PERCEPÇÃO DOS FISIOTERAPEUTAS ATUANTES EM UM HOSPITAL ESCOLA SOBRE O ENCONTRO COM O PACIENTE NO COTIDIANO DE SUA PRÁTICA PROFISSIONAL

Aline Gangi Turino Battini Basso, Laís Alves de Souza Bonilha, Fernando Pierette Ferrari, Arthur de Almeida Medeiros, Adriane Pires Batiston

Resumo


INTRODUÇÃO: A formação do Fisioterapeuta na contemporaneidade deve ter como centralidade as necessidades dos usuários dos serviços de saúde, bem como da sociedade em geral. Dessa forma, faz-se necessário que tanto durante a formação, como ao longo de sua vida, o profissional desenvolva e aprimore além de competências relacionadas ao saber e ao saber fazer, aquelas competências relacionadas ao saber ser e ao saber conviver. Torna-se impossível pensar a prática do fisioterapeuta sem o encontro com o outro, sem diálogos, sem formação de vínculo, uma vez que este é um dos profissionais que mais mantém contato direto com seu paciente e familiares o que implica que sua formação deva ir além de uma preparação para atuação técnica, sendo capaz de avaliar e cuidar do outro de uma forma integrada e resolutiva. OBJETIVO: Conhecer a percepção de um grupo de fisioterapeutas atuantes em um Hospital de Ensino sobre a importância do encontro com outro, neste caso os pacientes, em sua prática cotidiana, refletindo sobre em que medida o paciente contribui para a melhora de sua prática profissional. METODOLOGIA: Foram incluídos 18 fisioterapeutas atuantes em diferentes setores do Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossiam (HUMAP/UFMS). A coleta de dados foi realizada por meio da técnica de grupo focal, sendo os resultados analisados por meio da Análise de Conteúdo de Bardin. Foram realizadas duas sessões de grupo focal, sendo a primeira com 11 participantes e a segunda com 7. As sessões foram conduzidas por um mediador e contou com questões disparadoras que permitiram o aprofundamento do tema pelos participantes. RESULTADO: Categoria temática: O trabalho do fisioterapeuta: o encontro com o outro. Esta categoria possibilitou a reflexão sobre o encontro com o paciente. Os participantes demonstraram valorizar as habilidades interpessoais durante a abordagem ao paciente associando-as ao alcance dos objetivos terapêuticos. Observou-se que quando fazem referência ao encontro com o paciente, os fisioterapeutas mostraram-se sensíveis às questões de humanização, no entanto, o paciente foi colocado, muitas vezes, como receptáculo de um atendimento e n‹o na centralidade do cuidado, distanciando-o da visão de sujeito integral. Os profissionais concentram-se mais especificamente em sua própria prática, e neutralizam o paciente, focando seu planejamento e sua avaliação do tratamento na própria conduta e resultado, centrando-se apenas em si mesmo, para ser um bom profissional e consequentemente n‹o consideram que o paciente com sua subjetividade contribua para a resolutividade de suas próprias necessidades. CONCLUSÃO: Os fisioterapeutas, ressaltam a importância da atenção fisioterapêutica humanizada, entretanto, em seus discursos sobre sua relação com o paciente, este geralmente é colocado em posição passiva, como receptor de um atendimento. Portanto, é percebida a necessidade de se considerar o paciente como agente ativo no seu processo terapêutico, de abordar sua queixa de forma apropriada, estabelecendo ligação entre os aspectos biopsicossociais, estabelecendo comunicação adequada, para uma boa e efetiva interação. Para isso, é fundamental o desenvolvimento permanente de competências que se relacionam ao saber se e ao saber conviver ou se relacionar.

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A revista Cadernos de Educação, Saúde e Fisioterapia foi avaliada como B2 na área de Ensino, B3 na área de Serviço Social, B4 nas áreas de Saúde Coletiva, Interdisciplinar, Enfermagem e Educação Física e B5 na área de Medicina II e Arquitetura, Urbanismo e Design no QUALIS/CAPES - Quadriênio 2013-2016.