Relato de experiência: criação de grupo de tabagismo como método para promover o bem-estar dos usuários da Atenção Básica na zona rural de Moreno–PE
DOI:
https://doi.org/10.18310/2446-4813.2026v12n1.5114Palavras-chave:
Tabagismo, Atenção Primária à Saúde, Prevenção do hábito de fumar.Resumo
O tabagismo é a principal causa prevenível de morte no mundo, sendo responsável por cerca de metade das doenças em países em desenvolvimento e um dos maiores fatores de risco para Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT). Seus efeitos incluem pior qualidade de vida e maior risco de eventos cardiovasculares quando comparados a não fumantes. No Brasil, observa-se maior prevalência nas áreas rurais do que nas urbanas. O Objetivo é implantar o Programa Nacional de Combate ao Tabagismo na Unidade de Saúde da Família (USF) de Caraúna, zona rural do município de Moreno-PE, promovendo ações de cessação do tabagismo e melhoria da saúde cardiovascular da população atendida. O trabalho apresentado trata-se de um relato de experiência desenvolvido pela equipe multiprofissional da USF de Caraúna. Realizou-se diagnóstico situacional da comunidade, revisão de literatura e elaboração de um plano de intervenção baseado no Manual do Coordenador do Ministério da Saúde. A ação incluiu a formação de um grupo de tabagismo com abordagem cognitivo-comportamental, tratamento da dependência e avaliação do risco cardiovascular por meio das calculadoras Prevent, Framingham e Hearts, antes e após a cessação do fumo. A curto prazo, observou-se a formação e funcionamento efetivo do grupo de tabagismo na zona rural, com adesão dos participantes e acompanhamento contínuo dos usuários e ex-usuários. Houve redução dos sintomas associados à abstinência e melhora dos indicadores de risco cardiovascular. Concluindo-se que a implantação do Programa Nacional de Combate ao Tabagismo na zona rural de Moreno-PE demonstrou-se viável e benéfica. Espera-se, a longo prazo, manter o grupo ativo, promover adesão sustentável e contribuir para a melhoria da qualidade de vida e da saúde cardiovascular dos usuários da Atenção Primária.
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