PRÁTICAS ALIMENTARES DE CRIANÇAS MENORES DE 12 MESES DE IDADE USUÁRIAS DA ATENÇÃO BÁSICA DE SAÚDE

Isabella Rodrigues Braga, Luyane Lima Silva, Luana Silva Monteiro, Naiara Sperandio, Flávia Farias Lima, Silvia Pereira, Jane de Carlos Santana Capelli

Resumo


Objetivo: Analisar a prática do aleitamento materno e da alimentação complementar de lactentes usuários de uma unidade básica de saúde da família (UBSF) de Macaé. Métodos: Realizou-se um estudo seccional, de base primária em uma UBSF, no período de outubro de 2016 a fevereiro de 2017, com mães e responsáveis de lactentes. Os dados foram coletados por entrevistadores previamente capacitados. O consumo alimentar foi avaliado por meio dos marcadores de alimentação saudável proposto pelo Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional. O aleitamento materno foi classificado de acordo com os parâmetros propostos pela Organização Mundial da Saúde. Resultados: Foram analisados os dados de 50 crianças, correspondendo a 80,0% do total da faixa etária da UBSF. Encontraram-se 44,8% de crianças menores de 6 meses em aleitamento materno exclusivo e 38,1% de crianças maiores de 6 meses em aleitamento materno. As proporções dos itens alimentares mais consumidos no dia anterior por crianças menores de 6 meses foram: leite de peito (85,7%), água/chá (41,4%), comida de sal (20,7%). Na faixa de 6 a 12 meses: bebidas adoçadas (53,3%), vegetal ou fruta de cor alaranjada (53,3%), iogurte (46,7%), biscoito recheado, doces ou guloseimas (26,7%), macarrão instantâneo (20,0%). Encontraram-se associações estatisticamente significativas entre o consumo de fruta e a idade materna (p-valor=0,021). Quanto aos marcadores alimentares de risco, detectou-se a associação entre o consumo de macarrão instantâneo (p-valor=0,018) e o estado civil. Conclusões: A introdução da alimentação complementar foi precoce em crianças menores de seis meses; e inadequada, considerando os itens alimentares observados, em crianças maiores de seis meses.


Palavras-chave


Aleitamento Materno; Alimentação Complementar; Nutrição Infantil;

Texto completo:

PORTUGUÊS

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DOI: https://doi.org/10.18310/2446-4813.2021v7n3p%25p

DOI (PORTUGUÊS): https://doi.org/10.18310/2446-48132021v7n3.3388g776

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