ASSISTÊNCIA FISIOTERAPÊUTICA AO PACIENTE SUBMETIDO À CIRURGIA DE REVASCULARIZAÇÃO DO MIOCÁRDIO COM EVOLUÇÃO DE MEDIASTINITE COMO COMPLICAÇÃO PÓS-OPERATÓRIA

Jonaína Fiorim Pereira de Oliveira, Regina Mamede, Cleilda Totola, Fernando Luiz Torres Gomes, Lívia Maria Marques Bonomo

Resumo


Introdução: No Brasil, as doenças cardiovasculares lideram as causas de morte e de internação hospitalar. As cirurgias cardíacas apresentam complicações pós-operatórias, destacando as complicações pulmonares e a mediastinite (Santos et al., 2017; Dias et al., 2011).A fisioterapia integra os cuidados do paciente submetido à cirurgia cardíaca (Castelino et al., 2016). Porém, são escassos estudos que relacionam esta ciência a pacientes que desenvolveram mediastinite pós-operatória. Assim, este trabalho, relata o acompanhamento fisioterapêutico em um caso clínico de mediastinite associada à cirurgia de Revascularização Miocárdica (CRVM) realizada no do Hospital Universitário Cassiano de Antônio Moraes (HUCAM). Descrição: ANG, sexo masculino, 56 anos, ex-tabagista, ex-etilista e história pregressa de Infarto Agudo do Miocárdio (IAM). Cateterismo realizado em 2017 demonstrou lesões obstrutivas graves. Submeteu-se à CRVM em 17/04/2017, recebendo alta hospitalar após 07 dias. A ferida operatória (FO) em esternotomia exibia esterno estável, sem saída de secreções e sem hiperemia.Em 05/05/2017, foi readmitido no HUCAM com febre aferida, hiporexia, tosse secretiva, deiscência em esternotomia com secreção purulenta em moderada quantidade, taquicardia e hipotensão. Interrogou-se diagnósticos de sepse e pneumonia associada. O exame anátomo-patológico da FO sugeriu Nocardiose, Actinomicose ou Micobacteriose não tuberculosas. Mediante os achados, foram propostos os diagnósticos de Mediastinite e Osteomielite.O tratamento contemplou antibioticoterapia, debridamento do manúbrio esternal e de partes moles e oxigenoterapia hiperbárica. Em 19/07/2017, recebeu alta hospitalar.A abordagem fisioterapêutica a ANG ocorreu duas vezes ao dia, com enfoque à:oReabilitação respiratória: utilizadas técnicas para higiene brônquica e reexpansão pulmonar, reeducação diafragmática e estímulo à tosse com proteção da FO.oReabilitação motora: realizada de forma progressiva, com exercícios ativos globais a partir da postura em decúbito dorsal, evoluindo para sedestação e ortostase, marcha estacionária e deambulação assistida e independente, bem como orientações para as atividades de vida diária (AVDs), mudanças de decúbito e transferências posturais.Este trabalho foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa do HUCAM da Universidade Federal do Espírito Santo (CEP/UFES) sob parecer nº 2.627.165. Impactos: A incidência de mediastinite após cirurgia cardíaca é rara, podendo estar relacionadas a alterações ventilatórias e internação prolongada.Para este paciente, os objetivos fisioterapêuticos foram restabelecer as funções pulmonares e manutenção/ganho de mobilidade para o retorno às atividades funcionais, condutas que, junto às abordagens clínicas, visam a melhora rápida e alta hospitalar precoce.Atender uma condição rara no âmbito hospitalar nos permite amadurecer como profissionais, buscando técnicas mais adequadas para reabilitar o paciente com todas as suas especificidades, além de incitar a pesquisa e a difusão de novos conhecimentos. Considerações: O diagnóstico precoce da mediastinite e a intervenção terapêutica são fundamentais para a recuperação do paciente. A diversidade dessas situações e a existência de poucos estudos sobre a atuação fisioterapêutica nesses casos mostra uma lacuna de conhecimento nesta área da saúde e a possibilidade de explorar o assunto para ampliar a atuação deste profissional em futuros casos semelhantes.

Apontamentos

  • Não há apontamentos.


A revista Cadernos de Educação, Saúde e Fisioterapia foi avaliada como B2 na área de Ensino, B3 na área de Serviço Social, B4 nas áreas de Saúde Coletiva, Interdisciplinar, Enfermagem e Educação Física e B5 na área de Medicina II e Arquitetura, Urbanismo e Design no QUALIS/CAPES - Quadriênio 2013-2016.