Vivendo o Sistema Único de Saúde: relato de experiência de uma estudante de medicina no programa VER-SUS
DOI:
https://doi.org/10.18310/2446-4813.2025v11nsup5.4775Palavras-chave:
Atenção Primária à Saúde, Saúde Pública, Educação em Saúde, Sistema Único de Saúde, Participação da Comunidade, Gestão em SaúdeResumo
Objetivos: o presente relato descreve a experiência de uma estudante de medicina no Programa Vivências e Estágios na Realidade do Sistema Único de Saúde (VER-SUS), voltado à formação de facilitadores e viventes em saúde pública. O objetivo foi vivenciar o cotidiano do sistema público de saúde brasileiro, compreender seus desafios estruturais e fortalecer o protagonismo estudantil na defesa do acesso universal à saúde. Breve descrição da experiência: a vivência ocorreu no município de Porto Alegre, Rio Grande do Sul, com extensão das atividades ao município vizinho de Nova Santa Rita, ambos pertencentes à região metropolitana de Porto Alegre, composta por 34 municípios e com população estimada em mais de 4 milhões de habitantes. A experiência teve início com dificuldades logísticas, como a ausência de infraestrutura adequada para acomodação dos participantes, o que resultou na desistência de alguns envolvidos. Superados os desafios iniciais, os estudantes foram distribuídos em diferentes unidades de saúde, onde puderam observar a dinâmica do atendimento, o trabalho das equipes multiprofissionais e os principais obstáculos enfrentados, como a alta demanda por serviços, carência de profissionais e a necessidade de reorganização dos fluxos assistenciais. Além das dificuldades, foram identificadas iniciativas positivas, como grupos de promoção da saúde, ações de participação comunitária e projetos de sustentabilidade em saúde. Destaca-se o papel da facilitação no engajamento dos participantes e na condução das atividades, promovendo reflexões críticas sobre as realidades observadas nos territórios visitados. Conclusões: conclui-se que a imersão proporcionada pelo VER-SUS resultou em um aprendizado significativo, reforçando a importância da gestão participativa, do comprometimento dos trabalhadores da saúde e do envolvimento comunitário na construção de um sistema de saúde mais acessível, resolutivo e humano.
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