APROXIMAÇÃO DA FORMAÇÃO DO FISIOTERAPEUTA NA ATENÇÃO PRIMÁRIA EM SAÚDE

Alessandra Oliveira Pedra, Rochely Silva Panetto Blandino, Mariane Ferrari, Hellen Reisen, Grace Kelly Freitas Filgueiras Freitas

Resumo


INTRODUÇÃO: As Diretrizes Curriculares Nacionais para os cursos de graduação em Fisioterapia (DCNs) direcionam a formação para um perfil generalista, advindo de formação crítica, humanista e reflexiva, capacitado a atuar em todos os níveis de atenção à saúde. A partir de então, os princípios e diretrizes do Sistema Único de Saúde (SUS) são incorporados no contexto das DCNs como eixo para a proposta da reorientação da formação. Na perspectiva de atender às DCNs, as Instituições de Ensino Superior (IES) desenvolvem atividades curriculares contemplando ações de promoção de saúde e prevenção de doenças organizadas em disciplinas obrigatórias e/ou optativas e vivências práticas nos estágios obrigatórios, conforme previsto nos projetos pedagógicos. Muitos são os desafios no sentido de efetivar a aproximação da formação acadêmica aos serviços de assistência em saúde neste nível de atenção. OBJETIVO: Conhecer as estratégias de aproximação da formação dos fisioterapeutas no campo da atenção primária em saúde promovidas pelas IES públicas no Brasil. METODOLOGIA: Realizamos o levantamento das IES públicas (federais e estaduais) que ofertam o curso de Fisioterapia no Brasil. Foram acessados os projetos pedagógicos e/ou a matriz curricular nos sites institucionais. A partir da análise documental construímos o banco de dados para constituir o panorama do ensino da fisioterapia com foco na atenção primária em saúde. Os dados foram analisados utilizando o software GraphPad Prism 6¨. As variáveis categóricas estão expressas pelas suas frequências absolutas e relativas. A distribuição das variáveis quantitativas contínuas foi avaliada mediante a determinação de suas medidas de posição central e variabilidade, quer sejam mediana, média e desvio padrão. RESULTADO: Identificamos 48 IES públicas que ofertam o curso de fisioterapia, das quais 66,7% são federais e 33,3% estaduais. Os documentos consultados foram a matriz curricular (62,5%) e os projetos pedagógicos (37,5%). A duração dos cursos é de 4,83±0,36 anos, sendo 58,33% ofertados em turno integral. A carga horária é de 4.393,02±398,6 horas, e a do estágio obrigatório 1.016,33±205,32 horas. As disciplinas relacionadas à saúde coletiva ou políticas públicas de saúde, são ministradas com 123,73±111,44 horas. As disciplinas da área de conhecimentos fisioterapêuticos dedicadas à abordagem destes conteúdos, são ofertadas com 117,14±89,23 horas. Das 48 IES, 6 n‹o ofertam disciplinas específicas da fisioterapia na APS e 22 ofertam estágio obrigatório neste campo. A carga horária deste corresponde a 19,2±11,1% da carga horária total do estágio obrigatório. CONCLUSÃO: A formação do fisioterapeuta precisa estar alinhada aos princípios e diretrizes do SUS, devendo os cursos promover a integração ensino-serviço e atividades práticas nos três níveis de atenção à saúde. A minoria das IES oferta estágio obrigatório na APS, e as que ofertam, dedicam mais de 80% da carga horária à atenção secundária e terciária. A maioria oferta disciplinas da fisioterapia na APS, no entanto, não há como avaliarmos a existência de vivências neste campo. A implementação das DCNs exige das IES mudanças curriculares (e conceituais) para que possam oferecer cursos de fisioterapia coerentes com esta concepção. Mudanças essas que vão além da alteração curricular, mas também acerca da concepção do ser fisioterapeuta.

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A revista Cadernos de Educação, Saúde e Fisioterapia foi avaliada como B2 na área de Ensino, B3 na área de Serviço Social, B4 nas áreas de Saúde Coletiva, Interdisciplinar, Enfermagem e Educação Física e B5 na área de Medicina II e Arquitetura, Urbanismo e Design no QUALIS/CAPES - Quadriênio 2013-2016.