DESAFIOS NO TRABALHO DE EDUCAÇÃO EM SAÚDECOM FAMÍLIAS ENVOLVIDAS COM O COMÉRCIO DE EXPLORAÇÃO SEXUAL: (DES)CONSTRUÇÃO DE (PRE) CONCEITOS

Erica de Moraes Santos Corrêa, André Luis Grégio Bezerra, Leila Simone Foerster Merey

Resumo


INTRODUÇÃO: Historicamente, a mulher enfrenta na sociedade maior fragilidade social que o homem. A prostituição é um fator de risco que corrobora à marginalização e discriminação ainda maior das mulheres e famílias envolvidas neste meio. Desta maneira, o acesso e criação de vínculo com este grupo, por parte dos profissionais e estudantes da área da saúde, constitui-se como grande desafio. DESCRIÇÃO DA EXPERIÊNCIA:Identificar os entraves na construção do relacionamento academia/comunidade em grupos de maior vulnerabilidade e relacionar com a exclusão gerada pelo preconceito culturalmente associado à prostituição. Foram avaliadas 26 mulheres participantes de um projeto social desenvolvido, na cidade de Campo Grande/MS, para famílias em situação de risco e exploração sexual. As entrevistas foram semi estruturadas e realizadas durante dois finais de semana consecutivos, e contiveram questões sobre Saúde, Educação, Perfil Social e Estilo de Vida. Os dados foram analisados quantitativamente. Foram identificadas, com a pesquisa, as principais carências e, a partir delas, elaborado um plano de ações e atividades que buscaram minimizá-las. IMPACTOS: Durante o tempo em que o trabalho foi desenvolvido, foi possível identificar a evolução do relacionamento e confiança entre as mulheres do grupo e os acadêmicos, que, no início, era limitada por conta do medo de exposição e falta de vínculo. Ao final, este panorama alterou-se, devido ao acompanhamento contínuo necessário para desenvolver as atividades. Houve a desmistificaçãoda imagem do acadêmico e profissional da área da saúde como detentor único do conhecimento, com troca de experiências e saberes. Para os acadêmicos, a vivência alavancou uma discussão sobre como a saúde e estilo de vida estão intrinsicamente ligados a questões culturais e sociais e refletem na qualidade de vida dos indivíduos. CONSIDERAÇÕES FINAIS: observou-se que as limitações iniciais quando se trabalha com grupos em maior risco social demanda uma maior atenção e tempo, com visão ampliada de integralidade e escuta qualificada, com desconstrução e reconstrução de maneiras e compartilhamento de saberes. Por trás da desigualdade social e preconceito há sofrimento, medo, humilhação, mas há também o extraordinário milagre humano da vontade de ser feliz e recomeçar onde qualquer esperança pareça morta.

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A revista Cadernos de Educação, Saúde e Fisioterapia foi avaliada como B2 na área de Ensino, B3 na área de Serviço Social, B4 nas áreas de Saúde Coletiva, Interdisciplinar, Enfermagem e Educação Física e B5 na área de Medicina II e Arquitetura, Urbanismo e Design no QUALIS/CAPES - Quadriênio 2013-2016.