DIMENSIONAMENTO DA FORÇA DE TRABALHO NO SUS: O TRABALHO (E TRABALHADOR) VIVO NO PLANEJAMENTO DO CUIDADO EM SAÚDE.

Lívia Bandeira Ramos, Lisiane Boer Possa

Resumo


O dimensionamento tem sido evidenciado na literatura como importante dispositivo para o planejamento e desenvolvimento da força de trabalho no Sistema Único de Saúde. Enquanto vinculado a modelos de atenção, expressa características sobre incorporação tecnológica, processos decisórios, relação entre profissionais e a própria compreensão do ato de cuidar, conferindo diferentes possibilidades de sentidos para o processo de dimensionamento e sua operacionalização. Assim, este estudo visa, a partir da análise de nove experiências, a caracterização dos processos de dimensionamento desenvolvidos no cotidiano de gestão do trabalho no SUS e análise compreensiva de acordo com o debate dos modelos tecnoassistenciais em saúde. Os resultados indicam a incorporação do dimensionamento como uma agenda das instituições de gestão descentralizadas do SUS, afirmando o planejamento a partir das realidades locais de cada território. As ações de dimensionamento em 77,8% dos casos envolveram todas as categorias profissionais dos serviços, sendo os tipos de serviços dimensionados de acordo com a lógica de redes e linhas de cuidado. A importância do dimensionamento enquanto um processo contínuo e integrado ao processo de trabalho é evidenciada. O planejamento da força de trabalho é indicado como ato político atravessado por disputas de projetos assistenciais, se configurando a partir de processos mais centrados nas relações ou mais presos à logica dos instrumentos duros, com desdobramentos na forma de organização do cuidado. Afirma-se a proposta do dimensionamento articulado a espaços de decisão mais públicos, implicados com a construção coletiva do trabalho e com a dimensão cuidadora na produção de saúde. 


Palavras-chave


Gestão em Saúde; Planejamento em Saúde; Recursos Humanos em Saúde; Serviços de Saúde; Sistema Único de Saúde

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DOI: https://doi.org/10.18310/2446-4813.2016v2n1p43-52

DOI (PDF): https://doi.org/10.18310/2446-48132016v2n1.653g78

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