O ACOLHIMENTO: UM DESAFIO DA RESIDÊNCIA EM FISIOTERAPIA

Ingrid Schmidt Gonçalves

Resumo


Introdução: O acolhimento, uma diretriz da Política Nacional de Humanização, é um processo que pode ser realizado por todos profissionais da Atenção Básica de Saúde sendo caracterizado como uma escuta qualificada. Por meio deste há uma vinculação do usuário com o serviço de saúde que permite a identificação das singularidades do sujeito.Durante a residência, uma das atividades típicas é realizar o acolhimento dos usuários. Porém a formação da fisioterapia, ainda, é algo centrado em atendimento metódicos voltados à solução do problema específico. Esse processo do acolher o usuário traz muitos aprendizados, inseguranças, frustrações, conquistas e construções. Descrição: Um turno por semana fui alocada na agenda do acolhimento. O usuário era chamado para sala de acolhimento e ouvido, expondo a demanda que o trouxe à unidade. A maioria dos pacientes chegavam com quadros agudos como gripes, resfriados, vômitos e algum mal estar. No primeiro momento eu aferia sinais vitais (pressão arterial, temperatura, ausculta pulmonar) e realizava a coleta de dados como o início dos sintomas e se houve uso de alguma medicação. Nestes casos, eu sempre realizava uma interconsulta com o auxílio de outro profissional- enfermeira ou médica, que realizava a prescrição de alguma medicação, se necessário, e, em parceria, realizávamos orientações de cuidados como hidratação e higiene nasal. Havia também os pacientes que vinham com resultados de exames. Nestes casos, eu avaliava os resultados e passava as orientações necessárias quanto à alimentação, aos hábitos de exercícios físicos, aos cuidados a serem tomados, e em caso de alteração realizava interconsulta com outro profissional para verificar se havia necessidade de uso de alguma medicação. Os casos mais desafiadores foram representados pelos pacientes que vieram à unidade devido aos sofrimentos psíquicos. A grande demanda da saúde mental e a falta de fluxo adequado na rede, devido à escassez de profissionais e serviços, gera um problema. Nesses casos, eu busquei a residente de psicologia que me instrumentalizou como realizar uma escuta qualificada. Posteriormente, discutimos com a equipe formas de atender estes pacientes, seja com encaminhamentos para outros serviços, seja com o atendimento individual ou em grupos na unidade. Impactos: Aprender a ouvir o paciente e, de fato realizar o acolhimento, perceber as culturas, vivências, dúvidas e certezas dos usuários constrói diariamente um profissional diferente. Aprendemos no ambiente acadêmico como tratar joelhos, braços e coluna com todas suas tecnologias necessárias, porém não aprendemos o que fazer com todas outras demandas trazidas pela pessoa que apresenta a dor, apenas, como mais um sintoma de todo contexto social, cultural e corporal. Esse processo novo extrapola nossa zona de conforto técnica gerando muita insegurança. As interconsultas com os profissionais da equipe foram, e ainda são, fundamentais para a formação diária em serviço. Considerações: O fazer em saúde mostra-se fluído, dinâmico e em constante movimento. Estar apto a trabalhar com tecnologias leves, aprender com o usuário e trocar conhecimento gera uma maior possibilidade de sucesso em qualquer tratamento. Além de realizar a escuta é necessário realizar o acolhimento.

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A revista Cadernos de Educação, Saúde e Fisioterapia foi avaliada como B2 na área de Ensino, B3 na área de Serviço Social, B4 nas áreas de Saúde Coletiva, Interdisciplinar, Enfermagem e Educação Física e B5 na área de Medicina II e Arquitetura, Urbanismo e Design no QUALIS/CAPES - Quadriênio 2013-2016.