CUIDADOS PALIATIVOS: ESTUDO SOBRE CONCEPÇÕES E PRÁTICAS FISIOTERAPÊUTICAS EM UMA INSTITUIÇÃO HOSPITALAR

Valenca Lemes Grapiglia, Mauro Antônio Félix

Resumo


Introdução: Os cuidados paliativos caracterizam-se por uma visão global e uma abordagem humanista sobre o paciente sem possibilidade de cura, a fim de reduzir seus sintomas e sofrimento, propiciando proteção e alívio da dor para o sujeito e sua família. Para isto, é preciso uma equipe multiprofissional apta a compreender todas as necessidades presentes nestes casos. A Fisioterapia pode atuar na prevenção de complicações e alívio dos sintomas referentes ao paciente sem perspectiva de cura, contribuindo por meio da visão dos cuidados paliativos para as questões não só físicas, mas espirituais, psicológicas e sociais. Objetivo: Este trabalho teve como objetivos identificar as concepções de fisioterapeutas sobre a terminalidade, esclarecer as abordagens destes profissionais da saúde frente à pessoa em cuidados paliativos e analisar suas concepções e práticas sobre esse tipo de cuidado. Metodologia: A pesquisa consistiu em um estudo observacional exploratório do tipo de casos, aplicada em uma Instituição Hospitalar Pública do Vale do Rio dos Sinos. Sete fisioterapeutas participaram deste estudo, por meio de observação participante e entrevista semiestruturada. Os dados foram interpretados e categorizados conforme Bardin. Resultado: Tais informações foram agrupadas por categorias, mediante as quais se identificou que a morte e a terminalidade geram anseios e conflitos para os fisioterapeutas e que pessoas em cuidados paliativos apresentam um perfil psicológico bem variado. Também, esclareceu-se que os profissionais objetivam o bem-estar do paciente, a minimização dos sintomas e não mais a cura, indo além das questões físicas, e, ao indicar a Fisioterapia, utilizam o princípio da não maleficência. Todavia, neste sentido, percebe-se que os fisioterapeutas apenas levam em consideração a abordagem técnica da profissão, deixando de lado a prática da humanização, da escuta. Verificou-se que os cuidados paliativos proporcionam ao paciente maior flexibilidade de visitas de familiares, bem como, maior poder de escolha. Também, que o vínculo fortalece relações, todavia, com familiares essa ação é difícil. Por fim, averiguou-se que a abordagem fisioterapêutica é mais ampla por considerar uma visão integral do paciente. Conclusão: Diante dos achados, os fisioterapeutas apresentaram um conhecimento coerente em relação aos princípios dos cuidados paliativos. Alguns aspectos devem, ainda, ser mais bem desenvolvidos, como a indicação da Fisioterapia neste âmbito. Destaca-se como barreira o fato de que os fisioterapeutas ainda exteriorizam conflitos em alusão ao processo de terminalidade. Já a prática neste campo permitiu aos mesmos uma visão baseada em uma abordagem que traz um fim digno à pessoa sem possibilidade de cura. Contradizendo a ideia de que essa área é vista de modo mais frio e técnico. Logo, puderam construir esse olhar mais humanizado e holístico, o qual vai além do manejo da dor, com foco na pessoa e não na doença. Porém, nos cursos de educação permanente ainda não há adesão por parte de muitos profissionais e, dessa forma, se faz necessário buscar formas de despertar o interesse destes, inclusive de fisioterapeutas.

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A revista Cadernos de Educação, Saúde e Fisioterapia foi avaliada como B2 na área de Ensino, B3 na área de Serviço Social, B4 nas áreas de Saúde Coletiva, Interdisciplinar, Enfermagem e Educação Física e B5 na área de Medicina II e Arquitetura, Urbanismo e Design no QUALIS/CAPES - Quadriênio 2013-2016.