FATORES ASSOCIADOS AO NÚMERO DE CONSULTAS PRÉ-NATAIS DE MULHERES TABAGISTAS E NÃO TABAGISTAS ATENDIDAS EM HOSPITAIS DE PORTO ALEGRE (RS), BRASIL

Amanda Pereira Ferreira, Juliana Rombaldi Bernardi, Charles Francisco Ferreira, Diego Almeida dos Santos, Karen Ferreira dos Santos, Lívia Willborn Pereira, Mariana Wainer, Pâmela Kremer Ferreira, Vera Lúcia Bosa, Clécio Homrich da Silva, Marcelo Zubaran Goldani

Resumo


Objetivo: analisar os fatores associados ao número de consultas pré-natais de mulheres tabagistas e não tabagistas. Métodos: análise transversal de uma amostra de conveniência de mulheres com histórias prévias de tabagismo e um grupo controle. A pesquisa foi aprovada pelos Comitês de Ética das instituições de origem. O desfecho foi o número de consultas pré-natais e as variáveis estudadas foram: idade materna (anos), raça (etnia), escolaridade (anos), renda familiar (reais), situação conjugal, número de filhos (prévios à gestação analisada) e o planejamento da gestação analisada. Os números de consultas pré-natais foram comparados pelo teste Mann-Whitney. A regressão linear foi aplicada para avaliar o número de consultas pré-natais e sua relação com as variáveis analisadas. Resultados: selecionaram-se 248 mulheres, distribuídas em controle (n=161) e tabagistas durante a gestação (n=87). Verificou-se que a mediana de idade foi 24 [20-30] anos e a escolaridade 9 [7,25-11] anos. A maioria das mulheres (71,4%) realizou mais de seis consultas pré-natais. Contatou-se maior frequência de mulheres solteiras no grupo tabagista (p=0,001). Tabagistas apresentaram menor escolaridade (p<0,0001), menor renda (p<0,0001), maior número de filhos (p=0,004), menor planejamento da gestação (p<0,0001) e menor número de consultas pré-natais (p<0,0001). O número de consultas pré-natais foi influenciado negativamente pelo tabagismo materno durante a gestação (p=0,009), pelo número de filhos (p<0,0001) e positivamente pela idade materna (p<0,0001). Conclusões: o tabagismo durante a gestação está associado a condições de maior vulnerabilidade socioeconômica, evidenciando a necessidade de um pré-natal adequado e cuidados mais intensos por profissionais de saúde para esta população.


Palavras-chave


Cuidado Pré-Natal; Hábito de Fumar; Condições Sociais.

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DOI: https://doi.org/10.18310/2446-4813.2016v2n2p167-178

DOI (PDF): https://doi.org/10.18310/2446-48132016v2n2.681g94

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