O NASF DO MUNICIPIO DE BOMBINHAS (SC) NA ÓTICA DOS PROFISSIONAIS DA ATENÇÃO BÁSICA

Simone Beatriz Pedrozo Viana, Luiza Maria da Silva, Manuela Arceno

Resumo


INTRODUÇÃO: O Núcleo de Apoio à Saúde da Família (NASF) foi criado pelo Ministério da Saúde com o objetivo de ampliar o escopo das ações da Atenção Básica, assim como a capacidade resolutiva clínica das equipes. Composto por uma equipe de profissionais de diferentes áreas do conhecimento deve atuar de maneira integrada, apoiando os profissionais das Equipes Saúde da Família, compartilhando saberes e práticas em saúde em territórios pré-definidos. OBJETIVO: Esta pesquisa objetivou analisar a percepção dos profissionais da Atenção Básica e da gestão?no?município?de Bombinhas -?Santa Catarina, a respeito do NASF. METODOLOGIA: Trata-se de pesquisa exploratória, cujos dados foram coletados a partir de entrevistas com grupos focais, realizadas com equipes que compõem a rede pública de Bombinhas. Foram formados três grupos: Grupo Estratégia Saúde da Família, Grupo NASF e Grupo Gestão. Para a análise das respostas subjetivas foi utilizada o método de análise do conteúdo, resultando em categorias e subcategorias, compatível com a técnica da pesquisa qualitativa. RESULTADO: Os resultados apontam para uma percepção equivocada da Política Nacional da Atenção Básica, tendo como explicação a falta de conhecimento das diretrizes e ferramentas do NASF de todos os profissionais que compõem a Atenção Básica. Na visão dos participantes da pesquisa as ações de cuidado da atenção básica estão voltadas predominantemente para grupos de risco, visando atender a demanda; fica clara a dificuldade de relação teoria e prática tanto no que se refere aos profissionais quanto da gestão do desenvolvimento de ações em saúde. Para a Equipe Saúde da Família, os profissionais do NASF são especialistas e sua presença na atenção básica cumpre o papel de triagem para atendimento clínico. Os profissionais do NASF se sentem intrusos no contexto das unidades básicas de saúde e acreditam que a gestão poderiam desenvolver ações de integração entre as equipes. A comunicação, ou a falta dela foi citada como fator de desagregação entre equipes, comprometendo o relacionamento, a efetividade e resolutividade da atenção básica; As ações desenvolvidas pela equipe NASF não apresentam continuidade levando a expectativas frustradas e fragmentação do trabalho das equipes. Na fala dos participantes o interesse que moveu a habilitação do NASF no município foi meramente financeiro. CONCLUSÃO: Apesar das dificuldades encontradas na operacionalização do NASF e no uso de suas ferramentas no município estudado, observou-se intenção das equipes e gestão em corrigir rumos. Acredita-se que o trabalho de consultoria, capacitação dos profissionais, convênio com programas de residência multiprofissional e até mesmo a renovação da equipe possa colaborar na melhora do processo de trabalho. Estas possibilidades, no entanto, devem ser pensadas e discutidas coletivamente com as equipes envolvidas, a fim de que não se corra mais o risco frustação na implantação de novas estratégias.

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A revista Cadernos de Educação, Saúde e Fisioterapia foi avaliada como B2 na área de Ensino, B3 na área de Serviço Social, B4 nas áreas de Saúde Coletiva, Interdisciplinar, Enfermagem e Educação Física e B5 na área de Medicina II e Arquitetura, Urbanismo e Design no QUALIS/CAPES - Quadriênio 2013-2016.