ALEITAMENTO EM CRIANÇAS COM NECESSIDADES ESPECIAIS: VÍNCULO MATERNO

Amanda Cristiane Pereira da Silva, Alana Oliveira Soares, Heloise Maria de Freitas Barros, Hozana Nascimento Montenegro, José Cidelino Neto, Larissa Kelly Rodrigues Conserva, Renan Andrade de Oliveira, Vinicius Tòlio de Pontes Alcântara

Resumo


INTRODUÇÃO: O leite materno é um alimento vivo, completo e natural, adequado para quase todos os recém-nascidos. Amamentar é muito mais do que nutrir a criança. É um processo que envolve interação profunda entre mãe e filho, com repercussões no estado cognitivo e emocional, além de ter implicações na saúde física e psíquica da m‹e. Para que ocorra a amamentação, n‹o basta o funcionamento adequado de glândulas mamárias íntegras, mas de um conjunto de fatores que vão desde o desejo de amamentar, o preparo para a amamentação, bom estado emocional e psicológico. Dessa forma, crianças que sofreram asfixia perinatal grave, ou sofrem com síndromes genéticas, com diversos tipos de infecções congênitas e com más formações do sistema nervoso central podem ter problemas para amamentar. Frequentemente elas têm incoordenação motora-oral, dificuldades na deglutição e na sucção, na coordenação de ambas com a respiração, refluxo gastresofágico, além de eventualmente n‹o aceitarem a alimentação, com risco de se desnutrirem. OBJETIVO: Compreender aspectos do aleitamento materno em crianças com necessidades especiais. METODOLOGIA: O presente estudo trata-se de uma pesquisa de campo do tipo exploratório descritiva, com abordagem qualitativa, fruto do projeto integrador do 6º período do curso de Fisioterapia do UNIPÊ. A pesquisa realizou-se na Clínica Escola de Fisioterapia - UNIPÊ, em João Pessoa/PB, sendo entrevistadas 05 mães de crianças com necessidades especiais, que têm suas crianças assistidas na unidade curricular Saúde da Criança e do Adolescente. Como instrumento de coleta de dados foi elaborado um roteiro semiestruturado e a coleta dos dados deu-se pela técnica de entrevista, gravada após autorização e, posteriormente, transcrita na íntegra para que fossem realizadas as devidas analisada. O roteiro contou com questões norteadoras que atingem a temática deste estudo. A análise do material adotou três etapas propostas por Minayo: ordenação dos dados, classificação dos dados e análise final. RESULTADO: Na pesquisa foram entrevistadas 5 mães que foram identificadas na pesquisa com nome de flores para garantir o sigilo. Em relação à idade das crianças, houve uma variação de 2 a 9 anos, com um perfil patológico composto por Síndrome de Dandy Walker, Paralisia Cerebral, Síndrome de Down e Microcefalia. Nos relatos das mães a tentativa de amamentação foi bem sucedida em apenas um caso. Nos demais, o insucesso se deu ou por problemas relacionados à criança ou à mãe. As principais dificuldades relatadas foram a ausência de produção do leite, as dificuldades relacionadas à sucção do bebê ou recorrência de broncoaspirações. Em todos os relatos percebeu-se um profundo pesar sobre a não concretização da amamentação, uma vez que elas acreditam que isso pode ter comprometido o vínculo mãe/bebê. CONCLUSÃO: As dificuldades no aleitamento materno podem comprometer o vínculo mãe/filho e os relatos revelam que as mães têm ciência de que isso pode ter acontecido. Ao mesmo tempo, essas dificuldades poderiam ter sido minimizadas, caso essa m‹e tivessem sido orientadas oportunamente, de forma que os resultados desse estudo podem servir para repensar as orientações oferecidas ao longo do pré-natal e no pós-parto de mães de crianças com comprometimento neurológico.

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A revista Cadernos de Educação, Saúde e Fisioterapia foi avaliada como B2 na área de Ensino, B3 na área de Serviço Social, B4 nas áreas de Saúde Coletiva, Interdisciplinar, Enfermagem e Educação Física e B5 na área de Medicina II e Arquitetura, Urbanismo e Design no QUALIS/CAPES - Quadriênio 2013-2016.