EDUCAÇÃO EM SAÚDE- RELATO DE EXPERIÊNCIA EM AMBULATÓRIO DE REEDUCAÇÃO FUNCIONAL COM GRADUANDOS RECÉM INGRESSOS

Simone Chacon Costa

Resumo


INTRODUÇÃO: Apesar dos avanços da Medicina e da ênfase na prevenção de doenças, as amputações continuam muito prevalentes no mundo e há previsão de que, em 2050, esse índice alcance 3,6 milhões de pessoas só nos Estados Unidos. Nesse contexto, o número de pacientes amputados de membros inferiores, por doença arterial periférica, se destaca, em especial nos Estados Unidos e Brasil. Os prognósticos pós-amputação também são impressionantes. As taxas de mortalidade um mês após a amputação são elevadas, variando de 15 a 30%. Após um ano, podem atingir índices superiores a 50% e, após cinco anos, podem chegar a 74%. Após a amputação, a fisioterapia visa recuperar a autonomia para locomoção, se possível com prótese, bem como as atividades da vida diária, sem deixar de cuidar dos aspectos cognitivos, emocionais e sociais. A reabilitação desses pacientes é um desafio, pois eles são portadores de outras doenças associadas á doença vascular, com destaque para o diabetes mellitus. Estudos mostram que as reamputações são frequentes, o abandono do uso da prótese é comum e a taxa de mortalidade é alta. Os dados referidos acima são preocupantes e justificam o relato desta experiência, a fim de contribuir numa busca de solução mais prática e menos traumática para pacientes e familiares. DESCRIÇÃO DA EXPERIÊNCIA: No UNIFESO, a inserção de graduandos recém ingressos, nos ambulatórios, é uma prática incentivada no sentido de melhorar o aprendizado. Os estudantes acompanharam por seis meses os atendimentos observando, discutindo e avaliando situações. Os pacientes amputados que frequentam o ambulatório de reeducação funcional são, na sua grande maioria, idosos, obesos, diabéticos, hipertensos e fumantes. Apresentam um histórico semelhante - a patologia tem longa duração e são usuários de medicamentos variados; O desenvolvimento da doença se inicia com dormência e evolui para necrose e amputação. É comum, mesmo durante o tratamento, apresentarem novas feridas que não cicatrizam, levando á infecção, necrose e nova amputação. A importância da nutrição para a saúde humana é incontestável. No entanto, verificou-se que a alimentação destes pacientes é baseada em açúcares, farinhas refinadas, produtos alimentícios de baixo valor nutricional, carentes de sais minerais e vitaminas, além da pouca ingesta de água. São pessoas que não praticam atividades ao ar livre, vivendo confinadas a ambientes internos. IMPACTOS: A constatação desta situação precária levou a uma mudança no atendimento ao paciente, que não poderia mais ser visto apenas como um amputado trabalhando para a sua reabilitação funcional. A visão integral de saúde e a prevenção passou a nortear todo o atendimento. Essa mudança causou, no estudante, um novo olhar e uma mudança de paradigma. Ele não estava ali apenas para reabilitar, mas para ser um agente de saúde, um promotor de bons hábitos, um educador, no sentido de fornecer boas orientações aos pacientes e seus familiares. CONSIDERAÇÕES FINAIS: Esta experiência faz revalidar a importância do fisioterapeuta ver o paciente como um ser integral e assumir, cada vez mais, o papel de educador, que informa a comunidade sobre ações preventivas e cuidados com a saúde.

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A revista Cadernos de Educação, Saúde e Fisioterapia foi avaliada como B2 na área de Ensino, B3 na área de Serviço Social, B4 nas áreas de Saúde Coletiva, Interdisciplinar, Enfermagem e Educação Física e B5 na área de Medicina II e Arquitetura, Urbanismo e Design no QUALIS/CAPES - Quadriênio 2013-2016.