Interseccionalidade e trote na escola médica: buscando a raiz
DOI:
https://doi.org/10.18310/2446-4813.2025v11n3.4555Palavras-chave:
Interseccionalidade, Trote, Escola médicaResumo
Objetivo: Aprofundar o conhecimento dos fatores sociais que influenciam atitudes e valores no trote universitário. Participantes: 26 estudantes do 1º ao 4º ano da graduação de Medicina. Métodos: Pesquisa qualitativa com a técnica de grupos focais, por meio da análise do discurso sob a perspectiva de gênero, raça e classe. Resultados: o ‘currículo oculto’ continua baseado em relações abusivas de poder, cujas violências simbólicas aqui estão retratadas. Vimos as desigualdades de oportunidades nas diferenças de classe, além da subordinação de gênero e raça perpetradas por estudantes. Estes controlam as relações de poder em espaços onde a violência, a segregação e o preconceito são normalizados. Conclusão: deve ser redobrada a atenção contra os mecanismos de poder elitistas, racistas e patriarcais de exclusão, alimentados, também, por aqueles que sofrem com a opressão. A mudança depende de transformações sociais profundas relacionadas ao nosso contexto histórico, cultural e político brasileiro.
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