O trabalho em equipe na promoção do aleitamento humano: construção do guia para profissionais da Atenção Primária à Saúde
DOI:
https://doi.org/10.18310/2446-4813.2026v12nsup3.4803Palavras-chave:
Aleitamento Materno, Equipe Multiprofissional de Saúde, Estratégia Saúde da Família, Saúde Bucal, Relações InterprofissionaisResumo
Introdução: O trabalho em equipe é um elemento central da Atenção Primária à Saúde (APS). Caracterizada pela integração e colaboração entre profissionais de diferentes áreas, a interprofissionalidade é um dos modelos de trabalho em equipe. No entanto, desafios como a fragmentação do cuidado e a falta de articulação entre os profissionais dificultam sua implementação. A promoção do aleitamento humano surge como exemplo, evidenciando o potencial e os obstáculos do trabalho interprofissional, apontando a necessidade de sistematizar informações e orientar práticas por meio da elaboração de um guia de apoio aos profissionais. Objetivo: Compreender as interações entre os profissionais das Equipes de Saúde da Família no contexto da promoção do aleitamento humano e como se aproximam de práticas interprofissionais e subsidiando a construção de um guia para a APS Método: Este estudo exploratório qualitativo, realizado em uma Unidade Básica de Saúde em São Bernardo do Campo, São Paulo, buscou compreender as interações entre profissionais das Equipes de Saúde da Família e eMulti na promoção do aleitamento humano. Foram utilizadas entrevistas semiestruturadas e observação participante como técnicas para a produção de dados e análise de conteúdo temático para a interpretação dos resultados, cuja sistematização permitiu identificar elementos essenciais para a construção de um guia de apoio aos profissionais da Atenção Primária à Saúde. Resultados: Quatro temas centrais emergiram das entrevistas. A observação participante evidenciou que as trocas sobre aleitamento humano estão mais presentes entre os profissionais nas reuniões de equipe e no grupo PROOMI. O grau de integração entre os profissionais oscila, com a equipe de saúde bucal enfrentando maiores dificuldades. Apesar dos esforços, barreiras persistem, comprometendo a colaboração eficaz, e esses achados forneceram subsídios para definir os conteúdos e orientações que compõem o guia elaborado para apoiar as práticas na APS. Conclusão: Existe uma complexidade de interações entre os profissionais da Estratégia de Saúde da Família no âmbito da promoção do aleitamento humano. Apesar dos esforços voltados à interprofissionalidade, revelaram-se barreiras que ainda comprometem a colaboração eficaz entre os profissionais. A pesquisa culminou na criação colaborativa de um Guia de Aleitamento Humano, visando facilitar o acesso e o manejo das informações pelos profissionais da Atenção Primária à Saúde.
Referências
1. Furtado JP. Equipes de referência: arranjo institucional para potencializar a colaboração entre disciplinas e profissões. Interface [Internet]. 2007;11(22):239-55. doi:10.1590/s1414-32832007000200005.
2. Peduzzi M. Equipe de saúde. Em: Pereira IB, Lima JCF, organizadores. Dicionário da educação profissional em saúde. 2ª ed. rev. ampl. Rio de Janeiro: EPSJV; 2008. p. 271-7.
3. Peduzzi M, Agreli HF. Trabalho em equipe e prática colaborativa na Atenção Primária à Saúde. Interface [Internet]. 2018;22(suppl 2):1525-34. doi:10.1590/1807-57622017.0827.
4. Peduzzi M, Agreli HLF, da Silva JAM, de Souza HS. Trabalho em equipe: uma revisita ao conceito e a seus desdobramentos no trabalho interprofissional. Trab Educ Saude [Internet]. 2020;18(suppl 1). doi:10.1590/1981-7746-sol00246.
5. Santos L, Pinto I. Práticas de saúde e formação de profissionais: os desafios contemporâneos e as contribuições da obra de Ricardo Bruno. Em: Ricardo JRS, et al., organizadores. Saúde, Sociedade e História. Porto Alegre: Rede Unida; 2017. p. 427-39.
6. Wernet M, Fabbro MRC, de Moura KR, Targino DAS, Pompeu V, Silveira AO. The perception of the family health team concerning their support to breastfeeding. Rev Rene [Internet]. 2014;15(4):569-77. doi:10.15253/2175-6783.2014000400003.
