O sofrimento mental e o cuidado em saúde na Atenção Básica

Autores

  • Graciela Fonseca Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), campus Chapecó
  • Maricler Lourdes Bento Dellalibera Universidade Federal da Fronteira Sul, Campus Chapecó
  • Jane Kelly Oliveira Friestino Universidade Federal da Fronteira Sul, Campus Chapecó

DOI:

https://doi.org/10.18310/2446-4813.2021v7n3p269-283

Palavras-chave:

Acolhimento, Medicalização, Atenção Primária à Saúde, Estresse Psicológico, Saúde Mental.

Resumo

O trabalho objetiva analisar o cuidado destinado às pessoas que sofrem e procuram a Atenção Básica em um município do Oeste Catarinense. Trata-se de estudo exploratório descritivo, qualitativo, cujos dados foram coletados por meio de grupos focais realizados com a participação de 38 profissionais vinculados à Atenção Básica. Os dados foram analisados segundo a análise de conteúdo temática de Bardin. O Projeto foi apreciado e aprovado por um Comitê de Ética em Pesquisa. A partir dos discursos dos participantes do estudo, emergiram as seguintes categorias de análise: acolhimento e medicalização da pessoa que sofre. Os profissionais compreendem o sofrimento mental como resultado de rupturas nas diversas esferas da vida e frisam a importância de um olhar atento e sensível para identificar e abordar as pessoas que sofrem. Entretanto, práticas medicalizantes e desvinculadas do contexto social das pessoas que sofrem ainda são comuns, reproduzindo o modelo biomédico e hospitalizante, com outra roupagem. Torna-se necessário ampliar o debate e o desenvolvimento de estudos sobre essa temática no sentido de qualificar o trabalho em saúde e aumentar a resolubilidade no contexto do sofrimento psíquico. 

Biografia do Autor

Graciela Fonseca, Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), campus Chapecó

Docente Adjunta A do curso de Medicina

Maricler Lourdes Bento Dellalibera, Universidade Federal da Fronteira Sul, Campus Chapecó

Estudante de graduação em enfermagem

Jane Kelly Oliveira Friestino, Universidade Federal da Fronteira Sul, Campus Chapecó

Docente Adjunta A do curso de Medicina

Referências

Santin G, Klafke TE. A família e o cuidado em saúde mental. Barbaroi, 2017, (34): 146-160.

Lima FG, Siciliani CC, Drehmer LBR. O Perfil Atual da Saúde Mental na Atenção Primária Brasileira. Com. Ciências Saúde. Porto Alegre, 2012, 24(2): 143-48.

Brasil. Ministério da Saúde. Portaria GM/MS nº 3.088, de 23 de dezembro de 2011. Institui a Rede de Atenção Psicossocial para pessoas com sofrimento ou transtorno mental e com necessidades decorrentes do uso de crack, álcool e outras drogas, no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). Diário Oficial [da] União. Brasília, DF, 2011.

Brasil. Ministério da Saúde, Cadernos de Atenção Básica: Saúde Mental, Brasília - DF, 2013.

Jorge MSB, Pinto DM, Quinderé PHD, Pinto AGAl, Sousa FSP, Cavalcante CM. Promoção da Saúde Mental - Tecnologias do Cuidado: vínculo, acolhimento, co-responsabilização e autonomia. Ciênc. saúde coletiva. 2011 Julho; 16(7): 3051-3060.

Faria MC, Vargas CRM. Acolhimento: concepções e práticas dos profissionais que compõem as equipes interdisciplinares do Hospital Universitário de Brasília. Tempus, actas de saúde colet, Brasília, 11(3): 1363-78, 2017.

IBGE, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Cidades@ Chapecó. 2010. Disponível: http://cidades.ibge.gov.br/painel/painel.php?codmun=420420%3E. Acesso em: 16 maio 2016.

Bardin L. Análise de Conteúdo. Edições 70; 2011. 276 p.

Tesser CD, Poli Neto P, Campos GWS. Acolhimento e (des)medicalização social: um desafio para as equipes de saúde da família. Ciênc. saúde coletiva. 2010; 15(Suppl 3): 3615-3624.

