O FACEBOOK COMO CONFESSIONÁRIO: DISCURSOS SOBRE SI E O INVESTIMENTO DOS PODERES

Renato Levin Borges, Ricardo Burg Ceccim

Resumo


Analisa-se o Facebook como modulação do dispositivo confessional cristão, em que um sujeito é instado, incessantemente, a produzir discursos sobre si, produzindo e sendo produzido por tramas de poder em um jogo de autorregulação. Para tal objetivo vale-se da análise de discurso foucaultiana,
literatura sobre o manejo das informações por empresas e governos, assim como a legislação estado-unidense sobre usos de informações na internet e o caso wikileaks com as denúncias do exfuncionário da Agência de Inteligência Americana Edward Snowden. Discute-se os processos colocados em circulação para a produção de discursos sobre si tanto no confessionário quanto no site de relacionamentos, e como isso pode se relacionar com um trabalho da subjetividade sobre si mesma, produtora de saberes geradores de novos mecanismos de investimentos. Toma-se por conclusão a hipótese que o dispositivo de produção de discursos seja da ordem do funcionamento dos poderes e seus subsequentes investimentos, tanto na ordem governamental, quanto de ordem capitalística.


Palavras-chave


Subjetividade; Confessionário; Investimento dos Poderes; Facebook; Foucault.

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DOI: https://doi.org/10.18310/2446-4813.2015v1n2p57-67

DOI (PDF): https://doi.org/10.18310/2446-48132015v1n2.592g41

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