MODALIDADES DE TRATAMENTO DA ESPASTICIDADE: UMA REVISÃO DA LITERATURA

Daniela Hess, Julyanna Nishiwaki, Mariela Fioriti Liberatori, Fernando Luís Fischer Eichinger

Resumo


Introdução: A espasticidade é uma alteração do tônus muscular, bastante comum na prática clínica, e que, associada à outros sintomas, resulta em limitações importantes para os pacientes. Existe uma grande variedade de métodos para tratamento deste sintoma, contudo, ainda há uma escassez de estudos voltados para identificação de quais as melhores e mais efetivas modalidades de tratamento. Objetivo: Levantar e discutir as diversas modalidades de tratamento disponíveis na atualidade, apontando os melhores resultados com a aplicação destes recursos terapêuticos na prática clínica. Métodos: Realizou-se uma busca nas bases de dados PubMed, MEDLINE, Periódicos CAPES e Google Acadêmico no período compreendido entre 2005 e 2016, através dos descritores espasticidade (spasticity) e tratamento (treatment). Resultados: Foram encontradas as seguintes modalidades de tratamento: farmacológico (baclofeno, benzodiazepínicos, dantrolene sódico, gabapentina, tizanidina, toxina botulínica tipo A e fenol); fisioterapêutico (eletroestimulação, cinesioterapia, crioterapia, termoterapia, fisioterapia aquática, terapia vibratória e equoterapia); cirúrgico (rizotomia, tenotomia e transposição tendinosa); e órteses. Conclusões: Da ampla variedade de tratamentos destaca-se o uso da toxina botulínica tipo A, apresentando bons resultados e poucos efeitos colaterais, porém, o alto custo e a curta duração dos efeitos são limitações importantes. Merece destaque ainda, a cinesioterapia através das técnicas de alongamento como uma importante opção de tratamento da espasticidade, com efeitos imediatos da aplicação e por tratar-se de um procedimento simples e fácil. Muito embora, ainda não estejam claras as recomendações quanto ao número de repetições, amplitude de movimento realizado, tipo de alongamento e tempo do efeito terapêutico da técnica.

Palavras-chave


Terapêutica, Espasticidade Muscular, Hipertonia Muscular.

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DOI: https://doi.org/10.18310/2358-8306.v4n7.p46

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A revista Cadernos de Educação, Saúde e Fisioterapia foi avaliada como B2 na área de Ensino, B3 na área de Serviço Social, B4 nas áreas de Saúde Coletiva, Interdisciplinar, Enfermagem e Educação Física e B5 na área de Medicina II e Arquitetura, Urbanismo e Design no QUALIS/CAPES - Quadriênio 2013-2016.