Grupo Intercultural: uma proposta para ressignificar os impactos da crise migratória na saúde mental de imigrantes e brasileiros em Roraima

Tayana Sabino de Oliveira, Danielle dos Santos Bergmann, Gabriela Pereira Melo, Jéssica Bruna Beserra Lima, Julienne Cathyana dos Santos Silva, Renata Norat Souto Maior Nogueira

Resumo


Uma crise migratória como a que vem ocorrendo na Venezuela e afetando o Brasil causa diversos impactos tanto na população imigrante quanto na população de destino do fluxo migratório. Tais impactos impõem uma necessidade de adaptação e resiliência de pessoas que se veem obrigadas a compartilhar seu cotidiano nos mais diversos contextos. O presente trabalho objetiva relatar parte da experiência vivenciada na coordenação do Grupo Intercultural realizado em um Centro de Atenção Psicossocial de Boa Vista - RR. Os principais resultados observados entre os integrantes do grupo são: a valorização das ocupações e aspectos culturais dos povos e a percepção de que a crise pode trazer aprendizado e novos significados e formas de se comunicar com o outro. As oficinas terapêuticas são procedimentos fundamentais na saúde mental, pois são um instrumento essencial para estimular a reflexão, resignificação e a promoção dos vínculos interpessoais entre sujeitos que aparentemente viviam em contextos muito diferentes, mas que compartilham o sofrimento psíquico e a perda de sua autonomia e encontram na clínica intercultural a possibilidade de transformar sua interação com a sociedade. A equipe interdisciplinar em saúde mental tem muito a contribuir na atenção para pessoas que além de se encontrarem em processo de intenso sofrimento emocional, precisam lidar com transformações sociais e culturais céleres e permeadas de perdas significativas. É um processo recente, desafiador, mas com potencial de promoção de novas perspectivas para os profissionais de saúde e o público atendido.

Palavras-chaves: imigração; saúde mental; cultura.


Texto completo:

PORTUGUÊS

Referências


CIERCO, Teresa, et al. Fluxos Migratórios e Refugiados na Atualidade. Rio de Janeiro: Fundação Konrad AdenauerStiftung, 2017.

Instituto Brasileiro de Geografia e estatística [homepage na internet]. Censo demográfico de Boa Vista, Roraima. [acesso em 18 de jun 2018]. Disponível em: https://cidades.ibge.gov.br/brasil/rr/boa-vista/panorama.

Polícia Federal. [acesso em 13 de jul 2018]. Disponível em: http://www.pf.gov.br/ institucional/acessoainformacao.

RIOS, Shirleia. Prefeita apresenta resultado do mapeamento de venezuelanos que vivem em Boa Vista. [acesso em 18 de jun 2018]. Disponível em: https://www.boavista.rr.gov. br/noticias/2018/06/prefeita-apresenta-resultado-do-mapeamento-de-venezuelanos-que-vivem-em-boa-vista.

MARTINS-BORGES, Lucienne. Migração involuntária como fator de risco à saúde mental. REMHU, Revista Interdisciplinar de Mobilidade Humana, Brasília, v. 21, n. 40, p. 151-162, Jun. 2013. [acesso em 16 de jun 2018]. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1980-85852013000100009&lng %20=en&nrm=isso.

MARTINS-BORGES, Lucienne; POCREAU, Jean-Bernard. Serviço de atendimento psicológico especializado aos imigrantes e refugiados: interface entre o social, a saúde e a clínica. Estudos de Psicologia, Campinas, v. 29, n. 4, p. 577-585, Dez. 2012. [acesso em 10 de jun 2018]. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php? script=sciarttext&pid=S0103-166X2012000400012&lng=en&nrm=iso.

MARTINS-BORGES, Lucienne; JIBRIN, Marcio; BARROS, Allyne Fernandes Oliveira. Clínica intercultural: a escuta da diferença. Contextos Clínicos, São Leopoldo, v. 8, n. 2, p. 186-192, dez. 2015. [acesso em 10 de jun 2018]. Disponível em: http:// pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1983-34822015000200008&lng= pt&nrm=iso.

BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria GM/MS nº 336, de 19 de Fevereiro de 2002. Estabelece que os Centros de Atenção Psicossocial poderão constituir-se nas seguintes modalidades de serviços: CAPS I, CAPS II e CAPS III, definidos por ordem crescente de porte/complexidade e abrangência populacional. Diário Oficial [da] União, Brasília, DF, 9 fev. 2002b. [acesso em 12 de jun 2018]. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/ saudelegis/gm/2002/ prt0336_19_02_2002.html.

BRASIL. Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional. Resolução nº 425, de 08 de julho de 2013. Estabelece o Código de Ética e Deontologia da Terapia Ocupacional. Diário Oficial da União nº 147, Seção 1 de 01/08/2013. [acesso em 20 de jun de 2018] Disponível em: https://www.coffito.gov.br/nsite/?page_id=3386.

DORNELES, Patricia Silva; LOPES, Roseli Esquerdo. Cidadania e diversidade cultural na pauta das políticas culturais. Cadernos Brasileiros de Terapia Ocupacional, UFSCar, São Carlos, v. 24, n.1, p. 173-183, 2016. [acesso em 15 de jun 2018]. Disponível em: http://www.cadernosdeterapiaocupacional.ufscar.br/index.php/cadernos/article/view/1295.

SATO, Miki Takao; BARROS, Denise Dias. Cultura, mobilidade e direitos humanos: reflexões sobre terapia ocupacional social no contexto da política municipal para população imigrante. Cadernos Brasileiros de Terapia Ocupacional, UFSCar, São Carlos, v. 24, n. 1, p. 91-103, 2016. [acesso em 10 de jun 2018]. Disponível em: http://www.cadernosdeterapiaocupacional.ufscar.br/index.php/cadernos/article/view/1436.

SIMÕES, Gustavo da Frota. Perfil sociodemográfico e laboral da imigração venezuelana no Brasil. Curitiba: CRV, 2017.

REDIN, Giuliana, et al. Imigrantes no Brasil: proteção dos direitos humanos e perspectivas político-jurídicas. Curitiba: Juruá, 2015.




DOI: https://doi.org/10.18310/2446-4813.2019v5n1p%25p

DOI (PORTUGUÊS): https://doi.org/10.18310/2446-48132019v5n2.2239g394

Apontamentos

  • Não há apontamentos.


A revista Saúde em Redes foi classificada pelo Sistema Qualis-Periódico da CAPES no Quadriênio 2014/2016, período de sua criação, no estrato B1 na área de Ensino, no estrato B4 nas áreas de Enfermagem, Interdisciplinar, Psicologia, Saúde Coletiva e Serviço Social e no estrato B5 nas áreas de Geociências e Medicina II. Novidade 2019: a Saúde em Redes foi aprovada para indexação na Base LILACS.

Indexada no LatindexDiadorimDOAJ; COLECIONASUS