VIVÊNCIA DA INTERDISCIPLINARIDADE NA INTERAÇÃO ENSINO-SERVIÇO-COMUNIDADE DURANTE A GRADUAÇÃO

Cíntia Raquel Bim

Resumo


INTRODUÇÃO: A prática interdisciplinar é um processo que precisa estar sempre em busca de novos saberes e práticas. Na saúde, a interdisciplinaridade deve ser construída a partir de pressupostos sócio filosóficos, visando o rompimento da saúde fragmentada e do modelo biomédico de atenção. Em uma universidade pública, essa proposta vem acontecendo através de uma disciplina chamada Práticas de integração ensino, serviço e comunidade I e II, que acontece no primeiro e segundo ano dos cursos de graduação em Medicina, Enfermagem e Farmácia, com turmas mistas. Chama a atenção o fato de que na mesma instituição ainda existem outros cursos que poderiam participar da disciplina, como o de Fisioterapia, no entanto a participação não acontece, por causas desconhecidas. A disciplina é organizada para desenvolvimento de competências para o cuidado, onde o estudante conhece as necessidades de saúde na perspectiva da família e comunidade no primeiro ano, e na perspectiva da organização do serviço na atenção básica no segundo ano. DESCRIÇÃO DA EXPERIÊNCIA: Realizo estágio em docência por ser bolsista no Programa de Pós-graduação em Saúde Coletiva em nível de doutorado na disciplina do segundo ano. A disciplina está organizada em três movimentos: o primeiro refere-se ao território, o segundo ao serviço e suas formas de organização, e o terceiro á pesquisa científica, que permite ao aluno desenvolver uma pesquisa de campo no território. Grupos interdisciplinares são formados para a operacionalização da disciplina em grupos de 10 a 15 estudantes. A concepção pedagógica contempla a problematização, observação, prática e teorização, e cabem ao professor e tutor o papel de facilitadores desse processo. Os encontros são semanais ao longo de um ano letivo, com atividades na universidade, na comunidade e na unidade básica de saúde. Conceitos de epidemiologia descritiva, informações em saúde, organização de programas de saúde e delineamentos de pesquisa quantitativa e qualitativa são abordados numa estreita relação teoria e prática. IMPACTOS: Apesar de alguns entraves existentes na operacionalização da disciplina diante de normas institucionais, é possível verificar que a disciplina ocorre e traz muitos benefícios aos envolvidos. A formação se dá no contexto interdisciplinar, pois estudantes de diversos cursos têm a vivência prática da interação com outras áreas do conhecimento na graduação. O processo de aprendizagem ocorre de maneira coletiva, com troca de saberes oriundos da formação específica de cada área. Por ser de outra instituição, tento acompanhar a operacionalização da disciplina, para num futuro próximo tentar implantar esta disciplina na universidade em que trabalho, também pública, e que possui cinco cursos de graduação na área da saúde. CONSIDERAÇÕES FINAIS: A vivência nesta disciplina me mostrou que é possível incluir a interdisciplinaridade na formação de profissionais de saúde, mesmo com dificuldades administrativas impostas pela instituição. O aprendizado promovido pela disciplina organizada com enfoque na interação ensino-serviço-comunidade é de excelência, permitindo ao acadêmico ter aproximação com a realidade dos serviços de saúde já nos anos iniciais de sua formação.

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A revista Cadernos de Educação, Saúde e Fisioterapia foi avaliada como B2 na área de Ensino, B3 na área de Serviço Social, B4 nas áreas de Saúde Coletiva, Interdisciplinar, Enfermagem e Educação Física e B5 na área de Medicina II e Arquitetura, Urbanismo e Design no QUALIS/CAPES - Quadriênio 2013-2016.