História e vivências de mulheres ribeirinhas no parto domiciliar com parteiras tradicionais e a redução dessa prática
DOI:
https://doi.org/10.18310/2446-4813.2026v12n2.5013Palavras-chave:
Cultura, Parto Normal, População Rural, Mudança SocialResumo
Objetivos: Compreender o processo do parto domiciliar tradicional e os fatores que contribuíram para a diminuição da atuação das parteiras, com base na experiência de mulheres ribeirinhas da comunidade do Rio Itamimbuca, em Igarapé-Miri (PA). Trata-se de um estudo qualitativo, descritivo e exploratório, com abordagem aplicada à realidade local. A coleta de dados ocorreu entre julho de 2024 e março de 2025, por meio de entrevistas semiestruturadas com cinco perguntas norteadoras. Foram entrevistadas cinco mulheres, com idades entre 50 e 80 anos, que vivenciaram o parto domiciliar assistido por parteiras. Todas as entrevistas foram gravadas, transcritas na íntegra e analisadas por meio da técnica de análise de conteúdo temática, possibilitando a identificação de padrões, significados e categorias emergentes. Resultados: Foram construídas cinco categorias principais: dinâmica do pré-parto; preparativos e técnicas das parteiras; modelos de cuidado; saberes compartilhados no pós-parto; e causas do desaparecimento da prática. As entrevistadas ressaltaram a importância social, simbólica e cultural das parteiras, relacionando o declínio da prática à modernização, ao maior acesso hospitalar, às políticas de saúde institucionalizadas e à desvalorização dos saberes tradicionais. Conclusões: Apesar da redução do parto tradicional, os saberes das parteiras permanecem vivos na memória coletiva e na cultura local. Reforça-se a importância de registrar essas práticas como patrimônio cultural, valorizando a transmissão intergeracional do conhecimento e fortalecendo a identidade das comunidades ribeirinhas.
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