FATORES SOCIOAMBIENTAIS E MÍDIA: EXPOSIÇÃO E INFLUÊNCIA AO TABAGISMO E USO DE DROGAS NA INFÂNCIA

Janainny Magalhães Fernandes, Vinicius Santos Sanches, Nayara de Araújo Muzili, Gustavo Christofoletti

Resumo


Objetivos: Analisar diversos fatores de risco que levam crianças a experimentarem o cigarro e outras drogas psicoativas, e investigar a faixa etária em que elas fizeram o uso destas. Métodos: Estudo transversal, com população de referência escolares do ensino fundamental de escolas públicas do município de Campo Grande – MS. Utilizou-se de um questionário estruturado autoaplicável com questões que envolviam diversos aspectos da vida dos escolares referentes ao tabagismo. Os resultados foram analisados pelos testes ANOVA e qui-quadrado, considerando nível de significância de 5% (p<0,05). Resultados: Foram entrevistadas 331 crianças com idade média de 10,93±0,12 anos, em que 13,3% (n=44) já haviam experimentado cigarro. A idade média de experimentação foi de 11,56±0,41 anos. As crianças que haviam experimentado cigarro relataram apresentar amigos fumantes (p<0,001), ter comprado cigarro sem dificuldades (p<0,001), ver frequentemente na mídia pessoas que fumam (p<0,001), além de associarem o hábito tabágico à bebida alcoólica (p<0,001) e ao narguilé (p<0,001). O uso de maconha posterior ao tabaco foi confirmado por 1,81% dos entrevistados. O aspecto psicológico, associado à sensação de aceite em grupo, foi vinculado ao uso do cigarro. Conclusão: Entre os fumantes, vincula-se a ideia de aceite psicossocial em grupo, refletindo uma visão antiga na qual os malefícios de tais substâncias eram negligenciados. As drogas lícitas podem ser porta de entrada para o uso de substâncias ilícitas, e as políticas públicas de combate ao tabagismo devem ampliar a fiscalização de compra e venda de cigarros, além da exposição de personagens tabagistas na mídia.


Palavras-chave


Tabagismo. Criança. Drogas ilícitas.

Texto completo:

PDF

Referências


World Health Organization. Report on the global tobacco epidemic, 2011: warning about the dangers of tobacco. World Health Organization; 2011. 158p.

Rodrigues MC, Viegas CAA, Gomes EL, Morais JPMG, Zakir JCO. Prevalência do tabagismo e associação com o uso de outras drogas entre escolares do Distrito Federal. J bras pneumol. 2009;35(10): 986-91.

Carmo JT, Andres-Pueyo A, Lopez EA. La evolución del concepto de tabaquismo. Cad Saúde Pública. 2005;21(4): 999-1005.

Barreto SM, Giatti L, Casado L, Moura L, Crespo C, Malta DC. Exposição ao tabagismo entre escolares no Brasil. Ciênc Saúde Coletiva. 2010;15(Supl.2):3027-34.

Mashita RJ, Themane MJ, Monyeki KD, Kemper HCG. Current smoking behaviour among rural South African children: Ellisras Longitudinal Study. BCM Pediatrics. 2011;11:58.

Costa MCO, Alves MVQM, Santos CAST, Carvalho RC, Souza KEP, Sousa HL. Experimentação e uso regular de bebidas alcoólicas, cigarros e outras substâncias psicoativas/SPA na adolescência. Ciênc Saúde Coletiva. 2007;12(5):1143-54.

Müller-Riemenschneider F, Rasch A, Bockelbrink A, Vauth C, Willich SN, Greiner W. Effectiveness and cost-effectiveness of behavioural strategies in the prevention of cigarette smoking. GMS Health Technology Assessment. 2008;4.

Instituto Nacional do Câncer. Tabagismo um grave problema de saúde pública. 1.ed. Instituto Nacional de Câncer; 2007. 24p.

Cardenal CA, Adeli MN. Predictores de la iniciación al consumo de tabaco en escolares de enseñanza secundaria de Barcelona y Lleida. Rev. Esp. Salud Publica. 2002;76(3).

Jarvis MJ. Why people smoke. BMJ Journal. 2004;328(7434):277-9.

Pinto DS, Ribeiro SA. Variáveis relacionadas à iniciação do tabagismo entre estudantes do ensino médio de escola pública e particular na cidade de Belém - PA. J. bras. pneumol.2007; 33(5): 558-64.

Burton D, Graham JW, Johnson CA, Uutela A, Vartiainen E, Palmer RF. Perceptions of Smoking Prevalence by Youth in Countries With and Without a Tobacco Advertising Ban. Health Commun. 2010;15(6):656–64.

