O USO DO GENOGRAMA PARA A REPRESENTAÇÃO E ANÁLISE DA ESTRUTURA FAMILIAR DE PESSOAS COM ACIDENTE VASCULAR ENCEFÁLICO E ATENDIDAS PELO SERVIÇO DE FISIOTERAPIA EM ESF

Fernanda Vieira Bezerra, Lorrany Caroline Rocha dos Santos, Ana Paula Barroca Silva, Isabela Lins Freitas, Ana Lúcia de Jesus Almeida, Renilton José Pizzol

Resumo


Introdução: Para o Ministério da Saúde (MS), persiste entre os profissionais da saúde a perspectiva de atuação tradicional de atenção à família, onde é priorizado o atendimento individual, fragmentando o indivíduo no processo saúde-doença negligenciando suas crenças, valores e das relações com outros membros e com o meio social, ocasionando perda da integralidade do cuidado. Em decorrência dessa situação o MS recomenda a utilização de ferramentas que possibilitem a compreensão da estrutura familiar, entre elas o Genograma que é um modelo de representação familiar que aborda informações sobre a história de vida do indivíduo e suas relações internas familiares cuja interpretação pode contribuir para ampliar o vínculo entre o profissional de saúde e a família, tornando-se uma prática integradora nas Estratégias de Saúde da Família (ESF). Para o fisioterapeuta, o Genograma pode contribuir para melhor compreensão do ambiente onde o indivíduo está inserido e possibilitar uma abordagem domiciliar mais qualificada, permitindo uma maior interação com outros profissionais de saúde, ampliando os cuidados pensando no indivíduo como um todo. Objetivo: Identificar e analisar a representação estrutural da família a partir da construção do Genograma de pessoas atendidas por serviço de Fisioterapia em uma ESF. Metodologia: Estudo de natureza transversal descritiva realizado com quatro famílias com membro familiar com Acidente Vascular Encefálico (AVE) atendido por serviço de Fisioterapia de uma ESF de Presidente Prudente-SP. Na entrevista foi elaborado um questionário semiestruturado baseado no modelo Calgary de Avaliação da Família, cujas questões exploravam informações familiares de cinco gerações (uma ascendente, uma colateral e três descendentes) com dados sobre nome, idade, doenças associadas, data e causa da morte e de quem residia no domicílio. A partir dos dados obtidos, foi realizada a construção gráfica do Genograma utilizando-se o Software Genopro 2018. Resultado: O Genograma identificou que a) a composição familiar atual de três famílias era de três gerações e de uma quatro gerações, com os ascendentes já tendo ido à óbito; b) a dinâmica familiar indicou que essas pessoas residiam com somente um membro familiar exceto em uma família em que residiam membros de duas gerações, sendo que em todos os casos havia apenas um cuidador (filho, cônjuge ou irmão); c) houve predomínio de doenças crônicas entre os membros de quatro gerações, como Diabetes, Hipertensão Arterial Sistêmica, AVE e Câncer. Conclusão: A elaboração do Genograma contribuiu para tornar possível a identificação de doenças na família dos indivíduos de caráter genético ou multifatorial, permitindo visualizar um padrão familiar de ocorrência de doenças crônicas evitáveis indicando a importância de ações de caráter preventivo a serem tomadas pela equipe de saúde para os familiares que ainda não apresentam essas doenças. Além disso, foi possível observar que, embora a estrutura familiar seja extensa e complexa (composta por várias gerações) as relações se mostraram restritas a um único indivíduo, que desempenhava o papel de cuidador indicando relações familiares enfraquecidas, que pode prejudicar a integralidade do cuidado que na atenção domiciliar se baseia na cooperação entre a equipe de saúde, familiares, cuidador e pessoa cuidada para a elaboração de ações de saúde mais eficientes.

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A revista Cadernos de Educação, Saúde e Fisioterapia foi avaliada como B2 na área de Ensino, B3 na área de Serviço Social, B4 nas áreas de Saúde Coletiva, Interdisciplinar, Enfermagem e Educação Física e B5 na área de Medicina II e Arquitetura, Urbanismo e Design no QUALIS/CAPES - Quadriênio 2013-2016.