Relação entre diabetes mellitus e infarto agudo do miocárdio: fatores de risco, internações hospitalares e óbitos

Autores

DOI:

https://doi.org/10.18310/2446-4813.2025v11nsup5.4631

Palavras-chave:

Diabetes mellitus, Infarto agudo do miocárdio, Mortalidade

Resumo

Objetivo: Analisar a relação entre diabetes mellitus e infarto agudo do miocárdio, a partir dos fatores de risco, da internação hospitalar e dos óbitos. Método: Pesquisa desenvolvida a partir de uma revisão sistemática do tipo integrativa e de um estudo ecológico e retrospectivo, com levantamento de dados no Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (DATASUS). A revisão integrativa incluiu estudos completos em português, publicados entre 2014 e 2023, e excluiu pesquisas com animais e com revisões de literatura. Resultados: o estudo evidenciou que pacientes diabéticos têm maior probabilidade de lesão no músculo cardíaco, especialmente quando associados a fatores como hipertensão, colesterol elevado e sedentarismo. Verificou-se que a dor no peito é o principal sintoma da doença arterial coronariana nesses pacientes, com maior frequência de infarto e de complicações pós-infarto. Dados do DATASUS indicaram altos números de internações por infarto agudo do miocárdio e por diabetes mellitus no Brasil, com prevalência crescente em 2022. Observou-se também aumento progressivo de óbitos, com pico em 2021. Conclusão: há correlação entre diabetes mellitus e complicações cardiovasculares, como reestenose do miocárdio, insuficiência cardíaca e doença arterial coronariana. Os achados reforçam a necessidade de cuidados integrados que envolvam controle glicêmico rigoroso, prevenção e tratamento de complicações cardiovasculares, de modo destacar a importância da educação e do acompanhamento contínuos para melhorar o prognóstico desses pacientes.

Biografia do Autor

  • Adriano Freitas de Santana, Universidade Federal de Campina Grande

    Acadêmico de Enfermagem na Universidade Federal de Campina Grande

  • Michael Vinicios do Nascimento Silva Cruz, Universidade Federal de Campina Grande

    Acadêmico de Medicina na Universidade Federal de Campina Grande

  • Rafaelle Cavalcante de Lira, Universidade Federal de Campina Grande

    Doutora em Fisiopatologia experimental. Professora titular da Unidade Acadêmica de Ciências da Vida, na Universidade Federal de Campina Grande.

  • Michel Jorge Dias, Centro Universitário Santa Maria

    Mestre em Saúde Coletiva. Professor do Centro Universitário Santa Maria.

  • Milena Nunes Alves de Sousa, Centro Universitário de Patos

    Doutora em Promoção da Saúde. Professora do Centro Universitário de Patos.

  • Elisangela Vilar de Assis, Universidade Federal de Campina Grande

    Doutora em Ciências. Professora adjunta da Unidade Acadêmica de Ciências da Vida - UFCG

Referências

1. Gomes CS, Gonçalves RPF, da Silva AG, de Sá ACMGN, Alves FTA, Ribeiro ALP, et al. Factors associated with cardiovascular disease in the Brazilian adult population: National Health Survey, 2019. Rev Bras Epidemiol [Internet]. 2021;24:e210013. doi:10.1590/1980-549720210013.supl.2.

2. Oliveira G, Schimith MD, da Silva LMC, Cezar-Vaz MR, Cabral FB, Silveira V do N, et al. Fatores de risco cardiovascular, saberes e práticas de cuidado de mulheres: possibilidade para rever hábitos. Esc Anna Nery [Internet]. 2022;26:e20210281. doi:10.1590/2177-9465-EAN-2021-0281.

3. Neves RG, Tomasi E, Duro SMS, Saes-Silva E, de Saes M O. Complicações por diabetes mellitus no Brasil: estudo de base nacional, 2019. Cienc Saude Colet [Internet]. 2023;28(11):3183–90. doi:10.1590/1413-812320232811.11882022.

4. Zheng Y, Ley SH, Hu FB. Global aetiology and epidemiology of type 2 diabetes mellitus and its complications. Nature Rev Endocrinol 2018;14(2):88-98. doi:10.1038/nrendo.2017.151.

5. Pesaro AEP, Serrano Jr. CV, Nicolau JC. Infarto agudo do miocárdio: síndrome coronariana aguda com supradesnível do segmento ST. Rev Assoc Med Bras [Internet]. 2004;50(2):214–20. doi:10.1590/S0104-42302004000200041.