Andrews JA, Hampson SE, Barckley M, Gerrard M, Gibbons FX. The Effect of Early Cognitions On Cigarette and Alcohol Use in Adolescence. Psychol Addict Behav. 2008;22(1): 96–106.

Pärna K, Usin J, Ringmets I. Cigarette and waterpipe smoking among adolescents in Estonia: HBSC survey results, 1994–2006. BMC Public Health. 2008;8:392.

Iglesias R, Jha P, Pinto M, Costa E Silva VL, Godinho J. Controle do Tabagismo no Brasil. Departamento de Desenvolvimento Humano Região da América Latina e do Caribe Banco Mundial e Departamento de Saúde, Nutrição e População Rede de Desenvolvimento Humano - Banco Mundial. 2007.

Kristjansson AL, Sigfusdottir ID, Allegrante JP. Adolescent substance use and peer use: a multilevel analysis of cross-sectional population data. Substance Abuse Treatment, Prevention, and Policy. 2013;8:27.

Projeto Itc. Relatório ITC do Brasil sobre Propaganda, Promoção e Patrocínio de tabaco. Ontário: Universidade de Waterloo; Ministério da Saúde, Instituto Nacional de Câncer; Ministério da Justiça, Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas; Fundação do Câncer; Aliança de Controle do Tabagismo; Fundação Oswaldo Cruz, Centro de Estudos sobre Tabaco e Saúde; 2013. 34 p.

Amos A, Greaves L, Nichter M, Bloch M. Women and tobacco: a call for including gender in tobacco control research, policy and practice. Tob Control.. 2012;21(2): 236-43.

Shott S. Statistics for health professionals. London: W.B. Saunders Company; 1990.

Abreu MNS, Souza CF, Caiaffa WT. Tabagismo entre adolescentes e adultos jovens de Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil: influência do entorno familiar e grupo social. Cad Saúde Pública. 2011;27(5).

Fraga S, Elisabete R, Barros H. Uso de Tabaco por Estudantes Adolescentes Portugueses e Fatores Associados. Rev Saúde Pública. 2006; 40 (4): 620-26.

Ministério da Saúde (BR). Ministério da Justiça (BR). Ministério da Comunicação (BR). Portaria Interministerial n. 477, de 24 mar. 1995.

Estatuto da criança e do adolescente (1990) (BR). Estatuto da criança e do adolescente. 7.ed. Brasília : Câmara dos Deputados, Edições Câmara; 2010. 225 p. Série legislação ; n. 25

Action On Smoking Health. Tobacco Advertising & Promotion in the UK. ASH Fact Sheet. 2012.

Leeuw RNH, Sargent JD, Stoolmiller M, Scholte RHJ, Engels RCME, Tanski SE. Association of Smoking Onset With R-Rated Movie Restrictions and Adolescent Sensation Seeking. Pediatrics. 2011;127 (1).

Hanewinkel R, Sargent JD. Exposure to Smoking in Internationally Distributed American Movies and Youth Smoking in Germany: A Cross-cultural Cohort Study. Pediatrics . 2008;121(1).

Dauphinee AL, Doxey JR, Schleicher NC, Fortmann SP, Henriksen L. Racial differences in cigarette brand recognition and impact on youth smoking. BMC Public Health. 2013;13:170.

Boeira SL. Indústria de tabaco e cidadania: confronto entre redes organizacionais. Rev. adm. empres.. 2006;46(3).

Baggio AS, Studera J, Mohler-Kuob M, Daeppena JB, Gmel G. Profiles of drug users in Switzerland and effects of early-onset intensive use of alcohol, tobacco and cannabis on other illicit drug use. Swiss Med Wkly. 2013;143.

Mrug S, Gaines J, Su W, Windle M. School-Level Substance Use: Effects on Early Adolescents' Alcohol, Tobacco, and Marijuana Use. J Stud Alcohol Drugs. 2010;71(4): 488–95.

Barradas L. Exposição involuntária ao fumo do tabaco em crianças. Tabagismo nos jovens. Rev Port Pneumol. 2011;17:3-4.




DOI: https://doi.org/10.18310/2358-8306.v1n2p43

Apontamentos

  • Não há apontamentos.


A revista Cadernos de Educação, Saúde e Fisioterapia foi avaliada como B2 na área de Ensino, B3 na área de Serviço Social, B4 nas áreas de Saúde Coletiva, Interdisciplinar, Enfermagem e Educação Física e B5 na área de Medicina II e Arquitetura, Urbanismo e Design no QUALIS/CAPES - Quadriênio 2013-2016.