A gestão em saúde na graduação médica: abordagens e concepções nas diretrizes curriculares (2001 – 2014)

Autores

  • Carolina Barreto Pereira Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), Santo Antônio de Jesus, Bahia https://orcid.org/0000-0001-6966-8824
  • Ana Maria Freire de Souza Lima Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) https://orcid.org/0000-0002-9285-194X
  • Hêider Aurélio Pinto Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), Santo Antônio de Jesus, Bahia; Universidade Federal da Bahia (UFBA), Salvador, Bahia

DOI:

https://doi.org/10.18310/2446-4813.2022v8n2p97-114

Palavras-chave:

Gestão em Saúde, Ensino, Educação Médica, Sistema Único de Saúde

Resumo

Objetivos: compreender como a literatura tem abordado a gestão em saúde na graduação em medicina e como esse tema aparece nas Diretrizes Curriculares Nacionais de 2001 e de 2014. Métodos: revisão da literatura nas bases SciELO, LILACS e MEDLINE e análise comparativa das Diretrizes Curriculares Nacionais do curso de medicina (2001 e 2014). Resultados: Os estudos abordam as transformações na educação médica brasileira a partir da influência de reformas internacionais bem como pelo surgimento do Sistema Único de Saúde (SUS). A concepção de gestão em saúde nas Diretrizes de 2001 estava mais próxima às teorias tradicionais da administração, enquanto que em 2014 além de ser inserida como uma das três áreas de formação, ela passa a ser um eixo de competências articuladas, com maior ênfase na microgestão, na gestão do processo de trabalho do próprio profissional e da equipe e a organização dos serviços. Conclusões: Houve melhorias na regulamentação do ensino da medicina, valorizando a formação em serviços do SUS, com fortalecimento da atenção primária, da medicina de família e comunidade e da saúde coletiva, e mudanças na concepção de gestão em saúde convergentes com os princípios e as políticas públicas de saúde vigentes e indução da integração ensino-serviço. Apesar dos avanços no marco regulatório, a adequação desses currículos na prática ainda é um processo em construção. É preciso acompanhar o cumprimento das diretrizes, avançar na qualidade da educação médica e investir nas condições para realização contínua da integração ensino-serviço com vistas ao atendimento das necessidades de saúde da população.

Biografia do Autor

Carolina Barreto Pereira, Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), Santo Antônio de Jesus, Bahia

Bacharela Interdisciplinar em Saúde, graduanda em Medicina e Especialista em Gestão em Saúde pela Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), Santo Antônio de Jesus, Bahia.

Ana Maria Freire de Souza Lima, Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB)

Doutoranda em Saúde Coletiva pela Universidade Federal da Bahia (UFBA) e Professora da área de Saúde Coletiva da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), Santo Antônio de Jesus, Bahia.

Hêider Aurélio Pinto, Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), Santo Antônio de Jesus, Bahia; Universidade Federal da Bahia (UFBA), Salvador, Bahia

Doutor Políticas Públicas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Professor da área de Práticas de Cuidado da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), Santo Antônio de Jesus, Bahia, e do Departamento de Medicina Preventiva e Social da Universidade Federal da Bahia (UFBA), Salvador, Bahia.

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Publicado

2022-09-11

Edição

Seção

Artigos Originais