DESENVOLVIMENTO DO RACIOCÍNIO CLÍNICO NO PROCESSO DE ENSINO-APRENDIZAGEM DA PERSPECTIVA DA CIF- UM RELATO DE EXPERIÊNCIA

Gabriel Spinelli Maccari, Mauro Antônio Félix

Resumo


Introdução: A perspectiva da Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde (CIF), surge como um facilitador do processo de ensino-aprendizagem em Fisioterapia, classificando não apenas as patologias, mas as condições em saúde numa perspectiva de integralidade. Além disso, a CIF revoluciona o olhar do fisioterapeuta ao propor uma visão sobre as funções do corpo, as estruturas do corpo, a atividade de participação e os fatores ambientais (físico, social e atitudinal) do sujeito. Ao relatar o desenvolvimento do raciocínio clínico, percebeu-se que o alunos estabelecem maior precisão diagnóstica e melhores condutas fisioterapêuticas de intervenção com base na funcionalidade.A análise da deficiência de movimento, valência fundamental daqueles que utilizam de terapias manuais como tratamento, pode ser muito beneficiada através do seguinte raciocínio: Qual função está alterada?; Qual estrutura foi acometida para gerar esta alteração de função?; Como essa disfunção repercute sobre a atividade e participação deste indivíduo acometido?; Quais os fatores ambientais podem surgir como barreiras ou facilitadores para realizar a atividade e participação do sujeito.A partir desta estratégia de raciocínio a consolidação da avaliação, do diagnóstico fisioterapêutico e estabelecimento de um Plano de Cuidado com intervenções e prognóstico, fica favorecido na formação profissional. Descrição: Durante o ano de 2018, ao acompanhar como monitor a atividade acadêmica de Terapias Manuais II que possuía como estratégia de raciocínio o modelo da CIF. Foi possível participar do processo de aprendizagem dos alunos com uma percepção diferente da usual, devido ao vínculo criado enquanto monitor, que proporcionava uma visão por vezes diferente da que era passada diretamente dos alunos para o professor. Isto por sua vez, mediava a interação aluno-professor, assim compreendendo as dificuldades ou facilidades dos alunos no desenvolvimento da avaliação e diagnóstico. Destaca-se ainda, que os elementos contidos na estrutura da CIF desenvolvem o raciocínio dos acadêmicos, visto que organizam a forma de pensar e onde encaixar cada queixa, sinal ou sintoma e condição de saúde trazidos pelos pacientes. Impactos: Tal estratégia de ensino mostra-se como um potencializador do processo de aprendizagem, tornando mais claro e objetivo o Processo Diagnóstico, assim favorecendo a tomada de decisões ao escolher recursos fisioterapêuticos com base em técnicas (articulares, miofasciais, neurodinâmicas e viscerais) ou se a intervenção deve ocorrer nos fatores ambientais ou na forma como o sujeito realiza sua atividade e participação.Apesar da facilidade proporcionada pela CIF no desenvolver do raciocínio e a formação de um olhar interprofissional, pode-se citar como barreira seu amplo sistema de códigos, que dificulta seu manuseio. Em contrapartida, a partir do momento que se pratica sua forma de raciocínio, a parte de codificação torna-se um obstáculo pequeno visto todo o ganho que a CIF pode trazer ao processo de ensino-aprendizagem. Considerações: O uso da CIF impacta positivamente no Processo Diagnóstico, fazendo com que os alunos organizem sua forma de pensar levando-os a melhor escolha de recursos terapêuticos e consequentemente desempenhem uma melhor intervenção, gerando maior efetividade na reabilitação. A universalização da CIF é de grande importância para que atinja maior amplitude e esclarecimento no desenvolver do raciocínio clínico.

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A revista Cadernos de Educação, Saúde e Fisioterapia foi avaliada como B2 na área de Ensino, B3 na área de Serviço Social, B4 nas áreas de Saúde Coletiva, Interdisciplinar, Enfermagem e Educação Física e B5 na área de Medicina II e Arquitetura, Urbanismo e Design no QUALIS/CAPES - Quadriênio 2013-2016.