Descrição do processo de alta hospitalar após Acidente Vascular Cerebral e avaliação das barreiras para o tratamento fisioterapêutico após a alta
DOI:
https://doi.org/10.18310/2446-4813.2025v11n1.4291Palabras clave:
Acidente Vascular Cerebral, Fisioterapia, Reabilitação, Serviços de SaúdeResumen
Este estudo teve como objetivo descrever o processo de alta hospitalar no que se refere ao acompanhamento fisioterapêutico de pacientes diagnosticados com acidente vascular cerebral em um hospital, além de identificar eventuais barreiras para o tratamento fisioterapêutico após a alta. Foram avaliados pacientes pós acidente vascular cerebral e fisioterapeutas das enfermarias do hospital. Para avaliar os pacientes utilizou-se uma ficha de avaliação, a Escala de Rankin Modificada e Mini Exame do Estado Mental. Uma semana após a alta, os pacientes ou responsáveis foram entrevistados por telefone para abordar aspectos relacionados a alta. Trinta dias após a alta, uma nova entrevista foi realizada para identificar barreiras ao acompanhamento fisioterapêutico, além da reaplicação da Escala de Rankin Modificada. Os fisioterapeutas responderam a um formulário com questões sobre o processo de alta dos pacientes. A análise das respostas foi conduzida por meio da técnica do Discurso do Sujeito Coletivo. Participaram do estudo 14 pacientes e 7 fisioterapeutas. A análise revelou como ideias centrais as orientações recebidas no momento da alta hospitalar e experiências positivas e negativas relatadas pelos pacientes. Já os fisioterapeutas apontaram sugestões para aprimorar o processo de alta. Observou-se que, após 30 dias, 50% dos pacientes não conseguiram acesso à fisioterapia. Diante disso, destaca-se a importância do acompanhamento fisioterapêutico desde o período de internação, com um planejamento de alta que considere a integralidade e individualidade de cada paciente. Além disso, é fundamental fortalecer o acesso aos serviços de saúde no período pós-alta, garantindo a continuidade do cuidado e da reabilitação.
Referencias
1. Organização Mundial da Saúde (OMS). Rehabilitation 2030. The need to scale up rehabilitation. [Internet] 2018 [citado 13 fev. 2022]. Disponível em: https://www.who.int/initiatives/rehabilitation-2030.
2. Feigin VL, Stark BA, Johnson CO, Roth GA, Bisignano C, Abady GG, et al. Global, regional, and national burden of stroke and its risk factors, 1990–2019: a systematic analysis for the Global Burden of Disease Study 2019. Lancet Neurol [Internet]. 2021 [citado 13 fev. 2022];20(10):795-820. doi:10.1016/S1474-4422(21)00252-0.
3. Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS). 10 principais causas de morte no mundo [Internet]. 2020 [citado 14 fev. 2022]. Disponível em: https://www.paho.org/pt/noticias/9-12-2020-oms-revela-principais-causas-morte-e-incapacidade-em-todo-mundo-entre-2000-e
4. Rosa CT, Zonta MB, Lange MC, Zétola VDHF. Qualidade de vida: preditores e desfechos após acidente vascular cerebral em um hospital público brasileiro. Arq Neuro-Psiquiat [Internet]. 2023 [citado 10 fev. 2024];81:2-8. doi:10.1055/s-0042-1758364.
5. Brasil. Secretaria de vigilância em saúde. Departamento de Análise de Saúde e Vigilância de Doenças Não Transmissíveis (DASNT). Principais causas de morte [Internet]. 2017 [citado 02 jan. 2022]. Disponível em: https://svs.aids.gov.br/daent/
6. Oliveira GMM, Brant LCC, Polanzczyk CA, Biolo A, Nascimento BR, Malta DC, et al. Estatística Cardiovascular – Brasil 2020. Arq Bras Cardiol [Internet]. 2020 [citado 17 mar. 2022];115(3):308-439. doi:10.36660/abc.20200812.
7. Brernhardt J, Langhorne P, Lindley RI, Thrift AG, Ellery F, Collier J, et al. Efficacy and safety of very early mobilisation within 24h of stroke onset (AVERT): a randomised controlled trial. Lancet [Internet]. 2015 [citado 03 mar. 2022];386(9988):46-55. doi:10.1016/S0140-6736(15)60690-0.
8. Sundseth A, Thommessen B, Ronning OM. Outcome after mobilization within 24 hours of acute stroke: a randomized controlled trial. Stroke [Internet]. 2012 [citado 03 mar. 2022];43(9):2389-94. doi:10.1161/STROKEAHA.111.646687.
9. Wen T, Liu B, Wan X, Zhang X, Zhang J, Zhou X. Elderly stroke rehabilitation: overcoming the complications and its associated challenges. Current Gerontol Geriatr Res [Internet]. 2018 [citado 10 jan. 2022];2018:9853837. doi:10.1155/2018/9853837.
