Envelhecimento e vulnerabilidades: a odontogeriatria na graduação como estratégia de valorização da vida.

Renato José De Marchi, Raquel Kaufmann Carniel, Renata Riffel Bitencourt, Alexandre Fávero Bulgarelli, Júlio Baldisserotto, Aline Blaya Martins

Resumo


O envelhecimento populacional suscita desafios sociais que se tornam mais evidentes pela pandemia de COVID-19, e o Brasil tem observado a morte de seus idosos e de jovens que não terão a oportunidade de envelhecer. A gerontologia, nesse contexto, faz-se imperativa e sua inserção na formação de profissionais de saúde é uma demanda urgente que a Faculdade de Odontologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul atende por meio de estágios curriculares voltados à pessoa idosa, construindo e consolidando conhecimentos relacionados ao envelhecimento na formação de estudantes de graduação em odontologia. As atividades ocorrem no curso diurno em unidades de saúde e em instituições de longa permanência para idosos, e no curso noturno através de visitas domiciliares a idosos vinculados a unidades de saúde. A problematização que esses estágios geram parece ter um impacto positivo no processo de formação pois proporciona aos estudantes a possibilidade de desenvolverem outras formas de cuidado, que vão além da clínica biomédica tradicional e que os capacita como atores sociais. Essas diferentes práticas de ensino fortalecem a valorização da vida e do envelhecer, a autonomia e a participação do idoso como agente de formação e transformação social, e o protagonismo do próprio estudante.


Palavras-chave


Educação em Saúde; Saúde do Idoso; Assistência Odontológica para Idosos

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DOI: https://doi.org/10.18310/2446-4813.2021v7n2p%25p

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