PERCEPÇÃO DE FISIOTERAPEUTAS SOBRE A FORMAÇÃO PROFISSIONAL PARA O TRABALHO EM EQUIPE E A PRÁTICA COLABORATIVA

Dulcimar Batista Alves, Rosana Aparecida Salvador Rossit

Resumo


INTRODUÇÃO: As Diretrizes Curriculares Nacionais do curso de Fisioterapia estabelecem o desenvolvimento de competências e habilidades gerais e específicas durante a graduação e preveem uma formação que contemple as necessidades sociais da saúde, com ênfase no SUS, estimulando o pensamento crítico e reflexivo dos problemas da população assistida, propiciando valorização do conhecimento produzido nas unidades de saúde e articulando-o com o produzido na universidade. Em 2010 a Organização Mundial da Saúde reconheceu que o trabalho em equipe e a prática colaborativa poderiam fortalecer os sistemas de saúde e promover melhor resolutividade e qualidade destes serviços. OBJETIVO: Esta pesquisa teve como objetivo analisar a percepção de fisioterapeutas sobre a formação profissional para o trabalho em equipe e a prática colaborativa, identificando competências relevantes para a formação profissional bem como, características do ambiente de trabalho e perspectivas para trabalhar em equipe. METODOLOGIA: A pesquisa exploratória com abordagem quali-quantitativa foi realizada através de coleta de dados com instrumento contendo dados de identificação e características da formação profissional, 27 assertivas em "Escala atitudinal Tipo Likert" e questões abertas descrevendo a prática profissional e elencando habilidades para o trabalho em equipe além de sugestões para implementar/aprimorar o trabalho em equipe no cenário de prática. O instrumento, hospedado no GoogleForms, foi respondido por 67 fisioterapeutas atuantes em serviços de saúde públicos e privados. Realizou-se a análise estatística exploratória dos dados coletados com a escala atitudinal, buscando indicadores para demonstrar a percepção dos fisioterapeutas em relação à sua formação profissional e à atuação em equipe. A análise qualitativa foi realizada com os conteúdos expressos nas questões abertas, utilizando a técnica da análise temática. RESULTADO: Segundo a percepção dos fisioterapeutas, as atitudes mais valorizadas para facilitar o trabalho em equipe e a prática colaborativa foram a escuta qualificada, a ética, a empatia, o respeito e a comunicação. O desrespeito, a desvalorização dos profissionais n‹o médicos e a falta de comunicação entre os profissionais, são as principais dificuldades para implementar e aprimorar o trabalho em equipe e a prática colaborativa. Assim, a atenção centrada no paciente, princípio e diretriz do SUS, fica prejudicada pelo modelo biomédico ainda vigente nos cenários de prática. Além disso, a estrutura rígida das altas demandas de atendimentos, da rotina dos serviços e questões burocráticas dificultam o acesso entre diferentes profissionais e escasseia oportunidades tanto para discutir o próprio serviço, quanto para aprimorar práticas e compartilhar saberes. CONCLUSÃO: O respeito e a comunicação entre os profissionais foram elencados como fundamentais para o trabalho em equipe. Visando favorecer este trabalho e a atenção centrada no paciente, sugere-se espaços protegidos e oportunidades de comunicação e compartilhamento de ações em reuniões de equipes. Também destaca-se a importância da formação para o trabalho interprofissional possibilitando conhecer potencialidades e limitações da atuação dos diferentes profissionais. Assim, a prática colaborativa surge como consequência desta relação interprofissional cotidiana. Quanto ao desenvolvimento de competências e habilidades para o trabalho em equipe parece que, mesmo estando presentes na formação profissional inicial, isso parece n‹o garante a efetividade do trabalho e das práticas colaborativas nos cenários de atuação.

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A revista Cadernos de Educação, Saúde e Fisioterapia foi avaliada como B2 na área de Ensino, B3 na área de Serviço Social, B4 nas áreas de Saúde Coletiva, Interdisciplinar, Enfermagem e Educação Física e B5 na área de Medicina II e Arquitetura, Urbanismo e Design no QUALIS/CAPES - Quadriênio 2013-2016.