4):1099-1107.

Santos, FF; Ferla, A. Saúde Mental e Atenção Básica no cuidado aos usuários de álcool e outras drogas. Interface (Botucatu). 2017; 21(63):833-44.

Santos, BS. (org.). Democratizar a democracia - Os caminhos da democracia participativa. Porto: Afrontamento, 2003.




DOI: https://doi.org/10.18310/2446-4813.2020v6n1p111-127

DOI (PORTUGUÊS): https://doi.org/10.18310/2446-48132020v6n1.2489g491

Apontamentos

  • Não há apontamentos.


A revista Saúde em Redes foi classificada pelo Sistema Qualis-Periódico da CAPES no Quadriênio 2014/2016, período de sua criação, no estrato B1 na área de Ensino, no estrato B4 nas áreas de Enfermagem, Interdisciplinar, Psicologia, Saúde Coletiva e Serviço Social e no estrato B5 nas áreas de Geociências e Medicina II. Novidade 2019: a Saúde em Redes foi aprovada para indexação na Base LILACS.

Indexada no LatindexDiadorimDOAJ; COLECIONASUS