10. Sousa AR, Ribeiro KSQS. A rede assistencial em fisioterapia no município de João Pessoa: uma análise a partir das demandas da atenção básica. Rev Bras Cienc Saude [Internet]. 2011 [citado 14 abr. 2022]. Disponível em: https://periodicos.ufpb.br/ojs2/index.php/rbcs/article/view/10836
11. Brasil. Ministério da Saúde. Portaria nº 3.390, de 30 de dezembro de 2013. Institui a Política Nacional de Atenção Hospitalar (PNHOSP) no âmbito do Sistema único de Saúde (SUS). Brasília: Ministério da Saúde; 2013 [citado 10 fev. 2024]. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2013/prt3390_30_12_2013.html.
12. Pereira AB, Ferreira JL. Processo de implantação da política nacional de humanização em hospital público. Trab Educ Saude [Internet]. 2015 [citado 10 fev. 2024];13(01):67-88. doi:10.1590/1981-7746-sip00024.
13. Brasil. Ministério da Saúde. Linha de Cuidados em Acidente Vascular Cerebral (AVC) na rede de Atenção às Urgências e Emergências. Brasília: Ministério da Saúde; 2012 [citado 10 mar. 2022]. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2012/PRT0665_12_04_2012.html.
14. Cacho RDO, Moro CHC, Bazan R, Guarda SNFD, Pinto EB, Andrade SMMDS, et al. Access to rehabilitation after stroke in Brazil (AReA study): multicenter study protocol. Arq Neuro-Psiquiatr [Internet]. 2022 [citado 18 fev. 2024];80(10):1067-74. doi:10.1055/s-0042-1758558.
15. Mendes LM, da Silva GID, Brito EG, Moraes MR, Ribeiro KS. Acesso de sujeitos pós-acidente vascular cerebral aos serviços de fisioterapia. Rev Enferm UFPE [Internet]. 2016 [citado 17 fev. 2022];10(2):387-94. doi:10.5205/reuol.8557-74661-1-SM1002201602.
16. Brucki S, Nitrini R, Caramelli P, Bertolucci PH, Okamoto IH. Sugestões para o uso do mini-exame do estado mental no Brasil. Arq Neuro-psiquiatr [Internet]. 2003 [citado 17 fev. 2022];61(3B):777-81. doi:10.1590/S0004-282X2003000500014.
17. Guimarães RB, Guimarães RB. Validação e adaptação cultural para a língua portuguesa de escalas de avaliação funcional em doenças cerebrovasculares: uma tentativa de padronização e melhora da qualidade de vida. Rev Bras Neurol [Internet]. 2004 [citado 17 fev. 2022];40(3):5-13.
18. Lefèvre F, Lefèvre, AMC, Teixeira JJV. O discurso do sujeito coletivo: uma nova abordagem metodológica em pesquisa qualitativa [monografia]. Caxias do Sul: EDUCS. 2000 [acesso 15 fev. 2022]. 138 p.
19. Lefevre AMC, Crestana M, Cornetta VK. A utilização da metodologia do discurso do sujeito coletivo na avaliação qualitativa dos cursos de especialização "Capacitação e Desenvolvimento de Recursos Humanos em Saúde-CADRHU", São Paulo-2002. Saude Soc [Internet]. 2003 [citado 10 mar. 2022];12:68-75. doi:10.1590/S0104-12902003000200007.
20. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Ações Programáticas Estratégicas. Diretrizes de atenção à reabilitação da pessoa com acidente vascular cerebral / Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde [Internet]. 2013 [citado 10 fev. 2024]. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/s/saude-da-pessoa-com-deficiencia/publicacoes/diretrizes-de-atencao-a-reabilitacao-da-pessoa-com-acidente-vascular-cerebral.pdf/view.
21. Magagnin AB, Heidemann ITSB, De Brum CN. Transição do cuidado à pessoa com acidente vascular cerebral: revisão integrativa. Rev Rene [Internet]. 2022 [citado 08 nov. 2022];23:e80560. doi:10.15253/2175-6783.20222380560.
22. Hebert D, Lindsay MP, McIntyre A, Kirton A, Rumney PG, Bagg S. Canadian stroke best practice recommendations: stroke rehabilitation practice guidelines, update 2015. Int J Stroke [Internet]. 2016 [citado 10 nov. 2022];11(4):459–84. doi:10.1177/1747493016643553.
23. Chan B. Effect of increased intensity of physiotherapy on patient outcomes after stroke: an economic literature review and cost-effectiveness analysis. Ont Health Technol Assess Ser [Internet]. 2015 [citado 03 dez. 2022];15(7):1-43. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC4561763/
24. Langhorne P, Wu O, Rodgers H, Ashburn A, Bernhardt J. A very early rehabilitation trial after stroke (AVERT): a Phase III, multicentre, randomized controlled trial. Lancet [Internet]. 2017 [citado 04 dez. 2022];39(54):46–55. doi:10.3310/hta21540.