Nunes M, Jucá VJ, Valentim CP. Ações de saúde mental no Programa Saúde da Família: confluências e dissonâncias das práticas com os princípios das reformas psiquiátrica e sanitária. Cadernos de Saúde Pública, Rio de Janeiro, 2007, 23(10): 2375-2384.

Jucá VJS, Nunes MO, Barreto O. Programa de Saúde da Família e saúde mental: impasses e desafios na construção da rede. Revista Ciência & saúde coletiva, Rio de Janeiro, 2009, 14(1): 173-182.

Cardoso L, et al; Curso de Especialização em Linhas de Cuidado em Enfermagem: atenção psicossocial, Florianópolis-SC: Universidade Federal de Santa Catarina/Programa de Pós-Graduação em Enfermagem, 2013.

Mororó MEML. Cartografias, desafios e potencialidades na construção de projeto terapêutico em Centro de Atenção Psicossocial. 2010. 110p. Dissertação (Mestrado) – Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2010.

Gryschek G, Pinto AAM. Saúde Mental: como as equipes de Saúde da Família podem integrar esse cuidado na Atenção Básica?. Ciência & Saúde Coletiva, 2015, 20(10), 3255-3262.

Tonin CF, Barbosa TM. A interface entre saúde mental e vulnerabilidade social. Tempus, actas de saúde colet, Brasília, 2017, 11(3): 50-68.

Passos E, Carvalho SV, Maggi PMA. Experiência de autonomia compartilhada na Saúde Mental: O “Manejo Cogestivo” na Gestão Autônoma da Medicação. Pesquisas e Práticas Psicossociais, São João del-Rei, 2012, 7(2):269-278.

Brasil. Portaria nº 2.436, de 21 de setembro de 2017. Aprova a Política Nacional de Atenção Básica, estabelecendo a revisão de diretrizes para a organização da Atenção Básica, no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). 2007.

Onocko-Campos RT, Furtado JP. Entre a saúde coletiva e a saúde mental: um instrumental metodológico para avaliação da rede de Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) do Sistema Único de Saúde. Cadernos de Saúde Pública, 2006, 22(5), 1053-1062.

Campos GWS, Domitti AC. Apoio matricial e equipe de referência: uma metodologia para gestão do trabalho interdisciplinar em saúde. Cadernos de Saúde Pública 2007; 23(2):399-407.

Azevedo DM, Guimarães FJ, Dantas JF, Rocha TM. Atenção Básica e Saúde Mental: um diálogo e articulação necessários, Rev. APS. 2014, 17(4): 537-43.

Cintra MS, Bernardo MH. Atuação do Psicólogo na Atenção Básica do SUS e a Psicologia Social. Psicologia: Ciência e Profissão Out/Dez. 2017, 37(4): 883-896.

Dimenstein M, Severo AK, Brito M, Pimenta AL, Medeiros V, Bezerra E. O apoio matricial em Unidades de Saúde da Família: experimentando inovações em saúde mental. Saúde e Sociedade, 2009, 18(1), 63-74.

Amarante, P. Saúde mental e atenção psicossocial. Rio de Janeiro: Fiocruz, 2007.

Ferrazza DA, Luzio CA, Rocha LC, Sanches RR. A banalização da prescrição de psicofármacos em um ambulatório de saúde mental. set-dez. 2010, 20 (47): 381-390.

Quinderé PHD, Jorge MSB, Franco TB. Physis Revista de Saúde Coletiva, Rio de Janeiro, 2014, 24 (1): 253-271.

Lima EMFA, Yasui S. Territórios e sentidos: espaço, cultura, subjetividade e cuidado na atenção psicossocial. Saúde em Debate, 2014, 38(102), 593-606.

Ferreira TPS, Sampaio, JS, Adelle CN, Oliveira DL, Gomes LB. Produção do cuidado em Saúde Mental: desafios para além dos muros institucionais. Interface - Comunicação, Saúde, Educação, 2017, 21(61), 373-384.

Downloads

Publicado

2021-12-21

Edição

Seção

Artigos Originais