Entre vozes e silêncios: vivências em saúde mental durante o internato médico
DOI:
https://doi.org/10.18310/2446-4813.2025v11nsup5.4740Palavras-chave:
Saúde mental, Psiquiatria, Medicina comunitária, Faculdades de medicinaResumo
As Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Medicina enfatizam a formação de médicos generalistas com habilidades em saúde mental e interprofissionalidade, fundamentais para a assistência integral e humanizada. Este relato descreve as vivências de três discentes de Medicina de uma universidade federal durante o internato médico, com foco na saúde mental, no interior da Bahia. A experiência ocorreu em serviços da Rede de Atenção Psicossocial de uma cidade do interior da Bahia, abrangendo atendimentos psiquiátricos, grupos terapêuticos e outras práticas clínicas, proporcionando uma exposição contínua a cenários de vulnerabilidade emocional e sofrimento mental, nos quais constatou-se que o trabalho em saúde mental exige tecnologias leves e uma abordagem relacional profunda, para além da compreensão dos diagnósticos. Em síntese, a vivência no internato favoreceu uma formação mais sensível, crítica e comprometida com o cuidado integral, reforçando o papel da escuta e do vínculo como instrumentos essenciais na prática em saúde mental.
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