BALLET CLÁSSICO E INCONTINÊNCIA URINÁRIA EM MULHERES JOVENS E NULÍPARAS

Karla Poersch, Amanda Lemos da Silva Veríssino, Ana Paula Barcellos Karolczak, Patrícia Martins

Resumo


Introdução: A incontinência urinária (IU) é uma disfunção no assoalho pélvico, definida como perda involuntária de urina, afetando diretamente a qualidade de vida do indivíduo. Em atletas jovens, a ocorrência de IU tem sido objeto de estudo nos últimos tempos e seu aparecimento pode estar relacionado a modalidades de esportes que envolvem alto impacto, grande carga de treinamento e caráter competitivo, como o ballet clássico. Objetivo: Avaliar a relação entre a prática de ballet clássico e IU em bailarinas jovens e nulíparas. Metodologia: O estudo foi realizado com mulheres brasileiras, nulíparas, bailarinas clássicas, com idade igual ou superior a 18 anos e que estivessem participando da 36º edição do Festival de Dança de Joinville, ocorrido em 2018, considerado o maior festival de dança do mundo. As voluntárias responderam a uma entrevista inicial com dados pessoais e relacionados a IU, e ao Questionário Internacional de Atividade Física (IPAQ). As que referiram IU, responderam também ao International Consultation on Incontinence Questionnaire - Short Form (ICIQ-SF) e o King's Health Questionnaire (KHQ). Resultado: Dentre as 135 entrevistadas, 30,4% relataram perda involuntária de urina nos últimos meses, sendo que em 85,4% a perda de urina ocorria principalmente ao realizar atividades físicas, e 73,17% relataram que a IU interfere muito em sua vida diária. Foi possível observar relação entre o domínio do KHQ Relacionamento Pessoal com a quantidade de perda de urina, e o quanto perder urina interfere na vida diária com o resultado do ICIQ escore. O domínio do KHQ Medidas de Gravidade também esteve associado ao ICIQ escore. Além disso, observou-se relação entre a carga horária diária de prática de ballet clássico e perda de urina. Conclusão: A IU é um problema vivido pelas mulheres nulíparas praticantes de ballet clássico, principalmente ao realizar atividades físicas. Apesar de a perda de urina ser em pequena quantidade, as participantes relataram que a IU interfere muito em sua vida diária, afetando a percepção geral da saúde, impactando negativamente em sua vida e levando as mesmas a modificarem sua rotina. A partir destas observações, se faz necessário um olhar mais integral ao cuidado com esse público e a necessidade de atuação do fisioterapeuta, não apenas nas questões musculoesqueléticas já conhecidamente afetadas pela prática de ballet clássico, mas também no que diz respeito a perda de urina, visto que a mesma está presente nesse público e afeta a qualidade de vida.

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A revista Cadernos de Educação, Saúde e Fisioterapia foi avaliada como B2 na área de Ensino, B3 na área de Serviço Social, B4 nas áreas de Saúde Coletiva, Interdisciplinar, Enfermagem e Educação Física e B5 na área de Medicina II e Arquitetura, Urbanismo e Design no QUALIS/CAPES - Quadriênio 2013-2016.