USO DE CHATBOTS COMO FERRAMENTA DE METODOLOGIA ATIVA NA DISCIPLINA DE FISIOTERAPIA NEUROFUNCIONAL: RELATO DE EXPERIÊNCIA

Vagner Wilian Batista e Sá

Resumo


Introdução: Agentes de conversação ou chatbots utilizam a inteligência artificial para promoverem uma interface de processamento de linguagem natural para usuários. A literatura especializada indica o uso de chatbots em diversas áreas desde a década de 70, porém há ainda pouca exploração desta ferramenta no ensino de uma forma geral e também na graduação em fisioterapia. Por outro lado, cada vez mais o docente é estimulado, com base nas diretrizes curriculares nacionais dos cursos de graduação da área da saúde, a colocar o aluno no papel central do processo de ensino-aprendizagem, ficando na maioria das vezes a cargo do docente e/ou colegiado, pensar estratégias que possam mediar ou facilitar o processo de aprendizagem do aluno. Descrição: O curso de fisioterapia da Universidade Estácio de Sá (RJ), possui disciplinas básicas e complexas distribuídas em 10 semestres, perfazendo mais de 4000 horas de aprendizagem teórico-prática, preparando o egresso para atuar em diversas áreas do conhecimento do fisioterapeuta. Dentre essas disciplinas, destaca-se a fisioterapia neurofuncional com elevado grau de desafios vivenciados pelo aluno, como a entrada no universo prático, seja por meio dos espaços acadêmicos e projetos de extensão, seja nas clínicas escolas, avaliando e tratando de usuários com disfunções neurofuncionais. Isto posto, foi desenvolvido, pelo docente da disciplina, um chatbot de processamento de linguagem natural do tipo chatbot utilizando arquitetura open source (https://blip.ai/) de inteligência artificial para aumentar a interação de estudantes do curso de fisioterapia com a disciplina de fisioterapia neurofuncional. Na primeira fase da estratégia, o docente elaborou um roteiro de estudo baseado no livro texto adotado pela instituição de ensino, e que serve de referência básica para o aprendizado no semestre com conteúdo robusto, divididos por categorias como: avaliação neurológica básica, técnicas e doenças neurológicas. Em seguida, publicou-se o chatbot (NeuroBotFun) numa rede social para que os alunos interagissem com a ferramenta a fim de testá-la para correção de bugs. Impactos: Descobriu-se vantagem na aceitação e no uso de tecnologias ativas baseadas na inteligência artificial com o uso de chatbots, por ser uma ferramenta amplamente conhecida e utilizada pela maioria dos discentes da chamada geração Y ou millenials que nasceram na década de 80, em plena expansão da internet e aplicativos de comunicação. Outro fato importante foi o relato do docente da disciplina de fisioterapia neurofuncional, que observou uma maior interação da turma com os tópicos abordados na aula, com frequente menções dos alunos às conversas com o robô apelidado de NeuroBotFun, indicando que houve a experimentação, aceitação e interação entre Homem e máquina. Considerações: Atualmente, a construção de chatbots por não especialistas em desenvolvimento de sistemas está facilitada em plataformas gratuitas ou de baixo custo disponíveis na web. Deste modo, a implementação da inteligência artificial em conjunto com as ferramentas de ensino hibrido e metodologias ativas, poderá facilitar o processo de ensino-aprendizagem entre os discentes da graduação de fisioterapia. Estudos futuros irão explorar a relação entre as diversas variáveis que envolvem os processos de aquisição, retenção e melhora de habilidades necessárias ao egresso dos cursos de graduação.

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A revista Cadernos de Educação, Saúde e Fisioterapia foi avaliada como B2 na área de Ensino, B3 na área de Serviço Social, B4 nas áreas de Saúde Coletiva, Interdisciplinar, Enfermagem e Educação Física e B5 na área de Medicina II e Arquitetura, Urbanismo e Design no QUALIS/CAPES - Quadriênio 2013-2016.