ESPIRITUALIDADE EM SAÚDE: INTEGRALIDADE DO CUIDADO E PREVENÇÃO DO PENSAMENTO SUICIDA

Elisa Sonehara de Morais, Thatiane Guedes de Oliveira Machado, Tacyanne Bilro de Miranda, Ana Paula Sabino de Medeiros Neves, Stênio Medeiros de Carvalho, Célia Pereira de Melo Gomes, Noeme Beatriz Dantas de Paiva, Ruy Medeiros de Oliveira

Resumo


Introdução: A Organização Mundial de Saúde, incluiu a dimensão espiritual no conceito multidimensional de saúde, remetendo a questões como significado e sentido da vida e considera que a espiritualidade é o conjunto de todas as emoções e convicções de natureza não material, com a suposição de que há mais no viver do que pode ser percebido ou plenamente compreendido. Além disso, entendendo-se que a integralidade do cuidado é um modelo de cuidado humanizado e holístico que abrange todas as dimensões do homem, considerando-o como um ser biopsicossocial e espiritual. É necessário, portanto, transcender o cuidado apenas do corpo biológico. O exercício da fé e a prática da religiosidade são estratégias, muitas vezes utilizadas, pelas mães de bebês hospitalizados, como forma de lidar com um longo período de internação e sentimentos de culpa, raiva, ansiedade, medo, impotência, tristeza favorecendo a pensamentos negativos nas mães com tendência à depressão. Nesta perspectiva, buscam-se novas maneiras de pensar a prática do cuidar voltadas para a humanização e a subjetividade na atenção à saúde no ambiente hospitalar, numa visão mais integrada do ser humano. A espiritualidade exercida pelos profissionais junto aos pacientes proporciona sentido ao seu trabalho, facilitando a formação de vínculos entre equipe e família. Descrição: Foram conduzidas 43 rodas de conversas semanais, no período de junho de 2018 a junho de 2019, com as mães, acompanhantes e familiares dos recém-nascidos de risco internados na Unidade de Cuidados Intermediários Canguru e Unidade de Terapia Intensiva Neonatal. As atividades foram conduzidas por uma equipe multiprofissional, formada por de psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeuta ocupacional e equipe de enfermagem sendo abordados temas como: amor, cuidado, união, confiança, alegria, gratidão, medo, fé, paciência, esperança e perdão. Foram utilizadas dinâmicas, musicalidade, leitura/reflexão de textos bíblicos e oração. Impactos: O exercício da espiritualidade tornou os profissionais mais sensíveis às necessidades dos pacientes, viabilizando um modelo de cuidado mais abrangente. Ao considerar a dimensão da espiritualidade, os trabalhadores passaram a cuidar além do visível, assumindo assim uma atitude moral e ética diante da dor e do sofrimento alheio, oferecendo uma atenção humanizada. E as mães relataram que saíram mais fortalecidas pela Fé, afastando os pensamentos negativos contra a própria Vida, encontrando um sentido para viver e enfrentar as adversidades durante o internamento prolongado dos seus filhos. Considerações: Embora os profissionais de saúde reconheçam a importância da espiritualidade, frequentemente observam-se dificuldades em oferecer esse cuidado, principalmente pela falta de conhecimento e pelo desconforto em abordar o tema. Nesta perspectiva, entende-se ser imprescindível superar o modelo biomédico ainda vigente em saúde, através de uma prática de cuidado integral. Torna-se necessário prestar um serviço de qualidade, que possibilite a abertura para a escuta e o partilhar de angústias, favorecendo assim o entendimento do processo pelo qual os familiares dos bebês de risco estão passando e facilitando a busca de sentido para o sofrimento advindo da enfermidade através da dimensão espiritual.

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A revista Cadernos de Educação, Saúde e Fisioterapia foi avaliada como B2 na área de Ensino, B3 na área de Serviço Social, B4 nas áreas de Saúde Coletiva, Interdisciplinar, Enfermagem e Educação Física e B5 na área de Medicina II e Arquitetura, Urbanismo e Design no QUALIS/CAPES - Quadriênio 2013-2016.