PREVALÊNCIA DE SINAIS E SINTOMAS RELACIONADOS À NEUROPATIA E À VASCULOPATIA DOS PÉS DE INDIVÍDUOS COM DIABETES MELLITUS ATENDIDOS EM UMA ESTRATÉGIA DE SAÚDE DA FAMÍLIA

Lorrany Caroline Rocha dos Santos, Fernanda Vieira Bezerra, Ana Paula Barroca Silva, Isabela Lins Freitas, Ana Lúcia de Jesus Almeida, Renilton José Pizzol

Resumo


Introdução: O Diabetes Mellitus (DM) é grande problema de saúde pública e está associado a fatores como sedentarismo, excesso de peso, maus hábitos de vida e alimentares e que pode levar a várias complicações, entre as quais, o Pé Diabético, que é responsável por grande número de amputações não traumáticas. Por essa razão, o Ministério da Saúde (MS) recomenda que, ao atender diabéticos nas unidades de saúde a equipe realize avaliações periódicas dos pés desses indivíduos para identificar precocemente sinais/sintomas neurológicos e vasculares associados ao Pé Diabético. Como parte integrante da equipe de saúde, o fisioterapeuta pode realizar essa avaliação, visto que possui conhecimento metodológico para identificar alterações associadas à neuropatia e à vasculopatia e assim, contribuir para a detecção precoce dessa complicação. Objetivo: Identificar alterações neurológicas e vasculares nos pés de indivíduos com DM atendidos em uma Estratégia de Saúde da Família. Metodologia: Estudo de natureza descritiva transversal com indivíduos diabéticos atendidos em uma Estratégia de Saúde da Família de Presidente Prudente-SP. Para a identificação de indícios de neuropatia e vasculopatia nos pés foi elaborada Ficha de Avaliação baseada no Manual do Pé Diabético do MS contendo informações sobre dados pessoais, histórias tabágica e de úlcera prévia, dados: clínicos [dor/desconforto do tipo queimação e formigamento (relacionada à neuropatia) e sensação de câimbra (relacionada à vasculopatia)]; da avaliação das sensibilidades: superficial por meio de estesiômetro de 10 gramas e profunda pelo diapasão de 128 Hz e da avaliação da circulação periférica por meio da palpação dos pulsos pedioso e tibial posterior. Resultado: Avaliados 35 indivíduos: 27 (77,1% do total) do sexo feminino e oito (22,8%) do masculino; idade de 69,1 ± 8,2 anos; 30 (85,7%) nunca fumaram e cinco (14,2%) fumantes; 34 (97,1%) sem histórico de úlcera prévia e um (2,8%) com histórico; 21 (60,0%) com relato de dor/desconforto e 14 (40,0%) sem relato; 24 (68,5%) com sensação de câimbras e 11 (31,4%) não. Na sensibilidade superficial, 23 (65,7%) sem alteração de sensibilidade e 12 (34,2%) com alteração; na avaliação da sensibilidade profunda 23 (65,7%) com alteração e 12 (34,2%) sem alteração. Na avaliação circulatória 18 (51,4%) apresentaram pulso normal e 17 (49,6%) diminuição e/ou ausência de pulso. Conclusão: A avaliação indicou baixa prevalência de fatores de risco do Pé Diabético como tabagismo e história de úlcera prévia na população estudada. Quanto aos indícios de neuropatia observou-se alta prevalência de dor/desconforto e de alteração na sensibilidade profunda indicando perda da sensibilidade protetora dos pés que pode levar a ferimentos que podem evoluir para feridas mais profundas e amputação. Em relação à vasculopatia observou-se alta prevalência da sensação de câimbra e diminuição/ausência de pulso indicando alteração vascular e má circulação periférica. Os resultados indicam que a avaliação dos pés de indivíduos com DM é fundamental para detecção precoce de sinais/sintomas relacionados ao Pé Diabético e a elaboração de uma metodologia de avaliação pode contribuir na conduta voltada para encaminhamento especializado e/ou nas orientações para o auto-cuidado com os pés, que são consideradas pelo MS estratégias-chave na prevenção do Pé Diabético.

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A revista Cadernos de Educação, Saúde e Fisioterapia foi avaliada como B2 na área de Ensino, B3 na área de Serviço Social, B4 nas áreas de Saúde Coletiva, Interdisciplinar, Enfermagem e Educação Física e B5 na área de Medicina II e Arquitetura, Urbanismo e Design no QUALIS/CAPES - Quadriênio 2013-2016.