INVESTIGAÇÃO DO QUADRO MOTOR E COGNITIVO EM IDOSOS COM DOENÇA DE PARKINSON: ANÁLISE PARA ENTENDER O QUADRO CLÍNICO E APRIMORAR O ATENDIMENTO

Patricia David Charro, Mariana Cunha Ganci, Amanda Medeiros Gomes, Jaqueline Simionatto, Gustavo Christofoletti, Renata Terra de Oliveira

Resumo


INTRODUÇÃO: A Doença de Parkinson (DP) é consequência da degeneração de neurônios dopaminérgicos da substância negra, comprometendo a atividade das áreas motoras do córtex cerebral. Alterações nos sinais cognitivos têm se tornado comum, principalmente em funções executivas responsáveis pelo planejamento e organização de comportamentos complexos. A DP é considerada um problema de saúde pública por apresentar uma prevalência crescente de 1% aos 60 anos chegando a 4% em idosos com mais de 80 anos. Os sintomas e sinais associados com o parkinsonismo são a bradicinesia, hipertonia plástica, rigidez e tremor em repouso, o comprometimento do equilíbrio corporal, por alterações no sistema vestibular, visual e proprioceptivo. Outras alterações importantes que acometem esses pacientes estão relacionadas ao lobo frontal, área onde há a iniciação dos movimentos e estão as funções cognitivas responsáveis pela percepção, a atenção, memória, linguagem e funções executivas. OBJETIVO: Analisar o efeito das funções cognitivas no quadro motor de pacientes com DP que já tem um comprometimento grave, em consequência da própria doença. METODOLOGIA: Foram recrutados 24 pacientes com DP para análise cognitiva do projeto de reabilitação cognitivo-motora Funcionalidade motora, funções cognitivas pré-frontais e atividades da vida diária de pacientes com doenças neuro-degenerativas" do curso de Fisioterapia da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul na cidade de Campo Grande/MS. Foi aplicado o teste Mini-Exame do Estado Mental (MEEM) e um questionário sociodemográfico para caracterizar a amostra contendo as seguintes informações: idade, gênero, há quanto tempo foi diagnosticado com DP, se faz uso de medicamento e qual, se pratica atividade física e fisioterapia e nível de escolaridade. O teste foi aplicado pelo mesmo avaliador entre os meses de março à maio e todos num mesmo período e mesma ordem de aplicação. Para análise estatística foram utilizados o teste de correlação linear de Pearson, o teste t-student, realizada através do programa SigmaPlot, versão 12.5, considerando um nível de significância de 5%. ". RESULTADO: Neste estudo a idade dos pacientes variou entre 46 e 93 anos, sendo a idade média de 72,75±2,45 anos (média±erro padrão da média), com tempo de diagnóstico da doença variando entre 6 e 180 meses, sendo o tempo médio de diagnóstico de 65,75±9,63 meses. Em relação ao escore no MEEM destes pacientes, ele variou entre 10 e 29 pontos, sendo o escore médio de 21,29±1,02 pontos. Encontramos correlação linear negativa significativa e moderada entre no escore no MEEM. CONCLUSÃO: A presença de alterações em funções executivas na DP esta diretamente relacionada a um maior declínio no quadro motor. Sobre a associação de declínio cognitivo e a perda da independência do sujeito na realização das atividades do dia a dia. Observa-se que há um declínio constante na realização das atividades básicas e instrumentais da vida diária dos idosos associado à diminuição de escore cognitivo deles. A grande questão que envolve área científica nas doenças neurodegenerativas é se foi o declínio funcional que potencializou o declínio das funções cognitivas ou se foi o déficit cognitivo que acelerou o declínio da funcionalidade em idosos.

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A revista Cadernos de Educação, Saúde e Fisioterapia foi avaliada como B2 na área de Ensino, B3 na área de Serviço Social, B4 nas áreas de Saúde Coletiva, Interdisciplinar, Enfermagem e Educação Física e B5 na área de Medicina II e Arquitetura, Urbanismo e Design no QUALIS/CAPES - Quadriênio 2013-2016.