PERFIL SOCIODEMOGRÁFICO, EPIDEMIOLÓGICO, DE SAÚDE CLÍNICA E FUNCIONAL DOS PACIENTES EM TRATAMENTO NO AMBULATÓRIO DE ORTOPEDIA, TRAUMATOLOGIA E REUMATOLOGIA DE UMA CLÍNICA ESCOLA: UM ESTUDO DESCRITIVO

Ana Luiza de Oliveira Souza, Angélica Rodrigues Araújo, Fernanda Rafaella dos Santos Gomes, Márcia Luciane Drumond das Chagas e Vallone, Rafaela França Barcellos

Resumo


Introdução: Políticas públicas são conjuntos de programas, ações e decisões tomadas pelos governos nacional, estadual ou municipal que afetam todos os cidadãos. No Brasil, o direito à saúde é viabilizado por meio do Sistema Único de Saúde (SUS), que em seus princípios organizativos propõe a descentralização da coordenação, regionalização do atendimento e hierarquização dos serviços, defendendo a universalidade, equidade, integralidade e a participação social. O perfil epidemiológico atual dos brasileiros, com o predomínio de doenças crônicas, tem demandado estudos sobre a qualidade das intervenções nos serviços de saúde, servindo de guia inicial para alterações ou desenvolvimento de novas ações que modifiquem padrões associados ao desencadeamento, agravos ou estagnação das doenças e suas disfunções. É de suma importância conhecer o perfil dos pacientes, a prevalência das condições de saúde e as incapacidades advindas das mesmas, para que os meios de assistência específica sejam aprimorados, garantindo um atendimento eficaz aos usuários. Objetivo: Descrever o perfil sociodemográfico, epidemiológico, de saúde clínica e funcional dos pacientes em tratamento em uma Clínica-Escola, possibilitando identificar potencialidades e fragilidades nos processos de trabalho, a partir do reconhecimento do público assistido e da mediação com o proposto nas políticas de atenção à saúde. Metodologia: Trata-se de um estudo de caráter descritivo-exploratório, realizado a partir dos prontuários de pacientes em tratamento e/ou admitidos no ambulatório de Fisioterapia nas Disfunções Ortopédicas, Traumatológicas e Reumatológicas de uma Clínica-Escola, no período de fevereiro a maio de 2019. Os dados de 42 prontuários foram compilados no MicrosoftExcel®2010 utilizando-se a ferramenta "Tabela Dinâmica". A planilha incluía dados de identificação, endereço, Regionais Municipais, Condição de Saúde Principal, Sexo, Idade, Data Admissional, Tempo de Tratamento, Tratamentos Prévios no Presente Ambulatório, Retorno, Alta, Tipo de Alta, Estado Civil, Escolaridade, Demais Condições de Saúde, Fatores Pessoais, Principais Deficiências, Principal Limitação de Atividade e de Restrição de Participação, Fatores Ambientais e Pessoais. Resultado: Predominância do gênero feminino, >55 anos, ensino médio completo, sedentários, maior acometimento na região lombar, sendo hipertensão arterial a comorbidade mais associada, o alcance e manipulação foram as principais limitações de atividades encontradas, força muscular foi a mais prevalente dentre as deficiências e recreação/lazer, a maior restrição à participação. Após caracterização do perfil dos pacientes foi realizada a correlação das principais demandas levantadas com as diretrizes das Políticas Públicas em Saúde responsivas à real necessidade da população analisada. Observou-se a possibilidade de encaminhamento à Rede de Atenção Psicossocial e Práticas Integrativas e Complementares em Saúde, considerando a presença do componente emocional, o que interfere no tratamento físico e nas condições de saúde crônicas, reduzindo a demanda da atenção secundária e facilitando a integração ao controle do tratamento prestado, encaminhamentos e frequência dos usuários do SUS. Conclusão: Evidenciou-se não somente as necessidades de caráter físico, mas todo o contexto biopsicossocial dos pacientes. Ressaltando a necessidade da contínua avaliação do perfil-demanda da presente Clínica-Escola, visando o aperfeiçoamento e o planejamento de novas estratégias promotoras de saúde, aliando-se às já existentes Políticas Públicas, a fim de criar uma rede de apoio para os usuários tornando os atendimentos da atenção secundária ainda mais resolutivos.

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A revista Cadernos de Educação, Saúde e Fisioterapia foi avaliada como B2 na área de Ensino, B3 na área de Serviço Social, B4 nas áreas de Saúde Coletiva, Interdisciplinar, Enfermagem e Educação Física e B5 na área de Medicina II e Arquitetura, Urbanismo e Design no QUALIS/CAPES - Quadriênio 2013-2016.