AÇÕES INTERDISCIPLINARES NA ESCOLA: ARTICULAÇÕES SERVIÇO, COMUNIDADE E UNIVERSIDADE

Thatiane Lopes Valentim Di Paschoale Ostolin, Fernanda Flávia Cockell

Resumo


INTRODUÇÃO: Advinda de demanda do próprio campo e sob consentimento da coordenação da escola municipal Rubens Lara no Morro Nova Cintra, Santos-SP, a iniciativa interdisciplinar em saúde descrita a seguir compôs projeto de extensão singular, cuja finalidade era atuar rompendo com saberes e fazeres tradicionais em ações de prevenção primária e promoção de saúde. O intuito foi identificar perfil nutricional e hábitos alimentares dos escolares, analisar interface aluno-mobiliário, quantificar peso das mochilas, brincar dentro e fora da escola e percepção corporal, além de observar posturas na rotina escolar. DESCRIÇÃO DA EXPERIÊNCIA: Participaram da proposta cerca de 150 escolares de seis a oito anos. As atividades foram realizadas na quadra esportiva em horário de aula a cada trinta minutos/aula, contando com participação de extensionistas, estagiárias de Nutrição e professora de Educação Física. As avaliações foram feitas a partir da aplicação de questionários sobre alimentação em casa e na escola, uso de transporte e brincar cotidiano com auxílio de imagens. Já peso dos alunos e mochilas e altura foram medidos com uso de estadiômetro e balança eletrônica digital e dimensão do mobiliário com paquímetro. Os resultados principais foram: prevalência do uso de mochilas nas costas variando de 1,5 a 3kg; meio de transporte preferencial, ônibus escolar; brincar realizado em casa com irmãos; diversidade de mobiliário no interior das salas com dimensões inapropriadas à idade dos escolares; e porcentagens semelhantes de crianças com baixo peso em comparação a sobrepeso e obesidade. A partir das avaliações mencionadas, ações foram elaboradas e implementadas, destacando oficina de sensibilização corporal e ressignificação das posturas vivenciadas no dia-a-dia, assim como dramatizações retratando cenários de refeições dentro e fora da escola. IMPACTOS: A presença da professora contribuiu para organização e fortalecimento das ações, porém implicou em coerção em dados instantes, interferindo de modo significativo na expressão das crianças. Houve supervalorização do uso de tecnologias duras e busca por fazeres prescritivos por parte da escola, assim como desinteresse na devolutiva. O tempo restrito, apesar do número de participantes envolvidos, pode ter tido impacto negativo na qualidade dos achados, especialmente no que diz respeito às singularidades da proposta. Apesar disso, as informações foram relevantes para apreensão do contexto e favoreceram construção de oficinas coerentes e ambientadas no cenário escolar de maneira interdisciplinar. Observa-se, portanto, o espaço da aula de Educação Física na escola como um local privilegiado de inserção de ações em prol da saúde e bem-estar dos escolares, assim como uma oportunidade de enriquecer e potencializar as iniciativas. CONSIDERAÇÕES FINAIS: Houve a formação de vínculos e a construção conjunta de práticas pró-saúde através da troca de experiências e ressignificação dos saberes. A disposição dos participantes em pesquisa para além de suas áreas de atuação ampliou o campo e fortaleceu o ambiente multi e interdisciplinar. O estabelecimento de planos de ação capazes de compreender a relação saúde-doença-cuidado em sua totalidade favoreceu a consolidação da Fisioterapia e Nutrição, além de possibilitar um espaço de diálogo e o desenvolvimento pleno da articulação entre o serviço de saúde, a escola e a universidade.

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A revista Cadernos de Educação, Saúde e Fisioterapia foi avaliada como B2 na área de Ensino, B3 na área de Serviço Social, B4 nas áreas de Saúde Coletiva, Interdisciplinar, Enfermagem e Educação Física e B5 na área de Medicina II e Arquitetura, Urbanismo e Design no QUALIS/CAPES - Quadriênio 2013-2016.