25. Waring J, Bishop S, Marshall F, Tyler N, Vicker R. An ethnographic study comparing approaches to inter-professional knowledge sharing and learning in discharge planning and care transitions. J Health Org Managem [Internet]. 2019 [citado 05 fev. 2024];33(6):677-94. doi:10.1108/JHOM-10-2018-0302.
26. Feil Weber LA, Lima DSMA, Acosta AM, Maques GQ. Care transition from hospital to home: integrative review. Cogitare Enferm [Internet]. 2017 [citado 15 dez. 2022];22(3):e47615. doi:10.5380/ce.v22i3.47615.
27. Fisher MMJB, Marcon SS, Barreto MS, Batista VC, Marquete VF, Souza RR. Cuidando de familiar com sequela de acidente vascular cerebral: os primeiros dias em casa após alta hospitalar. Rev Mineira Enferm [Internet]. 2021 [citado 05 jan. 2023];25:31385. doi:10.5935/1415.2762.20210033.
28. Bernardino E, Sousa SMD, Nascimento, JDD, Lacerda MR, Torres DG, Gonçalves LS. Cuidados de transição: análise do conceito na gestão da alta hospitalar. Esc Anna Nery [Internet]. 2021 [citado 05 jan. 2023];26:e20200435. doi:10.1590/2177-9465-EAN-2020-0435.
29. Camargo PF, André LD, Lamari NM. Orientações em saúde no processo de alta hospitalar em usuários reinternados do sistema único de saúde. Arq Cien Saude [Internet]. 2016 [citado 05 jan. 2023];23(3):38-43. Disponível em: https://repositorio-racs.famerp.br/racs_ol/vol-23-3/edicao-completa-23-3-2016.pdf.
30. Sá FM. Análise do perfil epidemiológico e compreensão da experiência de cuidadores informais de pacientes em pós-AVC: estudo multimétodos [tese]. Botucatu: Faculdade de Medicina de Botucatu. 2021. 83 p. Disponível em: chrome-extension://efaidnbmnnnibpcajpcglclefindmkaj/https://repositorio.unesp.br/server/api/core/bitstreams/e9840005-8573-4c6e-9066-b46988b08781/content
31. de Miranda RE, Schmidt D, Hanauer L, Peralles SRN, Striebel VLW. Avaliação do acesso à fisioterapia após a alta hospitalar em indivíduos com acidente vascular cerebral. Clinical Biomed Res [Internet]. 2018 [citado 08 jan. 2023];38(3):245-52. Disponível em: https://seer.ufrgs.br/index.php/hcpa/article/view/84737
32. Silva MA, Santos MLM, Bonilha LAS. Fisioterapia ambulatorial na rede pública de saúde de Campo Grande (MS, Brasil) na percepção dos usuários: resolutividade e barreiras. Interface Comunic Saude Educ [Internet]. 2014 [citado 05 jan. 2023];18(48):75-86. Disponível em: https://www.redalyc.org/pdf/1801/180130050006.pdf
33. Ferrer MLP, Silva ASD, Silva JRKD, Padula RS. Microrregulação do acesso à rede de atenção em fisioterapia: estratégias para a melhoria do fluxo de atendimento em um serviço de atenção secundária. Fisioter Pesq [Internet]. 2015 [citado 12 jan. 2023];22(3):223-30. doi:10.590/1809-2950/13038422032015.
34. Bernhardt J, Urimubenshi G, Gandhi DB, Eng JJ. Stroke rehabilitation in low-income and middle-income countries: call to action. Lancet [Internet]. 2020 [citado 05 dez. 2022];396(10260):1452-62. doi:10.1016/S0140-6736(20)31313-1.
35. Baatiema L. An ecological approach to understanding stroke experience and access to rehabilitation services in Ghana: a cross-sectional study. Health Social Care Commun [Internet]. 2021 [citado 05 jan. 2023];29(5):67-78. doi:10.1111/hsc.13243.
36. Khan F, Amatya B, Groote W, Owolabi M, Syed IM, Hajjoui A, et al. Capacity-building in clinical skills of rehabilitation workforce in low- and middle-income countries. J Rehabil Med [Internet]. 2018 [citado 10 jan. 2023];50(5):472-79. doi:10.2340/16501977-2313.
Descargas
Publicado
Número
Sección
Licencia
Derechos de autor 2025 Mariana Nunes Lúcio, Gizelly Nunes Juncks, Alini Hammes Teixeira

Esta obra está bajo una licencia internacional Creative Commons Atribución 4.0.
Os direitos autorais para artigos publicados neste periódico são do autor, com os direitos de publicação para o periódico. Este periódico é de acesso público, os artigos são de uso gratuito, com atribuições próprias, desde que citada a fonte (por favor, veja a Licença Creative Commons no link a seguir https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/deed.pt_BR).