6. Moreira VC, Ticli FK. Biomarcadores do Infarto Agudo do Miocárdio: biomarcadores atuais e perspectivas de novos marcadores. 2022;s.v(14):21-30. Disponível em: https://portal.unisepe.com.br/unifia/wp-content/uploads/sites/10001/2022/02/BIOMARCADORES-DO-INFARTO-AGUDO-DO-MIOC%C3%81RDIO-P%C3%A1g-21-%C3%A0-30.pdf

7. Centemero MP, Cherobin JC, Conti KVFD, Ohe LN, Mallmann N, Abizaid A, et al. Doença arterial coronária e diabetes: do tratamento farmacológico aos procedimentos de revascularização. Rev Bras Cardiol Invas. 2009;17(3):398–413. doi:10.1590/S2179-83972009000300018.

8. Lerario AC, Coretti FMLM, de Oliveira SF, Betti RTB, Bastos M do SCB, Ferri L de AF, et al. Avaliação da prevalência do diabetes e da hiperglicemia de estresse no infarto agudo do miocárdio. Arq Bras Endocrinol Metabol [Internet]. 2008 [citado 28 set. 2022];52:465–72. doi:10.1590/S0004-27302008000300006.

9. Powers MA, Bardsley J, Cypress M, Duker P, Funnell MM, Hess Fischl A, et al. Diabetes self-management education and support in type 2 diabetes: a joint position statement of the American Diabetes Association, the American Association of Diabetes Educators, and the Academy of Nutrition and Dietetics. J Acad Nutrit Dietet. 2015;115(8):1323–34. doi:10.1016/j.jand.2015.05.012.

10. Diaz N, Basso P, Haluch RF, Ravazzani AC, Kusma SZ. O impacto do diabetes mellitus tipo 2 na qualidade de vida. Rev Med UFPR. 2016;3(1):5-12. doi:10.5380/rmu.v3i1.46380.

11. Marcelino DB, Carvalho MD de B. Reflexões sobre o diabetes tipo 1 e sua relação com o emocional. Psicol Reflex Crit [Internet]. 2005;18(1):72–7. doi:10.1590/S0102-79722005000100010.

12. Ministério da Saúde (BR). Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Estratégias para o Cuidado da Pessoa com Doença Crônica - Diabetes Mellitus. [Internet]. Brasília/DF: Ministério da Saúde; 2013. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/estrategias_cuidado_pessoa_diabetes_mellitus_cab36.pdf

13. Muzy J, Campos MR, Emmerick I, da Silva RS, Schramm JM de A. Prevalência de diabetes mellitus e suas complicações e caracterização das lacunas na atenção à saúde a partir da triangulação de pesquisas. Cad Saude Publica [Internet]. 2021;37(5):e00076120. doi:10.1590/0102-311X00076120.

14. dos Santos J, Meira KC, Camacho AR, Salvador PTC de O, Guimarães RM, Pierin ÂMG, et al. Mortalidade por infarto agudo do miocárdio no Brasil e suas regiões geográficas: análise do efeito da idade-período-coorte. Cienc Saude Colet [Internet]. 2018;23(5):1621–34 doi10.1590/1413-81232018235.16092016.

15. Azambuja MIR, Foppa M, Maranhão MF de C, Achutti AC. Impacto econômico dos casos de doença cardiovascular grave no Brasil: uma estimativa baseada em dados secundários. Arq Bras Cardiol. 2008;91(3):163–71. doi:10.1590/S0066-782X2008001500005.

16. de Sousa MNA, Bezerra ALD, do Egypto IAS. Trilhando o caminho do conhecimento: o método de revisão integrativa para análise e síntese da literatura científica. Observ Econ Latino-Am [Internet]. 2023;21(10):18448-83. doi:10.55905/oelv21n10-212.

17. de Souza MT, da Silva MD, de Carvalho R. Integrative Review: what is it? how to do it? Einstein (São Paulo) [Internet]. 2010;8(1):102–6. doi:10.1590/s1679-45082010rw1134.

18. Santos CM da C, Pimenta CA de M, Nobre MRC. The PICO strategy for the research question construction and evidence search. Rev Latino-Am Enferm [Internet]. 2007;15(3):508–11. doi:10.1590/S0104-11692007000300023.

19. Lima-Costa MF, Barreto SM. Tipos de estudos epidemiológicos: conceitos básicos e aplicações na área do envelhecimento. Epidemiol Serv Saude. 2003;12(4):189-201. doi:10.5123/s1679-49742003000400003.

20. Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde – Ministério da Saúde [Internet]. s.d. Disponível em: https://datasus.saude.gov.br/

21. Lírio da Cruz A, Carvalho de Freitas Á, Sada Watanabe BN, Bigarella Nascimento H, Porath H, Fruet Bettini LA, et al. Factors associated with abnormalities on myocardial perfusion scintigraphy in diabetic patients. ABC Imag Cardiov. 2022;35(1):eabc274. doi:10.47593/2675-312X/20223501eabc274.

22. Maldonado CM, Silva ACR, Pereira KA, Silva EMA, de Oliveira JRC, de Faria RS, et al. Associação entre fatores de risco cardiovasculares e a presença de doença arterial coronariana. Arch Med (Manizales) [Internet]. 2019;19(2):247-57. doi:10.30554/archmed.19.2.3105.2019.

23. Catalina CO, Adina B, Smarandita BED, Angela D, Dan G, Silvia M. Cardiovascular Lipid Risk Factors and Rate of Cardiovascular Events After Myocardial Revascularization. Int J Cardiov Scien. 2017;30(1):4-10. doi:10.5935/2359-4802.20170015.

24. Carvalho FPB, Simpson CA, Queiroz TA, Bernardino de Freitas G, Oliveira LC, Queiroz JC. Prevalência de doença arterial coronariana em pacientes diabéticos. Rev Enferm UFPE Online. 2016;10(2):750-5. doi:10.5205/reuol.6884-59404-2-SM-1.1002sup201608.

25. Curado FAMC, Carvalho G, Tereza A, Wellington Borges Custódio, Albino W, José M. Intervenção coronária percutânea primária ou de resgate em tabagistas. Rev Bras Cardiol Inv. 2016;24(4):19-24. doi:10.1016/j.rbci.2017.08.003.

26. Coelho AC, Lopes J de L, Santos VB, Barros ALBL de. Risk factors of coronary artery disease in family members living with acute coronary patients. REME: Rev Mineira Enferm. 2016;20:e963. doi:10.5935/1415-2762.20160033.

27. Sá MPB de O, Soares EF, Santos CA, Figueiredo OJ, Lima ROA, Escobar RR, et al. Mortalidade perioperatória em diabéticos submetidos à cirurgia de revascularização miocárdica. Rev Col Bras Cir [Internet]. 2012;39(1):22–7. doi:10.1590/S0100-69912012000100006.

28. Gondim L de GP, de Oliveira WA, Grossi SAA. A diferenciação da dor do infarto agudo do miocárdio entre pacientes diabéticos e não-diabéticos. Rev Latino-Am Enferm [Internet]. 2003;11(6):720–6. doi:10.1590/S0104-11692003000600004.

29. Barberato SH, Borsoi R, Roston F, Miranda HLM, Patriota P, Otto MEB, et al. Achados ao ecocardiograma transtorácico em pacientes hospitalizados com covid- 19: resultados do Registro Brasileiro de Ecocardiografia durante a pandemia de covid-19 (ECOVID). ABC Imag Cardiov. 2021;34(4):eabc256. doi:10.47593/2675-312X/20213404eabc256.

30. Flor LS, Campos MR. Prevalência de diabetes mellitus e fatores associados na população adulta brasileira: evidências de um inquérito de base populacional. Rev Bras Epidemiol [Internet]. 2017;20(1):16–29. doi:10.1590/1980-5497201700010002.

31. Adair T, Rao C. Changes in certificates of diabetes with cardiovascular diseases increased reported diabetes mortality in Australia and the United States. J Clin Epidemiol. 2010;63(2):199-204. doi:10.1016/j.jclinepi.2009.04.002.

32. Lessa I. Relative mortality trends for diabetes mellitus in the Brazilian state capitals (1950-1985). Bol Oficina Sanit Panam.1992;113(3):212-7. Disponível em: https://iris.paho.org/handle/10665.2/16443

33. Nascimento LL, Oliveira TF, Ferreira CCGL, Lisboa NS, Pereira MWM, Queiroz SS. Perfil de pacientes com infarto agudo do miocárdio em um pronto socorro do distrito federal. Nursing (São Paulo). 2022;25(287):7516–27. doi:10.36489/nursing.2022v25i287p7516-7527.

Downloads

Publicado

2025-11-11

Como Citar

Santana, A. F. de, Cruz, M. V. do N. S., de Lira, R. C., Dias, M. J. ., de Sousa, M. N. A., & de Assis, E. V. (2025). Relação entre diabetes mellitus e infarto agudo do miocárdio: fatores de risco, internações hospitalares e óbitos. Saúde Em Redes, 11(sup5), 4631. https://doi.org/10.18310/2446-4813.2025v11nsup5.4631