USO DA REALIDADE VIRTUAL NA AQUISIÇÃO DA POSTURA BÍPEDE EM UMA CRIANÇA PORTADORA DE MICROCEFALIA: ESTUDO DE CASO

Bárbara Karine Do Nascimento Freitas, Maíza Talita da Silva, Matheus da Costa Pajeu, Ilana Mirla Melo Araújo, Jefferson Lima Nascimento da Silva, Éberth Jennyfer Lira de Souza, Edmilson Gomes da Silva Junior, Carla Ismirna Santos Alves

Resumo


Introdução: O Zika Vírus (ZIKV) surgiu em 1947 em Uganda na floresta chamada Zika. Segundo informações oficiais, a entrada do ZIKV no Brasil parece ter ocorrido em estados do Nordeste, e sua dispersão coincide com o aumento da incidência de casos de microcefalia em comunidades infestadas pelo Aedes aegypti. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS) a microcefalia é uma malformação congênita definida quando o perímetro cefálico é menor que dois ou mais desvios-padrão do que a referência para o sexo, à idade ou tempo de gestação onde atualmente foram adotados diferentes parâmetros do perímetro cefálico para meninos e meninas a termos; 31,9 cm e 31,5 cm para menino e menina, respectivamente. Os recém-nascidos (RNs) com microcefalia correm o risco de atraso no desenvolvimento e incapacidade intelectual, podendo também desenvolver convulsões e incapacidades físicas. Nesse contexto, a realidade virtual (RV) vem sendo apontada como um recurso tecnológico, ao possibilitar a interação do indivíduo com um ambiente virtual. O Xbox 360 Kinect® permite ao jogador utilizar seu próprio corpo para controlar e interagir com o jogo. A ausência de um controlador de jogo pode ser o provável responsável pelo aumento dos níveis da atividade, já que o sistema requer a movimentação ativa e a interação de todo o corpo. Objetivo: Verificar a possibilidade da utilização da RV para reabilitação motora em criança com microcefalia por Zika vírus. Metodologia: O relato de caso foi de uma criança de dois anos e quatro meses de idade, sexo feminino, que foi submetida a quatro etapas durante o tratamento fisioterápico nas Clínicas Integradas do UNI-RN, Natal/RN. I- foi caracterizada pela escolha dos jogos, denominado Kinect Adventurs; II- realizada avaliação mediante a ficha avaliativa utilizada nas clínicas integradas do UNIRN, seguida com aplicação do protocolo Pediatric Evaluation Disability Inventory - PEDI, instrumento de avaliação da capacidade funcional; III- execução do protocolo com as duas modalidades do Kinect Adventures, utilizando o Xbox 360 Kinect®. O atendimento foi realizado duas vezes na semana, com duração de 30 minutos cada sessão, perfazendo 12 sessões equivalentes há 2 meses; IV- reavaliação utilizando a ficha avaliativa, protocolo PEDI, vídeos e fotos após o tratamento, realizada a análise dos dados para que o teste de shapiro verificasse a hipótese de normalidade o t-student comparasse as médias pareadas, sendo seus resultados representados por gráficos e tabelas. Resultados: Paciente M.V.S, idade cronológica de 2 anos e 4 meses, idade motora no 4º trimestre, gênero feminino, com mãe acometida pelo Zika vírus no segundo trimestre de gestação, apresenta diagnóstico clínico de microcefalia por Zika vírus e diagnóstico cinético-funcional de paraparesia espástica com dificuldade para marcha. Nível IV (automobilidade com limitações), segundo a GMFCS-E&R. No que diz respeito à amplitude de movimento ativa de membro inferior direito e esquerdo a paciente apresentou melhora após a 2ª avaliação. Houve progressão nos padrões motores de insatisfatórios para satisfatórios. Os indicadores de autocuidado, mobilidade e função social elevaram nos escores da 2° avaliação. Conclusão: Esta criança foi beneficiada com a RV, obtendo impacto sobre o equilíbrio, alcance manual e manutenção da postura bípede.

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A revista Cadernos de Educação, Saúde e Fisioterapia foi avaliada como B2 na área de Ensino, B3 na área de Serviço Social, B4 nas áreas de Saúde Coletiva, Interdisciplinar, Enfermagem e Educação Física e B5 na área de Medicina II e Arquitetura, Urbanismo e Design no QUALIS/CAPES - Quadriênio 2013-2016.