APRENDER NO MUNDO REAL: REFLEXÕES NECESSÁRIAS À FORMAÇÃO EM FISIOTERAPIA

Matheus Madson Lima Avelino, Marina Lyra Cabral Fagundes, Evelyn Evelyn, Capistrano Teixeira da Silva, Lilian Lira Lisboa, Carolina Araújo Damásio Santos, Reginaldo Antïnio de Oliveira Freitas Junior

Resumo


INTRODUÇÃO: Competência Cultural é comumente definida como a combinação de conhecimentos, atitudes e habilidades necessárias para que os profissionais da saúde sejam hábeis em interagir eficazmente com populações cultural e etnicamente diversas. O desenvolvimento dessas competências na formação profissional pressupõe a necessidade de reorientação das estratégias de ensino-aprendizagem e das práticas assistenciais em saúde, no sentido de fortalecer o Sistema Único de Saúde enquanto ordenador da formação profissional em saúde e a efetivação das políticas públicas que visam a equidade em saúde. DESCRIÇÃO DA EXPERIÊNCIA: A intervenção foi fruto das discussões e vivências da disciplina Competência Cultural na Atenção á Saúde da Mulher Quilombola, componente curricular interdisciplinar que propõe discussões sobre cultura e história do povo afro-brasileiro e suas necessidades de saúde, sendo contextualizadas com a realidade da comunidade quilombola Capoeiras dos Negros, localizada no munícipio de Macaíba no Rio Grande do Norte. A ação objetivou a promoção de saúde por meio do resgate cultural afro-brasileiro e consistiu de duas atividades realizadas na comunidade, intituladas: Brincar e Resistir, onde foi realizada com as crianças uma contação de história, de forma lúdica, sobre a trajetória do negro no Brasil e brincadeiras de matriz africana a fim de estimular o desenvolvimento infantil e resgatar seus aspectos culturais; e Máquina de Ritmos, onde foi realizada uma oficina de dança afro para as mulheres, proporcionando valorização da cultura e promovendo bem estar por meio da dança. IMPACTOS: A ação de promoção em saúde culturalmente competente implicou pensar e praticar saúde em sua forma ampliada, desde o planejamento até a implementação da mesma. Ao pensar o empoderamento da população sobre sua saúde fez-se necessário refletir sobre a cultura enquanto um determinante e condicionante desta. Para a programação das atividades levou-se em consideração a cultura como determinante para o adoecimento e para as desigualdades, mas especialmente como ferramenta condicionante á promoção de saúde e qualidade de vida, aliada a ações de saúde. O processo configurou-se como uma quebra de paradigma para a formação em fisioterapia, que historicamente tem enfatizado a dimensão biologicista e priorizado a reabilitação de sequelas, em detrimento de uma formação mais holística, integral, socialmente responsável e promotora da cidadania. Nesse sentido, foram incitadas reflexões sobre a concepção do que é ser profissional de saúde, levando a uma percepção de profissional enquanto um facilitador e ator no processo de redução das iniquidades, agindo para além do âmbito individual, de forma a atingir a esfera da coletividade. A experiência também proporcionou a reflexão sobre o racismo, tanto num contexto geral, quanto nas reproduções das opressões a saúde e em como as competências culturais podem auxiliar a reverter ou minimizar este processo. CONSIDERAÇÕES FINAIS: Destaca-se a potencialidade de experiências vivenciais que promovam o desenvolvimento de competências culturais na formação profissional em saúde como estratégias capazes de impactar positivamente na formação em fisioterapia, estimulando a prática do conceito ampliado de saúde, visando á integralidade, voltado para promoção de saúde e em uma formação socialmente mais responsável, contextualizada com os problemas reais da população.

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A revista Cadernos de Educação, Saúde e Fisioterapia foi avaliada como B2 na área de Ensino, B3 na área de Serviço Social, B4 nas áreas de Saúde Coletiva, Interdisciplinar, Enfermagem e Educação Física e B5 na área de Medicina II e Arquitetura, Urbanismo e Design no QUALIS/CAPES - Quadriênio 2013-2016.