Estimativa rápida participativa: uma estratégia de planejamento territorial para a Atenção Primária à Saúde
DOI:
https://doi.org/10.18310/2446-4813.2026v12nsup3.4918Palavras-chave:
Planejamento em Saúde, Atenção Primária à Saúde, Participação Social, Diagnóstico da Situação de SaúdeResumo
Objetivo: Relatar a experiência de aplicação da Estimativa Rápida Participativa (ERP) como ferramenta de planejamento em uma área adscrita de uma equipe de Saúde da Família em um município do sul do Brasil. Descrição da experiência: A experiência envolveu quatro meses de atividades, incluindo levantamento de dados demográficos e epidemiológicos secundários, observação direta do território, entrevistas com informantes-chave e rodas de conversa com trabalhadores. As informações foram sistematizadas e resultaram na construção de uma matriz de intervenção. Resultados: Foram identificadas fragilidades relacionadas ao acesso aos serviços de saúde, baixa participação social e ausência de equipamentos comunitários, especialmente espaços de lazer. A ERP também evidenciou tensões marcadas pela violência territorial, que interferiu no cronograma e na circulação da equipe. A matriz de intervenção permitiu a pactuação de ações concretas, como criação de grupos de tabagismo e de atividade física, reorganização das agendas assistenciais, ampliação da presença da equipe no território e participação ativa de trabalhadores e residentes na Conferência Municipal de Saúde. O processo fortaleceu o vínculo com a comunidade e estimulou maior corresponsabilização entre atores locais. Conclusões: A participação efetiva da comunidade e dos trabalhadores da saúde favoreceu a construção coletiva de soluções e o fortalecimento de vínculos. A ERP mostrou-se uma ferramenta metodológica de planejamento estratégico eficaz, promovendo protagonismo social e práticas interprofissionais na construção de movimentos e na tomada de decisão. Entretanto, observaram-se dificuldades relacionadas à gestão do tempo dispensado para execução das etapas, ao contexto de pressão assistencial, além de desafios inerentes à violência no território.
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