INGRESSANTES DO CURSO DE FISIOTERAPIA DE UMA UNIVERSIDADE PÚBLICA - O PERFIL E A ESCOLHA DO CURSO

Gabriel Pinto Ferreira, Wellington Ribeiro Mattos Junior, Lara Managna Covre, Grace Kelly Filgueiras Freitas

Resumo


Introdução: O sistema de ensino superior passou por diversas mudanças a partir da década de 90. Na última década houve um aumento do número de ingressantes em universidades públicas, impulsionado por políticas que têm como objetivo expandir o acesso e permanência na educação superior, e gerar oportunidades de forma igualitária. Objetivo: Delinear o perfil dos ingressantes para instrumentalizar gestores e docentes no desenvolvimento de políticas e ações que auxiliem na permanência dos estudantes na universidade. Metodologia: Estudo descritivo, retrospectivo que analisou questionários respondidos pelos ingressantes do curso de Fisioterapia da Universidade Federal do Espírito Santo, e o banco disponibilizado pela pró-reitoria de graduação contendo os dados socioeconômicos fornecidos pelos ingressantes no ato da matrícula. Variáveis avaliadas: gênero, idade, etnia, naturalidade, estado civil, renda, e aspectos relacionados à escolha do curso. Aprovado pelo Comitê Ética em Pesquisa, CAAE 62652716.7.0000.5060. Análise descritiva, com variáveis categóricas expressas por frequências absolutas e relativas. Resultados: Foram analisados 250 questionários respondidos no período de 2009/1 a 2016/1. 80,4% são do sexo feminino; 48,4% se declararam brancos, 40% pardos e 6% negros. A maioria (78%) é natural de municípios do espírito santo, são solteiros (98%), têm os gastos financiados pela família (86,7%) e 36,7% possuem renda de até 3 salários mínimos, 26,9% com renda de 3 a 5 salários e 25,6% possuem renda de 5 a 10 salários mínimos. Sobre a escolha da profissão, para 67,4% a motivação foi a aptidão pessoal e vocacional e 20,5% afirmaram o desejo de contribuir com a sociedade. O Curso de Fisioterapia foi a primeira opção para 47%, seguidos de 29,95% que expressaram o desejo de cursar medicina ou outro curso da área da saúde. Ao analisarmos esta mesma variável entre os ingressantes de 2009 e de 2016, observou-se que 39,47% e 45,24%, respectivamente, escolheram fisioterapia como primeira opção. Em 2009, 42,11% dos ingressantes tinham a medicina como primeira opção, já em 2016 esse percentual cai para 21,43%. Conclusão: Uma importante parcela dos ingressantes possui baixa renda e dependem da família para seu sustento. Muitos são os desafios para garantir a permanência dos estudantes devido ao baixo investimento em educação e os recentes cortes orçamentários nas Universidades Públicas. No entanto é necessário o desenvolvimento de políticas efetivas que garantam, além do acesso, a permanência dos estudantes no ensino superior. Ficou evidenciado a crescente valorização da Fisioterapia, demonstrando que os estudantes têm feito sua escolha com mais consciência e conhecimento da profissão.

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A revista Cadernos de Educação, Saúde e Fisioterapia foi avaliada como B2 na área de Ensino, B3 na área de Serviço Social, B4 nas áreas de Saúde Coletiva, Interdisciplinar, Enfermagem e Educação Física e B5 na área de Medicina II e Arquitetura, Urbanismo e Design no QUALIS/CAPES - Quadriênio 2013-2016.