7. Victora CG, Bahl R, Barros AJD, França GVA, Horton S, Krasevec J, et al. Breastfeeding in the 21st century: epidemiology, mechanisms, and lifelong effect. Lancet [Internet]. 2016;387(10017):475-90. doi:10.1016/S0140-6736(15)01024-7.
8. Viggiano D, Fasano D, Monaco G, Strohmenger L. Breast feeding, bottle feeding, and non-nutritive sucking; effects on occlusion in deciduous dentition. Arch Dis Child [Internet]. 2004;89(12):1121-3. doi:10.1136/adc.2003.029728.
9. Battaus MRB, Liberali R. A promoção do aleitamento materno na estratégia de saúde da família: revisão sistemática. Rev APS. 2014;17(1):93-100.
10. Vargas GSA, Alves VH, Rodrigues DP, Branco MBLR, de Souza R de MP, Guerra JVV. Atuação dos profissionais de saúde da Estratégia Saúde da Família: promoção da prática do aleitamento materno. Rev Baiana Enferm [Internet]. 2016;30(2). doi:10.18471/rbe.v30i2.14818.
11. Vítolo MR, Louzada ML, Rauber F, Grechi P, Gama CM. Impacto da atualização de profissionais de saúde sobre as práticas de amamentação e alimentação complementar. Cad Saude Publica [Internet]. 2014;30(8):1695-707. doi:10.1590/0102-311x00186913.
12. Siqueira FPC. A capacitação dos profissionais de saúde que atuam na área do aleitamento materno. Investig Enferm Imagen Desarr. 2017;19(1):171.
13. Minayo MCS. Pesquisa social: teoria, método e criatividade. Petrópolis: Vozes; 2009.
14. Bardin L. Análise de conteúdo. São Paulo: Almedina; 2016.
15. Brasil. Ministério da Saúde. Guia alimentar para crianças brasileiras menores de 2 anos. Brasília: Ministério da Saúde; 2019.
16. Brasil. Ministério da Saúde. Promoção do aleitamento materno e da alimentação complementar saudável na Atenção Primária à Saúde: recomendações baseadas no Guia Alimentar para Crianças Brasileiras Menores de 2 Anos. Brasília: Ministério da Saúde; 2020.
17. Borges GGG. O aleitamento humano como viabilizador do trabalho em equipe na atenção primária à saúde [dissertação]. Santos: Universidade Federal de São Paulo, Instituto de Saúde e Sociedade; 2024 [citado 2026 abril 27]. Disponível em: https://repositorio.unifesp.br/items/2df7d072-c326-419f-a069-823737add374
18. Silveira F, Mishima SM, Matumoto S, Fortuna CM, Bistafa MJ, Bregagnolo JC, et al. The interaction of several fields of knowledge for the articulation of collective oral health actions: the mapping of a family health team. Cien Saude Colet [Internet]. 2014;19(12):4879-88. doi:10.1590/1413-812320141912.20012013.
19. Peduzzi M, Norman IJ, Germani ACCG, Silva JAM da, Souza GC de. Educação interprofissional: formação de profissionais de saúde para o trabalho em equipe com foco nos usuários. Rev Esc Enferm USP [Internet]. 2013;47(4):977-83. doi:10.1590/s0080-623420130000400029.
20. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde. Departamento de Gestão da Educação na Saúde. Política Nacional de Educação Permanente em Saúde: o que se tem produzido para o seu fortalecimento? 1ª ed. rev. Brasília: Ministério da Saúde; 2018. 73 p.
21. Ceccim RB. Educação Permanente em Saúde: desafio ambicioso e necessário. Interface [Internet]. 2005;9(16):161-8. doi:10.1590/s1414-32832005000100013.
Downloads
Publicado
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2026 Giuliana Borges, Virginia Junqueira

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
Os direitos autorais para artigos publicados neste periódico são do autor, com os direitos de publicação para o periódico. Este periódico é de acesso público, os artigos são de uso gratuito, com atribuições próprias, desde que citada a fonte (por favor, veja a Licença Creative Commons no link a seguir https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/deed.pt_BR).