SAÚDE E ESPIRITUALIDADE: RODAS DE CONVERSA COM AS MÃES E/OU ACOMPANHANTES DE BEBÊS INTERNADOS NA UTI NEONATAL E UNIDADE DE CUIDADOS INTERMEDIÁRIOS CANGURU DA MATERNIDADE ESCOLA JANUÁRIO CICCO/NATAL-RN

Elisa Sonehara de Morais, Thatiane Guedes de Oliveira Machado, Tacyanne Bilro de Miranda, Ana Paula Sabino de Medeiros Neves, Stênio Medeiros de Carvalho, Juna Maria Fernandes Vieira, Célia Pereira de Melo Gomes, Lilian Lira Lisboa

Resumo


INTRODUÇÃO: A roda de conversa é um espaço coletivo onde existe a oportunidade de discussão e tomada de decisão, além de propiciar a circulação de afetos e vínculos que são estabelecidos e rompidos durante todo o tempo. É uma metodologia participativa que favorece a troca de saberes no trabalho e na gestão da coletividade, proporcionando a prática do pensar compartilhado; prioriza discussões em torno de uma temática e, no processo dialógico, as pessoas podem apresentar suas elaborações, sendo que cada participante instiga o outro a falar, possibilitando posicionar-se e ouvir o posicionamento do outro. Dessa forma as rodas podem ser utilizadas em diversos contextos, inclusive no hospitalar. A espiritualidade é utilizada como estratégia de enfrentamento, pois promove significação e ordenação da vida e do sofrimento. As investigações sobre a relação entre espiritualidade e saúde procuram compreender como crenças e comportamentos religiosos se relacionam ou interferem na saúde. Esta temática possui relevância num país como o Brasil, no qual 98 a 99% da população acredita em Deus. A atividade religiosa constitui-se em elemento eficaz, tanto para auxiliar na manutenção do estresse em nível saudável como para favorecer a qualidade de vida, visto que níveis mais elevados de envolvimento com a religião estão associados positivamente com indicadores de bem-estar psicológico. O exercício da fé e a prática da religiosidade são estratégias, muitas vezes utilizadas, pelas mães de bebês hospitalizados, como forma de lidar com um longo período de internação e sentimentos de culpa, raiva, ansiedade, medo, tristeza, impotência, entre outros. Nesta perspectiva, buscam-se novas maneiras de pensar a prática do cuidar voltadas para a humanização e a subjetividade na atenção á saúde no ambiente hospitalar, numa visão mais integrada do ser humano. DESCRIÇÃO DA EXPERIÊNCIA: Visando oferecer suporte emocional e espiritual para mães, acompanhantes e familiares de bebês internados na UTI Neonatal e Unidade de Cuidados Intermediários Canguru, foram realizadas, no período de janeiro de 2015 a dezembro de 2016, rodas de conversas semanais, nas quais foram abordados temas como: paz, amizade, confiança, alegria, gratidão, medo, esperança, perdão e perseverança. As atividades desenvolvidas com as mães e/ou acompanhantes, foram conduzidas pela equipe interdisciplinar composta por psicólogo, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeuta ocupacional, equipe de enfermagem e funcionários da higienização. Foram utilizadas dinâmicas, musicalidade, leitura de textos bíblicos e oração, visando á reflexão de vivências e sentimentos com o objetivo de estimular a fé e a espiritualidade como estratégia de enfrentamento no contexto hospitalar. IMPACTOS: Percebeu-se que esta atividade promoveu o fortalecimento da fé dos participantes, melhora dos relacionamentos interpessoais entre as mães e destas com a equipe, bem como facilitou a resolução de conflitos e promoveu a capacidade de empatia e ajuda mútua. CONSIDERAÇÕES FINAIS: Notou-se a importância dessas rodas por ser uma proposta de trabalho interdisciplinar, que proporciona a integralidade do cuidado, visto que não apenas o corpo recebe atenção, mas também as esferas emocionais e espirituais.

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A revista Cadernos de Educação, Saúde e Fisioterapia foi avaliada como B2 na área de Ensino, B3 na área de Serviço Social, B4 nas áreas de Saúde Coletiva, Interdisciplinar, Enfermagem e Educação Física e B5 na área de Medicina II e Arquitetura, Urbanismo e Design no QUALIS/CAPES - Quadriênio 2013-2016.