MOVIMENTO SOCIAL DE BAIRRO: POTENCIALIDADES E LIMITES DOS CONSELHOS LOCAIS DE SAÚDE DE UM MUNICÍPIO DA BAHIA

Paulo Roberto Lima Falcão do Vale, Aline Macedo Carvalho Freitas, Givanildo da Silva Nery, Silas Santos Carvalho, Letícia Falcão Carvalho, Maricelia Maia de Lima

Resumo


Objetivo: Compreender as potencialidades e limites experienciados por conselheiros locais de saúde do município de Feira de Santana, Bahia, Brasil. Metodologia: Estudo qualitativo, exploratório, com técnica de observação sistemática e entrevista semiestruturada realizados com 14 conselheiros. Os dados foram submetidos à análise de conteúdo temática. Resultados: Dos participantes da pesquisa, nove eram homens e cinco mulheres. A ocupação trabalhista predominante foi a de agentes comunitários de saúde. A autonomia e a boa relação interpessoal entre os conselheiros, bem como o sentimento em representar um coletivo de pessoas foram as principais potencialidades identificadas. Os limites experienciados residem na pouca assiduidade dos conselheiros nas reuniões, pouco apoio da comunidade onde o conselho está implantado, ações de cooptação política que tentam inviabilizar as atividades deliberativas do conselho, autoritarismo e pouca transparência da gestão municipal, além da precária estrutura física que dificulta o desenvolvimento das atividades do conselho. Considerações finais: O desenvolvimento de atividades de educação permanente pode ser considerado como uma estratégia para superação dos limites evidenciados nesse estudo. Tais ações podem produzir afetividade nas pessoas em prol da maior participação no CLS, como induzir os gestores a refletirem sobre a responsabilidade com a transparência dos atos administrativos e da construção de políticas participativas. Cabe ainda explorar outros mecanismos de participação social que podem ser agenciados, principalmente aqueles que assumem posicionamento desistitucionalizados e mantêm posição externa ao Estado, como os Fóruns Populares de Saúde.


Palavras-chave


Conselhos de saúde; Participação comunitária; Serviços de saúde; Autoritarismo; Pesquisa participativa baseada na comunidade.

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DOI: https://doi.org/10.18310/2446-4813.2017v3n3p230-241

DOI (PDF): https://doi.org/10.18310/2446-48132017v3n3.830g162

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