HOMICÍDIOS DOLOSOS, TRÁFICO DE DROGAS E DESIGUALDADE SOCIAL NA REGIÃO METROPOLITANA DE SALVADOR, BAHIA, BRASIL

Poliana Conceição dos Santos, Daniel Deivson Alves Portella, Carithauanda De Macedo Santos, Yanca Karoline Matos Martins, Fabiano Gomes Miranda, Ângela da Silva Borges, Beatriz Cerqueira da Silva

Resumo


Introdução: Atualmente a violência vem se tornando um dos maiores problemas de saúde pública, afetando principalmente a população jovem. Além disso, ocasiona prejuízos individuais e coletivos, impacta na morbimortalidade da população, bem como, não se restringe apenas no setor saúde, mas exige esforços de diversos outros como: educação, economia, política, justiça e assistência social. Por esse motivo, a violência tornou-se alvo das intervenções da saúde pública no Brasil, no que se refere à atenção às vítimas e à prevenção desses eventos. Objetivo: Verificar a associação de homicídio doloso, tráfico de drogas e indicadores sociais na Região Metropolitana de Salvador no ano de 2010. Metodologia: Trata-se de estudo de agregado com os registros de homicídios dolosos e tráfico de drogas da Policia Civil do Estado da Bahia e informações populacionais e sociodemográficas fornecidas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) referente a 2010. As variáveis estudadas foram: coeficiente de homicídios dolosos (variável dependente), tráfico de drogas (variável independente principal) e as co-variáveis: proporção de homens negros de 15 a 49 anos (somatório de pretos e pardos), Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) e Índice de Vulnerabilidade Social (IVS). Na construção do banco de dados e análise estatística foram utilizados os softwares Microsoft Office Word e Excel 2007 para Windows e o software R 2.13.0. Resultados: O coeficiente de homicídios dolosos encontrado na RMS no ano de 2010 foi de 130,6 homicídios dolosos por 100 mil habitantes. Em média, este coeficiente foi de 116,6 por cidade, com valor máximo na cidade de Itaparica 206,5 e valor mínimo em Madre de Deus 35,8. O perfil da mortalidade por homicídios em Salvador e Região Metropolitana, apresentado nos resultados, assemelha-se aos padrões de outras regiões do Brasil. O aumento da mortalidade masculina, predominantemente negra e em sua maioria jovem, moradores de regiões com pouco desenvolvimento econômico e social, já faz parte do paradigma dos homicídios, no país e no mundo. No grupo de cidades com os maiores coeficientes de homicídio doloso, a média de pessoas envolvidas com o tráfico de drogas foi de 50, com valor máximo 102 e valor mínimo 13. Nas cidades com os menores coeficientes essa média foi 5, e valor máximo 8 e mínimo 1. Bem como, à proporção de homens negros de 15 a 49 anos foi observada média geral de 0,8625, valor máximo de 0,9205 e valor mínimo de 0,7753. Na capital foi encontrada proporção de 0,8092. Do mesmo, as seis cidades com os maiores coeficientes foi observada maior proporção na cidade de Itaparica 91% e menor proporção em Lauro de Freitas 77%. Conclusão: O que se percebe, a partir da análise efetuada, é que permanecem as crescentes taxas de homicídios por tráfico de drogas tanto na capital Salvador, quanto na região metropolitana. Contudo, os resultados apontam não apenas o padrão de evolução dos homicídios por tráfico de drogas, mas, sobretudo para a importância e a possibilidade de se debater a temática da violência, relacionada à saúde e à segurança pública, em uma perspectiva complexa e intersetorial.

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A revista Cadernos de Educação, Saúde e Fisioterapia foi avaliada como B2 na área de Ensino, B3 na área de Serviço Social, B4 nas áreas de Saúde Coletiva, Interdisciplinar, Enfermagem e Educação Física e B5 na área de Medicina II e Arquitetura, Urbanismo e Design no QUALIS/CAPES - Quadriênio 2013-2016.